A Batalha dos Blockbusters foi longa e árdua mas no final “The Matrix” conquistou a vitória ao derrotar sem contestação os filmes em competição. Este confronto galáctico começou no inicio do Verão e contou com a participação dos cento e vinte filmes mais lucrativos da história do cinema, no final de Julho, os dez vencedores dos dez grupos de apuramento, entraram numa grande e disputada final que foi conquistada por “The Matrix”, um dos últimos grandes filmes do século vinte. Em segundo lugar ficou “The Dark Knight”, o grande campeão de bilheteiras do ano passado, “The Lord of the Rings: The Return of the King”, o último filme da trilogia dirigida por Peter Jackson, arrebatou o último lugar do pódio.

Classificação Final da Batalha dos Blockbusters

1º - The Matrix (1999) – 25% dos Votos
2º - The Dark Knight (2008) – 20% dos Votos
3º - The Lord of the Rings: The Return of the King (2003) – 14% dos Votos
4º - Titanic (1997) – 12% dos Votos
5º - Forrest Gump (1994) – 10% dos Votos
6º - Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back (1980) – 8% dos Votos
7º - Star Wars (1977) – 5% dos Votos
8º - Gladiator (2000) – 3% dos Votos
9º - The Lord of the Rings: The Felowship of the Ring (2001) – 2 % dos Votos
10º - Spider Man (2002) – 1% dos Votos
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A Walt Disney acordou a compra da Marvel Entertainment por quatro mil milhões de dólares (2,8 mil milhões de euros), passando a controlar personagens como o Homem-Aranha, os X-Men e o Homem de Ferro.
Cada accionista da Marvel vai receber por cada acção que detém um total de 30 dólares em dinheiro mais 0,745 acções da Walt Disney, anunciaram hoje as duas empresas em comunicado conjunto, citado pela Bloomberg. A Disney está a comprar a Marvel, que também detém a série dos X-Men, depois dos filmes baseados nestes personagens de Banda Desenhada terem batido recordes de bilheteira nos cinemas. Com este negócio, a Disney obtém direitos sobre mais de 5.000 personagens da Marvel.
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A revista «Empire» publicou novas imagens do filme «Avatar», um dos grandes projectos deste ano que mostram os avatares das personagens interpretadas por Sigourney Weaver e Zoe Saldana. Ao mesmo tempo, surgem na internet imagens que mostram uma enorme semelhança entre o filme de James Cameron e a animação «Delgo», realizada por Marc Adler.


Um porta-voz da Fathom Studios, empresa de Atlanta que produziu «Delgo», manifestou-se «impressionado» com as semelhanças entre os dois filmes. «Não acredito que James Cameron tenha copiado intencionalmente o meu filme», ressalvou entretanto o cineasta Marc Adler. Assim como «Avatar», «Delgo» levou uma década a ser concluído, mas tem um recorde no seu currículo, a de pior estreia na história do cinema, de acordo com números oficiais de bilheteira. A 20th Century Fox, que levará «Avatar» aos cinemas, ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Fonte IOL

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Realizado por Spike Jonze
Com Meryl Streep, Nicolas Cage, Chris Cooper

Adaptation é um filme sobre orquídeas mas é também um filme sobre como escrever cinema. Nicolas Cage interpreta, em muito bem conseguidas cenas de montagem, dois irmãos gémeos (Charlie Kaufman e Donald Kaufman) que são na realidade os dois argumentistas do filme, tendo Charlie sido o autor, no filme e na realidade, do inigualável Being John Malkovitch. Meryl Streep cria Susan Orlean, uma conhecida jornalista americana autora de um livro chamado The Orchid Thief. Ora filme joga o tempo todo com esta referência interna. O argumento de Adaptation é a história de como Charlie adaptou o livro ao cinema. Essa adaptação foi angustiante. Cage cria um Charlie muito pouco confortável na sua pele, um artista em permanente autocrítica, por ser gordo, feio, careca e que, desesperado, se decide introduzir na própria história. É mesmo um dos pontos mais altos do filme o genérico onde somos bruscamente introduzidos nos seus pensamentos e no seu martírio mental. Já Donald é um argumentista menos dotado, mais comercial, mas muito confortável consigo mesmo. A figura de John Laroche, o ladrão de orquídeas, que garantiu a Chris Cooper o Óscar de Melhor Actor Secundário, é o verdadeiro motor do filme. Ele tem uma personalidade ímpar, uma excelente auto-imagem e uma fixação doentia por tartarugas, e vai desmoronar tudo à sua volta como sempre fez.

O desenrolar da narrativa tem momentos de boa comédia mas cai, a meu ver, frequentemente na exploração de situações levadas ao extremo do ridículo, ainda assim com uma fluência que surpreende o espectador. Os clichés são usados e abusados jogando com o facto das personagens terem uma existência real. Para além das excelentes interpretações de Meryl Streep e Chris Cooper o filme convence pela originalidade de um argumento que conta a sua própria história e a dos seus autores.

Classificação - 3,5 Estrelas Em 5
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Realizado por Quentin Tarantino
Com Brad Pitt, Eli Roth, Diane Kruger, Mike Meyers, Michael Fassbender

Inglorious Bastards é o que os americanos tanto gostam de chamar "instant classic".Tarantino consegue fazer tudo aquilo que quer e gosta, sem cedências, e simultaneamente supera as expectativas dos seus fãs e cinéfilos por esse mundo fora. Para qualquer cinéfilo que se preze, mesmo não sendo fã da sua particular visão cinematográfica, este é inegavelmente um grande filme e um dos melhores de Tarantino, em que dá um passo adiante na estética singular comum a toda a sua filmografia .
Nesta espécie de conto/sonho de qualquer judeu, que sintomaticamente começa com um "Once upon a time", marcando a vertente absolutamente ficcional de toda a trama, Tarantino dá o mote para o que todos os filmes de "silly season" podiam e deviam ser: histórias bem contadas e estruturadas, acompanhadas de boas interpretações e melhores textos e com clássicos musicais a enquadrar as melhores cenas (porque há uma mão cheia delas, dignas de constar de qualquer história do cinema). Parece fácil, mas uma rápida passagem pelos cartazes das nossas salas de cinema e uma aventurosa ida a uma sessão confirma que não é bem assim. A mistura entre filme de guerra "spaguetti", comédia, acção e drama resulta perfeita. O resultado: entretenimento, puro e duro, como a época pede e todos nós gostamos.


Tarantino filma na Alemanha com um elenco maioritariamente europeu, verdadeiro desfile de estrelas do cinema alemão (a bela e talentosa Diane Kruger, Michael Fassbender (de "Hunger" um dos grandes filmes do passado recente, aqui num óptimo desempenho e com uma das melhores cenas do filme), Christoph Waltz (Coronel Hans Landa, o melhor actor do ano em Cannes e o melhor de todo o filme), Daniel Brühl ("Goodbye Lenine")) e alguns bons actores franceses como a inesquecivel Shosana Dreyfuss interpretada por Mélanie Laurent. O filme cruza 2 histórias paralelas que distribui por 5 capítulos, mantendo a já tradicional estrutura "tarantiniana". Começamos na França ocupada do início da década de 40 do século passado, pela história de Shosana, judia, única sobrevivente do brutal massacre de toda a sua família, que, a seu tempo, terá a oportunidade de uma vida para vingar. Em seguida conhecemos os infames Basterds, um grupo que, na boa tradição de "The Dirty Dozen", tem como única missão matar nazis, com o bónus de vingarem o massacre a que o seu povo foi sujeito, visto terem em comum o facto de serem judeus. A vingança que levam a cabo espalha o medo entre os oficiais alemães, chegando aos ouvidos do próprio Führer, que desespera perante tamanha ousadia.
As típicas cenas de diálogo sem cortes estão presentes, quase sempre em plano contínuo, garantindo o realismo e assegurando o suspense em momentos-chave cujo desenlace influencia todo o futuro das personagens. A violência é gráfica e explícita, sem disfarces nem subterfúgios. Carrega o simbolismo da redenção pela vingança (que na realidade nunca chegou a acontecer...infelizmente) que todas as personagens principais buscam e, em última instância, lhes dá motivação e alento para se manterem vivos, um objectivo a que entregam a sua existência e que levam às derradeiras consequências, por todos meios ao seu alcance, por mais inortodoxos que possam parecer. A sequência basilar de todo o filme acontece no cinema de que é proprietária Shosana, levando ao clímax todas as premissas semeadas ao longo da trama, com imagens poderosas e que, apesar de todo o espectáculo e inevitável choque e espanto, nos deixam um sorriso nos lábios.
Tarantino conclui com chave de ouro e deixa o seu nome gravado na história do cinema por, mais uma vez, provar que o cinema, mantendo-se pop, pode simultaneamente atraír público às salas e ser tão ecléctico como o melhor da 7ª arte europeia, cujos actores incansavelmente celebra ao longo de mais de 2h30m. That´s Entertainment!

Classificação - 4 Estrelas Em 5
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Título Original - What I Like About You
Título Nacional - As Coisas Que Eu Gosto Em Ti

Valerie Tyler mora em Nova Iorque e tem uma vida perfeita, uma carreira que promete bastante como relações públicas e um grande apartamento. Com o que ela não contava era com a chegada de Holly, a sua irmã adolescente que se muda para o apartamento trazendo com elas todos os problemas e dúvidas próprios da adolescência. Conseguirão conviver em perfeita harmonia, será um desastre ou será o reforço da sua união? “As coisas que eu gosto em ti” é uma série leve que ainda pode arrancar umas boas gargalhadas, sendo mais direccionada ao público jovem. Estreou em 2002 e tem 4 temporadas. Uma série recomendada ao público juvenil

Personagens:

Holly Tyler (Amanda Bynes) – A jovem problemática que muitas vezes mente à irmã pensando que é o melhor a fazer, arranja muitas confusões e recorre muitas vezes ao apoio da irmã.

Valerie Tyler (Jennie Garth) – A irmã mais velha de Holly e várias vezes o seu porto de abrigo.

Gary (Wesley Jonatthan) – O melhor amigo de Holly.

Jeff (Simon Rex) – Namorado de Valerie na temporada 1.

Loren (Leslie Grossman) – Colega de trabalho de Valerie.

Vince (Nick Zano) – Amigo de Holly (só aparece na temporada 2) por quem ela vai sentir algo.

Henry (Michael McMilian) – Vai ser namorado de Holly.

Tina (Alissson Munn) – Amiga de Holly, Vince, Gary e Henry.


Classificação - 3 Estrelas Em 5
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Realizado por Chris Nahon
Escrito por Chris Chow, Kenji Kamiyama e Katsuya Terada
Com Gianna Jun, Allison Miller, Liam Cunningham, Koyuki, Yasuaki Kurata

No ano 2000, o ano de passagem ao novo milénio, a animação passava a um outro nível com “Blood: The Last Vampire” a abrir as portas à animação digital. Este anime foi um filme de facto inovador e surpreendente, recebendo mesmo aplausos de realizadores visionários e tão conceituados como James Cameron (realizador de “Aliens”, “The Terminator” ou “Titanic”). Assim sendo, a fechar a primeira década do novo milénio, os produtores de “Crouching Tiger Hidden Dragon” e “Hero” decidiram apostar numa adaptação em imagem real das aventuras de Saya – uma vampira fria e determinada que tem como objectivo de vida eliminar todos os demónios à face da Terra. Ora, aquilo que funciona num anime, não tem necessariamente de funcionar num filme de imagem real e como tantas vezes acontece nestas adaptações, o filme de imagem real fracassa e não consegue chegar aos calcanhares do filme original.
“Blood: The Last Vampire” segue a história da vampira Saya, que trabalha para uma organização secreta e a quem é atribuída a missão de se infiltrar numa escola militar americana no Japão pós-segunda guerra mundial, na tentativa de desmascarar um sangrento demónio que se faz passar por um dos estudantes da escola. Como é óbvio, Saya (Jun) terá de utilizar os seus poderes de vampira para retalhar o demónio em pedaços e ao longo da história, ela deixar-se-á levar pela sua própria obsessão de enfrentar Onigen (Koyuki) – o líder dos demónios – afastando-se assim da sua missão e tornando-se uma guerreira incontrolável e sedenta de sangue.


Estas adaptações têm sempre de ser encaradas com muito cuidado e doses de planeamento (pré-produção) elevadas, pois a linguagem dos anime difere muito da linguagem de uma longa-metragem de imagem real. Quando se levam à letra os fatos das personagens e as suas habilidades demonstradas no desenho animado, corre-se o risco de perder a noção do realismo e oferecer doses gigantescas de disparate ao filme de imagem real. É um pouco aquilo que acontece neste filme. Toda a preocupação dos produtores foi dirigida para a fidelidade ao anime original. Isso pode ser bom, mas neste caso não é. Os produtores pouco se preocuparam com a construção de um argumento profundo, complexo e credível, sendo que as personagens não convencem ninguém e a relação entre elas é simplesmente inexistente. O filme apresenta doses elevadas de acção e sangue a rodos, o que acaba por atribuir algum ritmo e entretenimento à película. Porém, isso não chega para estarmos perante um filme decente. A acção desenrola-se em piloto automático e no início do filme já sabemos como a história vai acabar. É mesmo assim tão previsível.
Gianna Jun, apesar de esforçada, acaba por ser também um erro de casting. Isto porque a personagem de Saya é bastante complexa, profunda e fria. Exigia-se a procura de uma actriz mais madura, mas os produtores decidiram optar por uma jovem belíssima que ficasse sexy num uniforme escolar japonês. De facto, tenho de concordar que Jun enche o olho e chama a atenção pela sua beleza, mas Saya não tem como principal característica o seu sex-appeal, mas antes a sua dureza e crueldade. Desta forma, Jun nunca consegue ser credível no papel de Saya. O ponto forte do filme acabam por ser as sequências de acção (algumas bem conseguidas e inspiradas), mas nem por isso os efeitos especiais são os melhores. Nota-se que houve falta de dinheiro para conseguir transpor para o ecrã criaturas demoníacas mais credíveis, mas enfim. O oriente não é Hollywood.
Resumindo e concluindo, “Blood: The Last Vampire” acaba por se revelar como um interessante filme de série B, um daqueles prazeres proibidos para ver com os amigos, um daqueles filmes que dão um gozo tremendo de ver mas que todos sabemos que pouca ou nenhuma qualidade possuem.

Classificação - 2 Estrelas Em 5
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Inglourious Basterds (Sacanas Sem Lei)
Realizado por: Quentin Tarantino
Com: Brad Pitt, Diane Kruger, Daniel Bruhl, Samuel L. Jackson, Mike Meyers, Michael Fassbender, Mélanie Laurent, Eli Roth
Género: Drama, Guerra
Sinopse: Quentin Tarantino junta-se a Brad Pitt, Diane Kruger, Daniel Bruhl, Samuel L. Jackson, Mike Meyers, Michael Fassbender e Mélanie Laurent num tributo a "Quel Maledetto Treno Blindato", um filme de guerra italiano, de 1978, realizado por Enzo Castellari e que saiu nos EUA com o título "The Inglorious Bastards". Durante a II Grande Guerra assistem-se a corajosas lutas: do tenente Aldo Raine (Brad Pitt), conhecido como Aldo, o Apache, especialista nos escalpes e líder dos Sacanas, um grupo de soldados americanos escolhidos para espalhar o terror entre os nazis, eliminando-os com especial requinte; de Bridget von Hammersmark (Diane Kruger), uma famosa actriz alemã que na verdade colabora com a Resistência Francesa; e de Shosanna (Mélanie Laurent), uma rapariga judia sobrevivente ao massacre da sua família que acaba em Paris, a gerir um cinema durante a ocupação dos alemães.Nessa sala de cinema, durante a grande estreia de "O Orgulho da Nação", um filme de propaganda nazi, em que o próprio Hitler e os principais líderes tinham previsto marcar presença, o grupo dos Sacanas e Shosanna cruzam-se com um objectivo comum: a destruição do III Reich.


Ponyo on the Cliff by the Sea (Ponyo à Beira-Mar)
Realizado por: Hayao Miyazaki
Com Vozes de (versão original japonesa): Yuria Nara, Jôji Tokoro, Hiroki Doi
Género: Animação
Sinopse: Depois sucesso mundial de "A Princesa Mononoke", "A Viagem de Chihiro" (Óscar de melhor filme de animação em 2001) e "O Castelo Andante", o mago da animação Hayao Miyazaki regressa com mais uma maravilhosa história de amor e fantasia, desta vez inspirada no conto "A Pequena Sereia", de Hans Christian Andersen.Ponyo é uma peixinho-vermelho que é salva por Sosuke, um menino de cinco anos que a encontra na praia, presa num frasco de doce. A amizade deles torna-se tão profunda que Ponyo decide deixar o seu reino no mar e transformar-se numa menina, para assim poderem passar mais tempo juntos...


My Life in Ruins (A Minha Vida em Ruínas)
Realizado por: Donald Petrie
Com: Nia Vardalos, Richard Dreyfuss, Alexis Georgoulis
Género: Comédia
Sinopse: Georgia (Nia Vardalos, actriz e argumentista do divertido "Viram-se Gregos para Casar") é uma professora de História Antiga que viaja para a Grécia, a sua terra ancestral, determinada a encontrar um sentido para a vida. Depois de uma estadia mais ou menos prolongada, decide candidatar-se a guia turística usando para isso os seus enormes conhecimentos. Infelizmente as coisas não serão como esperava pois os seus clientes estão pouco interessados nas maravilhas da antiguidade, preferindo as magníficas praias gregas e outras coisas mais prosaicas. E, quando ela se recusa categoricamente a alterar o seu roteiro turístico de forma a agradar os excursionistas, a sua chefe decide fazer de tudo para tornar a sua vida num inferno, sabotando o seu trabalho de todas as formas possíveis. Mas, apesar de todas as contrariedades, alguém especial vai fazer um pequeno desvio onde Geórgia finalmente encontrará o tão procurado Kefi (ou alegria de viver, em grego). Uma comédia do realizador de "Miss Detective" e "Como Perder um Homem em 10 Dias".

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Esta semana* estreia também em Portugal a mais recente obra-prima de Hayao Miyazaki - o grande mestre da animação tradicional japonesa. "Ponyo on the Cliff by the Sea" (título inglês) desvenda-nos a relação de amizade que um pobre rapaz constrói com uma princesa dos mares que sonha em tornar-se humana. Qualquer obra de Miyazaki deve ser esperada com entusiasmo por qualquer cinéfilo que se preze, e este mais recente filme do autor certamente não abrirá uma excepção.

*Estreia prevista para 27 de Agosto.
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Realizado por Quentin Tarantino, "Inglourious Basterds" conta-nos a história de um grupo de radicais judeus americanos que decide retaliar contra as tropas nazis, incutindo-lhes a mesma dose de tratamento cruel, sangrento e sem escrúpulos. No festival de Cannes, o filme recebeu uma ovação em pé de 11 minutos e estreia esta semana* nas salas de cinema portuguesas. Estreia prevista para 27 de Agosto.

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Realizado por Francis Ford Coppola
Com Gene Hackman, John Cazale, Allen Garfield e Harrison Ford

Filme aclamado na década de 1970, tido como quase visionário, pouco tempo antes de rebentar o escândalo Watergate, este The Coversation é mais uma daquelas pérolas do bom cinema americano e do seu período mais experimentalista. Classificado como thriller de conspiração, este exercício sobre o avanço tecnológico e sua influência no comportamento humano, é um pequeno filme fruto do trabalho árduo de um Francis Ford Coppola com muito poder na indústria depois do sucesso estrondoso dos primeiros capítulos da trilogia The Godfather (The Godfather, 1972 e The Godfather II, 1974), sendo portanto um dos seus projectos mais intimistas de sempre. Coppola apresenta-nos pois um belíssimo exercício de cinema, construído, do ponto de vista da realização, a partir do interior para o exterior, tendo como pano de fundo a ameaça da vigilância electrónica, criando uma teia de intrincadas significações que envolvem a audiência e jogando com as suas próprias interpretações daquilo que se lhe afigura na tela.
Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1974, The Conversation tem como ponto fulcral as personagens e a forma como estas nos são apresentadas ao longo da obra. Aqui com um Gene Hackman num dos seus papeís mais brilhantes, pelo nível de comedimento e instrospecção que propaga. O seu Harry Caul é um homem que receia dar-se a conhecer e, consequentemente, é um homem só, dedicando todo o seu tempo ao trabalho e a praticar no seu quarto. Um isolamento que arrepia e que acabará por marcar a década de 70 no cinema Norte-Americano, que culmina com um perturbante Travis Bickle no Taxi Driver de Martin Scorsese. Harry Caul é um perito em técnicas de vigilância e, após ter sido contratado pelo director de uma empresa para gravar a conversa de um casal, composto por dois dos seus funcionários, começa a suspeitar que do seu trabalho poderá resultar a morte de ambos e fantasmas do seu passado voltam para lhe assombrar a consciência. E aqui reside precisamente a principal ironia de todo o filme, e o seu tema principal: a centralidade de um homem que, tudo ouvindo, vive com um isolamento e uma solidão profundos, mergulhado numa esquisófrenia surda perturbante. Este especialista em espionagem e escutas é uma máquina, uma extensão da sua profissão, um homem reservado, anónimo, fechado na privacidade do seu apartamento e na relação casual que mantém com uma amante, a quem não parece dar a mínima importância. Acompanhamos, ao longo da película, a sensaboria do seu percurso.
Coppola, com o seu brilhante argumento e, talvez, com a sua melhor realização de sempre, consegue precisamente transmitir essa sensaboria, deixando a mensagem de que a vida daquele homem ganha apenas alguma emoção no momento em que acompanha as vidas daqueles que vigia. O voyeurismo da sua profissão surge combinado com o vazio da sua privacidade, criando na audiência um desconforto óbvio. Fica, assim, criado o tom do filme, apoiado numa narrativa que gira em torno de uma conversa mal interpretada. Projectando o seu isolamento para uma escuta em que trabalha -- essa simples conversa entre duas pessoas no meio de uma multidão -- Caul cria um conjunto de obsessões que o levam a concentrar toda a sua atenção nesse trabalho em especifico. A obsessão de Caul começa no momento em que edita as escutas que foi reunindo. Ouvindo vezes sem conta as cassetes, vai ajustando o som até conseguir captar palavras no meio dos diferentes ruídos que camuflam a conversa. Movido pela solidão que o acompanha, a personagem de Hackman começa a criar uma história sua, com traços de terror e tragédia iminentes, passando a viver em função daquilo que acredita ter ouvido e com a expectativa de que possa alterar o rumo dos acontecimentos. The Conversation é montado brilhantemente por Coppola, recriando engenhosamente o próprio acto de interpretação que inconscientemente todos fazemos quando não temos a informação toda disponível e levando-nos, estranhamente, a simpatizar com esta personagem que domina o ecrã e cujos traços distintivos são ao mesmo tempo tão repulsivos quanto atractivos.
O desfecho do filme será muito Hitchcockiano, mimicando a espaços, na sua toada, o Antonioni de Blow Up -- repare-se na predominância dos planos gerais entrecurtados pela privacidade da vida de Caul, acompanhados pela sucessão de acontecimentos simples e inexplicáveis -- reforçando-se dessa forma a intensidade dramática do conflito que subliminarmente se adivinha ao longo de toda a narrativa. The Conversation não nos traz uma narrativa simples, mas, ao mesmo tempo, e como grande obra de arte que é, ilustra a simplicidade do comportamento humano, da contínua procura de sentidos que todos fazemos. Reproduz os significados que se perdem no nosso quotidiano, os mal entendidos e as pequenas conversas que ocasionalmente apanhamos no metro. Elementos com que todos lidamos e aos quais não damos importância, podendo ser partes integrantes de um qualquer plano alargado que poderá influenciar a nossa vida, sem que saibamos. É precisamente essa a força dramática deste filme: a capacidade de Coppola em captar a complexidade das emoções humanas.

Classificação - 5 Estrelas Em 5
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Realizado por Andy Wachowski, Larry Wachowski
Com Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving

Os irmãos Wachowski revolucionaram a indústria cinematográfica com “The Matrix”, uma produção de ficção científica que graças aos seus surpreendentes efeitos especiais alcançou um estatuto de obra-prima em Hollywood. No entanto, “The Matrix” não vive exclusivamente dos seus gráficos de luxo porque também aposta numa narrativa bastante interessante e complexa que cativa e entretém o espectador.
A acção do filme decorre num futuro próximo, onde somos apresentados a Neo (Keanu Reeves), um programador de sistemas computorizados que sofre de pesadelos recorrentes que envolvem estranhos agentes secretos e modificações irrealistas da realidade. Ao conversar com Trinity (Carrie-Anne Moss) e Morpheus (Laurence Fishburne), dois elementos da resistência humana contra o domínio das máquinas, Neo apercebe-se que os seus sonhos têm um fundo de verdade e que a realidade é completamente diferente daquela a que está habituado. O grupo da resistência explica-lhe que há muito tempo atrás, os computadores revoltaram-se contra os humanos e tomaram o controlo do planeta, escravizando a maioria da raça humana que posteriormente começou a ser utilizada como fonte de alimento energético para o complexo e tecnológico mundo desenvolvido pelos principais computadores do planeta. De forma a manterem a população humana controlada e imóvel, as máquinas desenvolveram uma complexa rede electrónica (Matrix) que alimenta os cérebros dos humanos com ilusões elaboradas enquanto os corpos são usados como fontes de energia. O líder da resistência, Morpheus, acredita cegamente que Neo será capaz de libertar a humanidade da escravidão e pede-lhe que se junte rapidamente à resistência que muito brevemente irá iniciar a ultima batalha contra as máquinas.


Os inovadores efeitos computorizados que moldam o visual desta produção estão presentes numa grande maioria das cenas mas é durante as sequências de acção que se tornam verdadeiramente relevantes e extasiantes. As lutas e perseguições são animadas e melhoradas através de efeitos futuristas que incutem adrenalina e espectacularidade aos grandes momentos de acção da história. As alternâncias de ritmo e velocidade das sequências de acção, são muito provavelmente o aspecto mais célebre destes efeitos especiais, tendo marcado presença em algumas das cenas mais significativas do filme como o pontapé aéreo de Trinity ou o desvio das balas de Neo. As fortes e pesadas sonoridades da obra também ajudaram a incutir espectacularidade às cenas de maior adrenalina que ocupam uma boa parte da história.
O argumento claramente alternativo e futurista desenvolve um tema extremamente popular nos circuitos literários de ficção científica, a rebelião das máquinas contra os humanos. No passado, obras como “Terminator” ou “Blade Runner” exploraram este conceito mas”The Matrix” elevou a fasquia ao desenvolver uma realidade extremamente complexa e intelectual que ultrapassou os conceitos imaginativos previamente estabelecidos pela indústria literária e cinematográfica. Ao misturar termos e conceitos informáticos com elementos futuristas e cinematográficos, “The Matrix” explora uma interessante guerra entre Máquinas e Humanos que é travada através de meios pouco habituais numa realidade fictícia criada pelas próprias máquinas. A constante alternância entre realidade computorizada e realidade temporal, explícita a complexidade da batalha e expõem o verdadeiro poder das máquinas que comandam o mundo virtual e grande parte do mundo real, excepção feita à última cidade humana, Zion. Ao longo da história vamos encontrando vários elementos informáticos (Oráculo e Agentes) que compõem o mundo cibernético e que auxiliam ou prejudicam os rebeldes. Com o avançar da história vamo-nos familiarizando com as especificidades técnicas da guerra e com as esperanças depositadas em Neo, uma espécie de super-herói que é composto por elementos humanos e cibernéticos. Apesar da difícil percepção e compreensão inicial de todos os elementos que a compõem, esta extensa e difícil narrativa poderá facilmente agradar ao espectador que procure apreciar todos os pormenores e detalhes desta história futurista.




O principal actor desta produção é Keanu Reeves, um actor inconsistente que raramente convence o espectador mas que nos apresenta uma performance substancialmente aceitável nesta obra. O elenco secundário está recheado de actores talentosos e carismáticos como Laurence Fishburn ou Hugo Weaving, este último oferece-nos um excelente vilão que encarna na perfeição o calculismo das máquinas e o poder destrutivos dos vírus informáticos. O papel feminino de maior destaque pertence a Carrie-Anne Moss que interpreta Trinity, a inconformista e aguerrida namorada do grande salvador do filme.
Em suma, “The Matrix” oferece ao espectador uma valorosa experiência cinematográfica através da sua magnifica narrativa e dos explosivos gráficos que embelezam os cenários e as sequências de acção. Um filme imperdível que encerrou em beleza o século XX.


Classificação – 5 Estrelas Em 5
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Realizado por Irvin Kershner
Com Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, David Prowse, Frank Oz

1977 foi o ano de nascimento de uma das maiores e mais adoradas sagas de toda a História do cinema mundial. Pelas mãos de George Lucas, o público de todo o mundo delirava com “Star Wars” – um grande épico de ficção científica onde o Universo era o parque temático das maiores batalhas algumas vez vistas no grande ecrã. Tal foi a onda de euforia e sucesso, que três anos mais tarde a saga era retomada e a aventura continuava numa galáxia muito longínqua.
“Star Wars: Episode V – The Empire Strikes Back” retoma a fantástica história de Luke Skywalker, um jovem e humilde camponês, que de um dia para o outro vê a sua simples vida alterar-se drasticamente quando descobre que é um guerreiro Jedi e que o maléfico Império anda atrás dele. Depois de uma breve vitória sobre Darth Vader – o lacaio do Imperador – Luke (Hamill) decide que tem de visitar o mestre Yoda (Oz) – o velho líder dos Jedi – na tentativa de aprender mais sobre a Força e desenvolver as suas capacidades de guerreiro Jedi. Ao mesmo tempo que o seu treino se vai desenrolando, Han Solo (Ford) e a princesa Leia (Fisher) são continuamente perseguidos pelo Império, que pretende utilizá-los como isco para chegar até Luke. Quando Luke descobre que os seus amigos estão em apuros, interrompe o treino com Yoda e decide confrontar Darth Vader, numa terrível batalha que tirará o véu sobre o mistério do passado dos Jedi e sobre a verdadeira identidade da família Skywalker.


“Star Wars: Episode V – The Empire Strikes Back” é um filme mais introspectivo e profundo. Mais completo e espectacular que o filme original, este episódio V é também muito mais evoluído em todas as áreas. Os aspectos técnicos como os efeitos especiais, a fotografia e a caracterização de personagens estão mais cuidados, e acima de tudo, “The Empire Strikes Back” é dotado de um argumento bem mais profundo, apaixonado e complexo do que o filme anterior. De facto, o ponto forte deste filme é o aprofundar do passado trágico da família Skywalker e a descoberta da ligação que o herói tem com o grande vilão; uma ligação que vai muito além do simples confronto entre Bem e Mal.
Luke Skywalker torna-se neste filme uma personagem muito mais madura, culta e credível, fruto de um treino curioso e intenso com o mestre Yoda (deliciosamente manuseado por Frank Oz). Darth Vader despe também a ideia de que é apenas um lacaio robótico sem pensamento, adquirindo uma postura bem mais interessante onde os sentimentos sobem à flor da pele e o tornam uma personagem trágica e simplesmente única na História do cinema. Destaque também para as interpretações enérgicas e cómicas de Harrison Ford e Carrie Fisher, um duo sempre pronto a levar os espectadores ao riso ou a um impulso de adrenalina. Quanto à banda-sonora do mestre John Williams, palavras para quê? Simplesmente uma das melhores de todos os tempos e o tema criado para Darth Vader descreve perfeitamente todo o rancor existente na personagem.
Resumindo, “The Empire Stikes Back” suplanta o filme original de todas as maneiras imagináveis, pecando apenas por alguma infantilidade em certas cenas na tentativa de expandir a audiência da saga e não a limitar a um público mais adulto. Ponto este que acaba por afectar todos os filmes da saga, retirando-lhes alguns pontos.

Classificação - 4 Estrelas Em 5
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Realizado por Robert Zemeckis
Com Tom Hanks, Gary Sinise, Sally Field, Robin Wright

A nobre história fictícia de “Forrest Gump” comoveu e convenceu o público que se rendeu à magia amplamente genérica desta obra extremamente completa e apelativa que rapidamente conquistou o estatuto de obra-prima cinematográfica.
A história desta aclamada produção é centrada nas peripécias de Forrest Gump (Tom Hanks), uma rapaz pouco inteligente mas extremamente atencioso que durante três décadas cavalgou pela história dos Estados Unidos da América, tendo participado em inúmeros eventos de grande importância e perigosidade que o tornaram num símbolo de esperança e inocência para um país socialmente devastado e vergado à incerteza política.


O cineasta Robert Zemeckis oferece-nos uma produção extremamente ampla que nos apresenta uma grande variedade de elementos narrativos de vários géneros cinematográficos que se vão misturando harmoniosamente durante a história. A acção é desenvolvida através de flashbacks que relatam a história de Forrest Gum paralelamente à história dos Estados Unidos da América. Os acontecimentos são narrados pela própria personagem principal que, numa demonstração da sua inocência, decide contar abertamente a sua história de vida aos diferentes transeuntes que esperam ansiosamente pelo autocarro numa paragem pouco movimentada. A história da personagem interliga-se constantemente com a história da sua nação porque ele participou activamente em praticamente todos os grandes eventos sociais e políticos das três décadas em questão, tornando-se numa verdadeira celebridade norte-americana, algo que lhe passa completamente ao lado. Entre aventuras e polémicas sociais, Forrest Gump espalha a sua simpatia e simplicidade por vários quadrantes da sociedade mas em última analise, a grande missão de Forrest Gump é encontrar Jenny Curran, o grande amor da sua vida. A narrativa desdobra-se em múltiplos planos dramáticos mas a grande mensagem do filme acaba por estar ligada ao amor que todas as personagens sentem por Forrest e que Forrest sente por Jenny.


A parte técnica e superficial do filme é extremamente cuidadosa e pormenorizada. Ao longo da obra somos confrontados com inúmeros momentos de magia visual que oferecem contextualidade e qualidade à história. Desde os múltiplos pormenores de montagem fotográfica e caracterização pessoal até aos grandes momentos de espectacularidade visual que cobrem os amplos cenários com energias vibrantes e contagiantes, “Forrest Gump” convence a mente e agrada ao olhar. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas reconheceu essa qualidade através da entrega do Óscar de Melhores Efeitos Especiais e Visuais. A banda sonora de Alan Silvestre também nos convence porque apresenta múltiplas sonoridades equilibradas e emotivas que enaltecem os grandes momentos dramáticos da história.
O talentoso Tom Hanks é incontestavelmente o principal atractivo do elenco e um dos principais elementos de qualidade do filme. A sua performance é absolutamente soberba, não deixando ninguém indiferente à sua dedicação e capacidade artística. Os actores secundários também brilham e convencem, nomeadamente Sally Field e Gary Sinise que arrasam a todos os níveis.
A magia simplista do argumento e os restantes elementos técnicos de qualidade transformaram este “Forrest Gump” num verdadeiro clássico cinematográfico que facilmente perdurará na história do cinema.

Classificação – 5 Estrelas Em 5
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Criada por David Simon, Ed Burns, etc.
Com Dominic West, Wendell Pierce, Clarke Peters, etc.

The Wire é, provavelmente, a melhor série que, até à presente data, a HBO deu ao mundo. E sim, tenho em mente essoutro colosso do pequeno ecran, de seu nome Sopranos. A genialidade de The Wire é o autêntico "murro no estômago" em que consiste. Sem contemplações, hedonismos lacrimejantes, know how plástico que tudo filtra como se de um gigantesco anúncio se tratasse, moralismos de algibeira numa hipocrisia desmesuradamente isenta da salutar vergonha.

E que pequena amostra desse universo designado humanidade elegeram os criadores da série para húmus e repasto da sua obra? A bela cidade de Baltimore. A cidade e os seus habitantes, pelo prisma das instituições: dos dealers e seus complexos esquemas organizacionais, passando pelo tráfico portuário, piscando o olho à política também como o típico lavadouro universal de alguns dos dinheiros sobejantes do crime, as escolas onde nem mesmo em idade púbere se almeja levar a salvação do conhecimento a quem esbraceja desde sempre para sobreviver entre o caos, e, finalmente, os jornais, estrangulados pela era do digital, conspirando para uma massificação da informação cada vez mais alheia à verdade que importa de facto contar ao leitor. Cada uma destas instituições é abordada em cada temporada da série. Ou seja, 5 magnas temporadas para ver e rever!

Pelo que já se disse parece coisa das boas, não? Pois, mas o ponto forte ainda está por mencionar: as personagens. The Wire é, de longe, muito longe, a melhor série do ponto de vista das personagens criadas. São de carne e osso, contradizem-se, não há vilões de absoluta maldade, ou mesmo relativa... um dos mais eminentes (Omar) rege-se por um código de valores capaz de superar o de muitos bons chefes de nação - isto, claro, abstraindo o facto de ser um gangster que mata dealers... Não há Budas nem santos, todos eles pecam e ostentam defeitos. Humanas, demasiado humanas... profundas e complexas, balzaquianas, como alguém doutamente o fez notar. Para apresentá-las em devida ordem teria de mencionar umas quantas antes das duas que mais fascinaram, por isso, arbitraria e autoritariamente, destaco:

Omar Little (Michael K. Williams) - Nos seus early 30's, Omar é uma lenda viva nos bairros degradados de Baltimore. Dedica-se ao roubo de dealers, coisa tão idónea à longevidade como pastéis de cicuta ao pequeno almoço. Mas não se trata de um criminoso qualquer. Tem um código e segue determinadas condutas de acordo com uma escala de valores muito própria.
Diz o próprio Omar que nunca apontou a sua arma a nenhum civil, o que é verdade.
Omar é homossexual, abomina palavrões e é generoso e honrado.

Brother Mouzone(Michael Potts) - Um vilão do outro mundo! Enverga fato e laço, homem culto e informado “with more bodies on him than a chinese cemetery”, como bem o caracteriza o Prop. Joe (outra personagem 5*), em meio pestanejo devia o olhar dos seus livros e revistas para gente com massa encefálica funcional e adiciona às estatísticas da medicina legal os itens devidos.

Ah! Só mais uma coisa: The Wire não é a típica série dramática. Há por lá cenas (em todos os episódios, nalguns até mesmo muito) de uma piada extraordinária! Devo dizer que já me ri mais com certos episódios de The Wire do que com alguns de Weeds. E Weeds tem um humor bem lá à frente. A diferença é que a façanha do cómico não é artificial. Ela é antes potenciada pela imperiosa e omnipresente realidade humana, sem plasticidades e estéticas adulteradas. Aqui seguem dois exemplos daquilo que quero dizer com humor de ponta numa série dramática: o desenvolvimento e súbito insight na investigação de dois detectives e os desvarios de uma típica bebedeira de um bófia desgovernado (atenção que tem cenas para adultos, daquelas idóneas a produzir gente pequena). Só a realidade que oprime alberga a redenção. E constatar que ainda se fazem coisas extraordinárias como The Wire é redentor. Pelo menos para quem goste de ver boa televisão.
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Classificação - 4,5 Estrelas Em 5
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Realizado por Gaspar Noé
Com Monica Bellucci, Vicent Cassel, Albert Dupontel

O tratamento artístico da violência nunca me deixa indiferente, contudo raras vezes me repugnou tanto como o modo como é feito neste filme. O polémico argentino Gaspar Noé considera que em arte não há pornografia, tudo é permitido, tudo é manobrável. Eu contraponho que assim pode ser mas que o resultado desse percurso não é muitas vezes mais do que delírios do seu autor e não arte como se pretende.
O filme em questão conta a história de uma violação, de um triângulo amoroso, e de uma vingança. Tudo se passa numa única noite em cenários dantescos do submundo gay parisiense, em espaços claustrofóbicos, onde, como pretensiosamente a sinopse do filme anuncia, se mistura sangue e sémen. O argumento é débil, as personagens são delineadas pela sua sexualidade e pelo uso que fazem dela sem grandes elaborações, o crime e a vingança são de uma violência extrema mas pouco verosímeis. O maior investimento na narrativa é a manipulação do tempo da acção que nos é apresentada do fim para o início em episódios ligados por uma lógica de causa-efeito. O facto de a consequência nos ser apresentada antes que o acontecimento que a provocou exige um esforço intelectual do espectador, jogando com as suas expectativas, mas não vai além da linearidade invertida o que a partir de determinado momento torna tudo bastante previsível. O filme reaproveita pontualmente a personagem do Talhante que Noé criara nas suas obras anteriores, a curta Carne e o filme Seul contre tous.


O filme foi nomeado para a Palma de Ouro que, a meu ver, justissimamente não ganhou. Pouco nesta obra vai para além do exercício, da experiência, sem um resultado palpável e consistente. Tudo está pegajosamente impregnado de uma sexualidade repulsiva e de uma visão muito negativa dos circuitos homossexuais. O filme está disponível em DVD numa edição StudioCanal.

Classificação - 2,5 Estrelas Em 5
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Synecdoche, New York (Sinédoque, Nova Iorque)
Realizado por: Charlie Kaufman
Com: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Sadie Goldstein
Género: Comédia Dramática
Sinopse: Caden Cotard, encenador de teatro, está a trabalhar numa nova peça - mas tudo parece retirar-lhe a atenção. A mulher deixou-o e foi viver para Berlim, onde continua a pintar, e levou com ela a filha de ambos. Madeleine, a sua psiquiatra, está mais preocupada com a promoção do seu novo livro do que ouvi-lo. E a relação que tem com a jovem Hazel também não vai de vento em popa. E, para piorar tudo, sente-se doente com uma misteriosa doença que ataca o seu sistema nervoso. Aterrorizado perante a ideia da sua própria morte, Caden decide deitar tudo para trás das costas e, aspirando criar uma obra de uma integridade absoluta, reúne um grupo de actores em Nova Iorque.


4 Copas
Realizado por: Manuel Mozos
Com: Nuno Bernardo, Diana Costa e Silva, Margarida Marinho, João Lagarto
Género: Drama
Sinopse: Depois de "Xavier" (1992) e "Quando Troveja" (2002), Manuel Mozos regressa aos cinemas com esta longa-metragem de ficção, com a cidade de Lisboa como pano de fundo, sobre pessoas comuns que vivem e partilham problemas comuns. Diana (Rita Martins), a entrar na idade adulta, vive despreocupadamente as suas aventuras amorosas. Mora com o pai (João Lagarto), um homem tranquilo e pouco exigente, e com a madrasta Madalena (Margarida Marinho), uma mulher frustrada e viciada no jogo. Um dia descobre que Madalena trai o seu pai com Miguel (Filipe Duarte), um segurança muito atraente e mais jovem, que dá aulas de escalada nas horas vagas. Com o intuito de salvar o casamento do seu pai, Diana aproxima-se de Miguel. Mas acaba por descobrir o amor.


Blood: The Last Vampire (Blood: O Último Vampiro)
Realizado por: Chris Nahon
Com: Allison Miller, Liam Cunningham, Jun Gianna
Género: Acção/Thriller
Sinopse: Saya (Gianna Jun) é uma rapariga de 16 anos, meia vampira e imortal, cuja alma de 400 anos anseia por vingança. Fruto de um amor proibido entre um homem e uma vampira, a sua existência tem sido solitária, dedicando todos os esforços a livrar o mundo dos vampiros, apesar de saber que a sua condição de híbrida a leva a depender do sangue para sobreviver, tal como os que odeia e persegue obsessivamente. Quando a organização secreta para a qual trabalha a envia para uma base militar americana no Japão, percebe que esta é a grande oportunidade de destruir Onigen, o perverso patriarca da raça dos vampiros. Versão do francês Chris Nahon que tem como inspiração um conhecido anime de terror realizado por Hiroyuki Kitakubo em 2000.


The Ugly Truth (ABC da Sedução)
Realizado por: Robert Luketic
Com: Katherine Heigl, Gerard Butler, Eric Winter, Bree Turner
Género: Comédia Romântica
Sinopse: Depois do seu sucesso na série Anatomia de Grey como a jovem interna Izzie Stevens, Katherine Heigl protagoniza esta comédia romântica sobre as teorias da sedução. Ela é Abby, uma jovem e bonita produtora de televisão cuja desastrosa vida amorosa é de conhecimento público. A sua vida complica-se quando as audiências do seu programa sobre assuntos cor-de-rosa começam a cair e o director de programas decide contratar para comentador Mike Chadway (Gerard Butler), pensando apimentar as manhãs do canal televisivo. E deverá consegui-lo: Mike é um conhecido chauvinista, irritante e desbocado, com ideias sexistas e provocadoras, que tenciona demonstrar, em directo, as suas teorias sobre os relacionamentos e ainda conseguir um encontro escaldante para Abby. E assim se retoma a eterna guerra dos sexos.


Passengers (Passageiros)
Realizado por: Rodrigo García
Com: Anne Hathaway, Patrick Wilson, Andre Braugher
Género: Drama/Thriller
Sinopse: Depois de um terrível acidente de aviação, Claire Summers (Anne Hathaway), uma jovem terapeuta, recebe do seu mentor (Andre Braugher), a missão de apoiar psicologicamente os únicos cinco sobreviventes à tragédia. Mas o seu trabalho torna-se um quebra-cabeças quando percebe que as informações são muito contraditórias e que todos eles têm grandes dificuldades em reconstruir o que se passou. Eric (Patrick Wilson), com quem Claire cria uma estranha e forte ligação, parece ter adquirido, após o acidente, uma percepção extra-sensorial que o leva a ter um comportamento cada vez mais bizarro. Quando Claire relata à companhia o que sabe sobre o acidente, os seus pacientes começam a desaparecer sem motivo aparente, o que a leva a suspeitar de conspiração. Determinada a descobrir a verdade, vai até às últimas consequências, mesmo que isso a faça perder toda a credibilidade. Realizado por Rodrigo Garcia, filho do escritor colombiano Gabriel García Marquez, um thriller psicológico sobre a linha que divide a vida e a morte.

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Realizado por Quentin Tarantino
Com Kurt Russell, Zöe Bell, Sydney Tamiia Poitier

É difícil escrever sobre Death proof tal é a complexidade das referências cruzadas ao cinema e às séries de televisão americanas dos anos 70 à mistura com elementos absolutamente contemporâneos num processo constante de citação e reformular da citação.
Evocando os velhos filmes de perseguições, Tarantino apresenta-nos a história repleta de adrenalina de um velho duplo, Stuntman Mike (Kurt Russel), que, não fazendo jus à virilidade que quer aparentar, se excita sexualmente perseguindo e assassinando belíssimas e incautas jovens com o seu Chevy Nova à prova de morte. Se numa primeira parte da obra os seus intentos são atingidos e mesmo depois de descoberto nada fica provado, na segunda parte, ao intentar o crime noutro estado americano, a sorte não o favorece e numa nunca vista cena de poder feminino, onde Zöe Bell se transcende, o seu caminho toma outro rumo.
Os clichés são usados para serem invertidos e pervertidos, o feminino é belo e tentador mas, por vezes, muito menos frágil e vulnerável do que estamos habituados a julgar, outras vezes não, o seu poder encantatório é a sua morte. A sensualidade e a droga dão um pano de fundo à primeira parte da acção, a sensualidade e o cinema o pano de fundo da segunda. Aliás é o cinema que é evocado permanentemente em referências directas ao anterior Kill Bill mas também em desconstruções do pacto de ilusão do filme tornando real o que normalmente é um efeito de ilusão, refiro-me, por exemplo, à performance de Zöe Bell, representando-se a si mesma não como dupla de outra actriz, como faz profissionalmente, mas como actriz que é dupla noutro filme que existe dentro deste. Os anos 70 que marcaram a cultural visual do realizador nascido em 61 são visíveis em cada imagem através de pormenores, posters, adereços, máquinas, mas também pela película gasta, cores esbatidas, montagens propositadamente mal feitas.


Este filme funciona bem em dois níveis, o primeiro, linear, como uma história de vingança repleta de adrenalina, belas mulheres, sensualidade, diálogos intensos e algum mistério e muita borracha queimada, num segundo nível, mais profundo, gera-se uma metalinguagem do cinema que reflecte sobre si mesmo que joga não já somente com referentes do real mas sim com elementos internos do percurso do realizador e da cultura do espectador num jogo que é comum ao pós-modernismo e que se se mostra interessante para os apreciadores da sétima arte pode também, por ser demasiado usado por Tarantino, tornar demasiado sobrecarregado o filme. Death Proof está disponível em DVD numa edição Dimension Films.

Classificação - 4 Estrelas Em 5
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Realizado por Ridley Scott
Com Russell Crowe, Joaquin Phoenix, Oliver Reed, Richard Harris

Em 2000, Ridley Scott surpreendeu o mundo da sétima arte com “Gladiator”, um épico histórico de grande qualidade que acabou por conquistar o Óscar de Melhor Filme, o principal prémio cinematográfico da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos da América.
Com uma acção temporalmente localizada na época áurea do Império Romano, “Gladiator” acompanha a saga de Maximus (Russell Crowe), um sábio e intrépido general romano que depois de vencer várias batalhas que contribuíram para a expansão territorial do Império Romano, pretende abandonar a frente de batalha para regressar a casa. Mas com a súbita e trágica morte do Imperador Marcus Aurelius (Richard Harris) que pretendia promove-lo a Imperador, Maximus é perseguido por Commodus (Joaquin Phoenix), o calculista e imprudente filho do falecido soberano. Depois de escapar à morte, Maximus regressa a casa mas rapidamente descobre que durante a sua ausência, as forças romanas assassinaram a sua família. Desolado pela tragédia, acaba por ser capturado e posteriormente vendido como escravo a um velho e ambicioso gladiador que o leva até Roma para participar nos violentos jogos do Coliseu, fornecendo-lhe a oportunidade perfeita para executar uma tenebrosa vingança contra o verdadeiro assassino da sua mulher e do seu filho, o Imperador Commodus.


Dentro do estilo cinematográfico de “Ben-Hur” ou “Spartacus”, “Gladiator” apresenta-nos uma história recheada de elementos dramáticos e épicos que enaltecem um herói improvável, um homem outrora grandioso que perdeu tudo e todos mas que subitamente regressa para desafiar aquele que o traiu. O argumento relata uma autêntica saga de vingança e perseverança que culmina numa trágica e emotiva conclusão que confere ao valoroso herói uma despedida digna e ao ganancioso vilão uma despedida humilhante. Os diálogos apelam ao epicismo e dramatismo da história, sempre poéticos e aguerridos, aclamam constantemente ideais de justiça e vingança que endurecem a narrativa.
Os diversos elementos históricos que compõem e completam a narrativa entrelaçam-se pacificamente com os elementos fictícios que representam uma grande maioria da história, o melhor exemplo desta situação é a ampla e vasta construção de relações pessoais entre personagens fictícias como Maximus e personagens históricas como Commodus ou Marcus Aurelius. Esta ligação entre elementos históricos e elementos fictícios origina uma narrativa historicamente incorrecta mas substancialmente apelativa e como não estamos perante uma biografia histórica, esta situação não prejudica o resultado final desta obra que desde inicio assume-se como uma produção fictícia.
Os imponentes cenários e as magnânimes paisagens do filme surpreendem qualquer espectador. Os efeitos especiais utilizados transmitem ao público a grandiosidade e majestosidade de Roma e do Coliseu, mas também criam uma ilusão de realidade e proximidade com uma época tão distante no tempo mas que foi recriada na perfeição pela equipa técnica do filme.


A direcção de Ridley Scott é absolutamente irrepreensível. A capacidade técnica do cineasta é demonstrada em várias partes do filme, nomeadamente nas sequências de batalha do coliseu onde somos apresentados a magníficos espectáculos de luta, brilhantemente coreografados e captados. A banda sonora da autoria do icónico Hans Zimmer também merece uma pequena menção de apreciação porque transmite profundidade a várias cenas importantes do filme.
O elenco é liderado por Russell Crowe que nos oferece uma performance de qualidade que transmite na perfeição a raiva sentida pela personagem principal. O grande vilão da história é interpretado por Joaquin Phoenix que nos apresenta uma prestação satisfatória e convincente. Destaque também para a última prestação cinematográfica de Oliver Reed (Proximo) que morreu durante a fase final das filmagens desta produção.
Durante duas horas e meia somos transportados até à Roma Antiga por Ridley Scott, através deste competente e emocionante filme que merece todos os galardões cinematográficos conquistados. “Gladiator” é uma grande produção que merece toda a nossa atenção.

Classificação – 5 Estrelas Em 5
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Realizado por John Curran
Com Edward Norton, Naomi Watts, Liev Schreiber

Os nomes de Edward Norton e Somerset Maugham juntos num mesmo filme é só por si uma razão suficiente para o apreciar. Nesta obra de John Curran, que parte da novela homónima de Maugham, encontramos em plenos anos 20 a história de um médico, Walter (Edward Norton) que casa pelas razões erradas com uma mimada menina da alta-sociedade, Kitty (Naomi Watts), com quem se muda para Xangai onde exerce a sua actividade. Entediada, Kitty rapidamente se enamora por outro homem com quem trai o marido. Ao descobrir a traição, Walter coloca à mulher a opção de aceitar um divórcio por adultério ou acompanhá-lo numa viagem a uma remota aldeia chinesa dizimada pela cólera. Receando o vexame público, Kitty acompanha o marido e aí, onde a essência humana vem ao de cima sem dissimulações, a relação entre ambos ganha um novo contorno.



O enredo delineado por Maugham é, como habitualmente nas suas obras, de uma delicada sensibilidade e de uma fortíssima sensualidade. As personagens são extraordinariamente humanas pela sua complexidade e tanto Norton como Naomi Watts conseguem torná-las consistentes. A recriação dos ambientes emoldurada por uma encantadora banda sonora é muito bem conseguida tal como o guarda-roupa da época adaptado ao cenário oriental. O véu pintado é o que separa duas pessoas que estão fisicamente juntas, as distâncias emocionais, a visão do mundo. E, se não há muitos momentos de grande tensão dramática, a narrativa flui consistentemente transportando o espectador não só numa viagem absolutamente exótica mas também numa reflexão interior sobre a sua verdadeira natureza e o grau de assumpção pública da mesma. É uma bem conseguida adaptação à grande tela de uma obra literária que consegue igualá-la em qualidade.


Classificação - 4 Estrelas Em 5
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Realizado por Stephen Sommers
Com Dennis Quaid, Channing Tatum, Sienna Miller, Marlon Wayans

Os famosos soldados de colecção que durante a década de oitenta preencheram inúmeras prateleiras de lojas de brinquedos, estreiam-se finalmente no cinema através de “G.I. Joe: The Rise of Cobra”, uma obra repleta de explosivas sequencias de acção que retiram substancia e qualidade à história do filme. Ao aproximar-se perigosamente do estilo e ideologia comercial de “Transformers”, “G.I. Joe: The Rise of Cobra” mostrou-se incapaz de apresentar novas formas de surpreender e entreter o espectador, tendo apostado numa fórmula segura e repetitiva que enaltece as sequências de acção em detrimento do aprofundamento narrativo.
A história do filme centra-se nas aventuras de uma unidade militar de elite denominada de G.I. Joe. Esta equipa formada pelos mais capacitados agentes do mundo e possuidora da tecnologia mais avançada do planeta, tem a difícil missão de derrubar a Cobra, uma organização criminosa de tráfico de armas que é liderada pelo impiedoso Destro, um perigoso vilão que ameaça tomar o planeta de assalto. Caberá à fantástica equipa de elite cumprir a missão e derrotar os malfeitores.


Os explosivos confrontos e as desenfreadas perseguições entre as duas grandes facções da história preenchem uma grande parte da duração do filme, relegando o desenvolvimento e o aprofundamento narrativo para segundo plano, assim sendo, todas as informações materiais relativas ao passado e presente da história são timidamente explicadas e contextualizadas através de diálogos superficiais e flashbacks desorganizados. Esta débil construção e estruturação do argumento provoca o desinteresse do espectador pela história do filme e praticamente deposita todo o interesse da obra nas extensas sequências de acção.
Os grandes momentos de adrenalina do filme estão repletos de efeitos visuais apelativos e de múltiplas sonoridades ensurdecedoras que captam facilmente a atenção do espectador, no entanto, uma produção de qualidade deveria apresentar mais elementos de interesse, algo que “G.I. Joe: The Rise of Cobra” não faz. As cativantes sequências de acção podem até convencer o espectador mas certamente que não serão capazes de o deslumbrar porque lhes falta alguma maturidade e inteligência, características que apenas são dignas dos mais sérios e grandiosos filmes de acção. A mediocridade também atingiu um elenco composto por actores que apresentam performances esquecíveis e insatisfatórias. Channing Tatum e Dennis Quaid desiludem como principais figuras da facção militar e Sienna Miller e Rachel Nichols encantam, mas somente através dos seus atributos físicos fortemente reforçados pela reveladora indumentária. Christopher Eccleston não desilude como vilão principal. O sucesso comercial de “G.I. Joe: The Rise of Cobra” está praticamente garantido pelo sucesso do franchise e pelos atractivos efeitos visuais que pautam o filme, no entanto, a sua fraca qualidade generalizada não justifica esse sucesso.

Classificação – 2 Estrelas Em 5
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General Clayton Abernathy / Hawk (Dennis Quaid) – Membro G.I.Joe – O destemido líder da equipa de elite mais perigosa do exercito norte-americano. Um homem abastado e intelectual que desempenha o papel de líder sem grandes problemas de confiança ou autoridade.



Conrad Hauser / Duke (Channing Tatum) – Membro G.I.Joe – O principal soldado de campo da equipa e o segundo na hierarquia de comando. Um talentoso militar que é assombrado pelo seu conturbado passado.


Shana M. O'Hara / Scarlett (Rachel Nichols) – Membro G.I.Joe – O membro mais inteligente da equipa e é por isso que é a oficial responsável pelos departamentos mais intelectuais. A sua extrema beleza afecta alguns dos seus companheiros que não conseguem interagir convenientemente com ela.


Snake Eyes (Ray Park) – Membro G.I.Joe – Um ninja especialista em artes marciais que representa uma valorosa ajuda militar para a equipa. É dotado de uma personalidade calma e misteriosa, algo que é exacerbado pelo seu voto de silêncio.


James McCullen / Destro (Christopher Eccleston) – Membro Cobra – A mente criativa por detrás do Military Armament Research Syndicate (MARS) que depois de perceber as suas potencialidades intelectuais decide lutar contra o sistema governativo que outrora defendeu. É um perito em armas altamente destrutivas e sistemas de defesa altamente avanços.


Ana Lewis / Anastacia DeCobray / The Baroness (Sienna Miller) – Membro Cobra – Depois de ter sido publicamente humilhada pelo seu antigo noivo, Duke, Ana abandona a sociedade e dedica-se ao mundo do crime, tendo-se juntado à Cobra, onde desempenha as funções de espiã.


Thomas Arashikage / Storm Shadow (Lee Byung-Hun) – Membro Cobra – Um talentoso ninja que se assume como o principal rival de Snake Eyes. Outrora amigos próximos e acérrimos membros do clã Arashikage, Snake Eyes e Storm Shadow, lutam agora em equipas opostas com o objectivo de se tornarem nos melhores ninjas de sempre.


Rex Lewis / The Doctor / Cobra Commander (Joseph Gordon-Levitt) – Membro Cobra – Um antigo soldado profissional das forças especiais norte-americanas que desapareceu durante uma missão, tendo sido considerado morto pelos seus oficiais superior. A verdade é que sobreviveu à missão e abandonou o exército de livre vontade, tornando-se no principal cientista da Cobra. É irmão da Baroness.
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Realizado por Pete Docter
Com Edward Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Delroy Lindo

Um ano depois da estreia mundial do aclamado e consagrado “Wall-E”, a Pixar/Disney volta a quebrar as barreiras da animação para nos apresentar “Up”, uma obra de qualidade exemplar que aposta numa história divertidíssima e dedicada a todas as idades. Ao contrário da grande maioria das produções animadas que estrearam este ano, “Up” assume-se como uma obra artística e não como um produto comercial criado para encher os cofres dos estúdios responsáveis pela produção. A Pixar/Disney, ao contrário dos seus grandes rivais comerciais, raramente aposta em sequelas das suas obras animadas, excepção feita a Toy Story, preferindo apostar em produtos originais e inovadores que sejam capazes de atrair espectadores de todas as idades, algo que torna este estúdio num exemplo para todos os outros.
O filme relata a épica e divertida aventura de Carl Fredricksen (Edward Asner), um antigo vendedor de balões que subitamente ficou viúvo e sozinho neste mundo. Em memória de Ellie, a sua falecida mulher, Fredricksen prende a sua casa a milhares de balões que transformam a sua velha residência num dirigível improvisado que o transporta até às grandes e misteriosas florestas da América do Sul, cumprindo assim um sonho de infância que partilhou durante anos com a sua esposa. A meio da mágica viagem, Fredricksen descobre que Russell (Jordan Nagai), um explorador da natureza extremamente optimista e irritante, infiltrou-se acidentalmente na sua casa mas sem hipóteses de voltar atrás e devolver o rapaz à cidade, Fredricksen resigna-se e aceita partilhar a aventura com Russell. Juntos viverão divertidas aventuras nas florestas desconhecidas e encontrarão inúmeras personagens caricatas como cães falantes ou monstros excêntricos.


A imensa qualidade gráfica da animação volta a representar um valioso trunfo qualitativo para a Pixar/Disney que mais uma vez surpreende o espectador com cenários coloridos e com personagens cativantes. Entre as belas e realistas paisagens verdejantes de Paradise Falls e os detalhes físicos e expressivos das múltiplas personagens que preenchem alegremente a história, “Up” surpreende qualquer pessoa de qualquer idade porque tamanha qualidade visual é rara. Oferecido em 2D e 3D, caberá ao espectador escolher a experiencia de visionamento, mas verdade seja dita que a tecnologia 3D acrescenta ainda mais profundidade e realismo ao filme.
A narrativa não foge ao passado de qualidade da Pixar/Disney e também ela surpreende o espectador através de uma história que mistura elementos dramáticos com humorísticos. Inicialmente somos confrontados com alguns momentos verdadeiramente emocionantes e dramáticos que apelam aos sentimentos mais profundos do espectador. Depois da tragédia entramos no domínio da aventura que se estende até aos momentos finais da história, onde somos novamente brindados com alguns elementos dramáticos característicos dos típicos finais felizes. Durante o desenvolvimento da história somos presenteados com vários momentos de humor, maioritariamente protagonizados por Fredricksen e Russell, uma dupla explosiva dotada de personalidades opostas que acabam por originar uma química impressionantemente divertida. As personagens secundárias como Doug ou Kevin, apoiam o desenvolvimento da história e também contribuem com alguns momentos de qualidade, nomeadamente as interacções de Doug com Russell e Fredricksen. O grande vilão desta aventura apresenta uma postura maléfica que deriva dos sentimentos humanos mais negativos como a vingança ou a ganância, algo que contrasta com o espírito idílico e puro de Russell ou com a personalidade dedicada de Fredricksen que vai conquistando a simpatia do público à medida que a história avança.



Sem grandes estrelas do mundo da representação, o elenco vocal é mediaticamente fraco mas qualitativamente interessante. A Pixar/Disney destaca-se novamente da concorrência ao não colocar grandes celebridades no elenco vocal, preferindo apostar em actores seguros e profissionais com vozes que completam as personagens da história. Os experientes Edward Asner e Christopher Plummer, actores conceituados mas afastados das mais recentes produções magnânimes de Hollywood, emprestam a sua voz às personagens de maior idade, Carl Fredricksen (Herói) e Charles Muntz (Vilão). A escolha destes actores foi absolutamente perfeita porque ambos incutem carisma e vivacidade às respectivas personagens. A voz do intrépido Russell é da autoria do estreante Jordan Nagai, uma criança simples e dedicada que cumpriu um sonho ao entrar numa longa-metragem desta magnitude. O compositor Michael Giacchino brinda-nos com uma banda sonora apelativa e fortemente instrumental. A sonoridade de maior destaque é obviamente aquela que acompanha uma grande maioria das cenas, uma música leve que transmite alegria ou tristeza consoante a variação do ritmo e do acompanhamento cénico.


A mais recente produção da Pixar/Disney não desiludiu a crítica especializada e o público ávido pelos trabalhos deste glorioso estúdio cinematográfico. “Up” irá muito provavelmente conquistar o Óscar de Melhor Filme de Animação porque o último filme do género capaz de rivalizar com a sua qualidade e inovação, estreou no Verão de 2008 e já foi consagrado com esse prémio na cerimónia deste ano.

Classificação – 5 Estrelas Em 5
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