Realizado por John Madden
Com Diane Lane, Mickey Rourke, Thomas Jane

A recente onda de popularidade em redor de Mickey Rourke, pode levar muitos espectadores a visionarem esta obra de John Madden mas fica desde já o aviso que este filme ficou completo antes de Mickey Rourke ter aceitado o papel de Randy The Ram em “The Wrestler”, logo ainda somos presenteados com um Mickey Rourke em recuperação que apresenta apenas alguns vislumbres do seu verdadeiro talento, amplamente presente em “The Wrestler”. “Killshot” deveria ter estreado nos EUA em 2006 mas os sucessivos problemas na distribuição impediram o seu lançamento e quase o condenaram ao mercado de DVD mas a súbita popularidade de Mickey Rourke levou-o finalmente às salas de cinema norte-americanas. Baseado no homónimo livro de Elmore Leonard, “Killshot” conta-nos a história de Carmen (Diane Lane) e Wayne (Thomas Jane), um jovem casal que é colocado ao abrigo do programa federal norte-americano de protecção de testemunhas mas quando este casal pensa estar finalmente a salvo começa a ser perseguido pelo experiente assassino Armand "The Blackbird" Degas (Mickey Rourke) e o seu jovem aprendiz.
Tendo em conta esta enigmática premissa, esperava ter encontrado um filme mais envolvente e intrigante que apostasse fundamentalmente em jogos psicológicos e fugas estratégicas, no entanto, deparei-me com um argumento bastante simples e previsível que recorre constantemente a situações pouco originais e emocionais. As sensações de tensão e espectacularidade ficaram claramente arredadas deste filme que pouco ou nada acrescenta ao género. O grande culpado desta excessiva simplicidade que subsequentemente derrapa numa mediocridade geral é John Madden que demonstrou uma clara falta de ambição e aptidão para dirigir esta obra que merecia um tratamento mais criativo.
A bela e talentosa Diane Lane é a única actriz do elenco que consegue assumir uma prestação positiva e credível. Apesar de nos últimos tempos não ter estado ao seu melhor nível, Diane Lane demonstra em “Killshot” a sua verdadeira garra. Por alturas da rodagem deste filme, Mickey Rourke ainda andava à procura da sua melhor forma que posteriormente viria a alcançar em “The Wrestler”. Esta sua prestação em “Killshot” é bastante medíocre mas já demonstrava uma substancial melhoria em relação à sua última performance no ridículo “Stormbreaker”. Na minha opinião, “Killshot” não é uma grande desilusão porque nunca lhe depositei grandes esperanças ou expectativas, no entanto, a presença de um elenco famoso e deum argumento baseado num livro de Elmore Leonard fazia antever um produto mais equilibrado e aceitável.

Classificação - 2 Estrelas Em 5
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2 de Abril

  • Che – Guerrilha (Guerrilla)
  • Monstros Vs Aliens (Monsters Vs Aliens)
  • Ele Não Está Assim Tão Interessado (He's Just Not That Into You)
  • Street Fighter: A Lenda de Chun-Li (Street Fighter: The Legend of Chun-Li)
  • Autocarro 174 (Última Parada 174)
  • O Lago Perfeito (Eden Lake)
  • A Mulher Sem Cabeça (La Mujer Sin Cabeza)

9 de Abril

  • Homens do Soul (Soul Men)
  • Coração de Tinta (Inkheart)
  • Louca por Compras (Confessions of a Shopaholic)
  • Os Estranhos (The Strangers)
  • Histórias de Cabaret (Go Go Tales)
  • Appaloosa

16 de Abril

  • Velozes e Furiosos (Fast & Furious)
  • Loira Ambiciosa (Blonde Ambition)
  • Max e Companhia (Max & Co)
  • Linha de Passe
  • This Is England
  • Almoço de 15 de Agosto

23 de Abril

  • The International - A Organização (The Internacional)
  • Knowing
  • As Ruínas (The Ruins)
  • La Caja (Quatro Mulheres e um Morto)
  • Fireflies in the Garden
  • Um Amor de Perdição

30 de Abril

  • X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine)
  • O Elo do Amor (Closing the Ring)
  • Casamentos e Infidelidades (Married Life)
  • De Malas Aviadas (New in Town )
  • Singularidades De Uma Rapariga Loira
  • Salazar - A Vida Privada
  • Bottle Shock
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Realizado por Howard Deutch
Com Kate Hudson, Dane Cook, Jason Biggs, Alec Baldwin

Apesar de estar rotulada como uma comédia romântica, “My Best Friend's Girl” não nos apresenta nenhum momento de grande romance ou comédia. Esta obra dirigida por Howard Deutch repete os mesmos clichés e erros que constantemente arrasam o género, com a agravante de não incluir nenhum momento que verdadeiramente exteriorize a sua suposta natureza. Esta história pouco cómica e romântica começa quando Dustin (Jason Biggs) recorre ao seu melhor amigo Tank (Dane Cook) para o ajudar a reconquistar Alexis (Kate Hudson), a rapariga dos seus sonhos que pôs fim à relação após cinco semanas de namoro. Tank é especialista em reatar relações e passa a vida a ser solicitado por amigos abandonados pelas respectivas namoradas. O plano é simples, Tank convida-as para sair, oferece-lhes o pior encontro romântico da vida delas, transforma-lhes essa noite num inferno e elas acabam a correr de volta para os braços dos ex-namorados. Mas com Alexis o seu método parece não resultar e Tank vê-se dividido entre a lealdade para com o seu melhor amigo e a atracção que sente pela rapariga.
Como se pode facilmente depreender, o argumento apresenta-nos uma história depreciativa do amor e da integridade humana, no entanto, esta não é a primeira comédia romântica que aposta numa história que não deve nada ao amor mas ao contrário dessas obras, “My Best Friend's Girl” também não deve nada à comédia, algo que torna o seu visionamento bastante penoso e aborrecido. Entre sucessivos diálogos mesquinhos e infantis, vamos entrando num universo superficial que roça o irritante, algo muito pouco aconselhável para um filme que supostamente nos deveria entreter. Kate Hudson volta a protagonizar, sem surpresa, uma comédia romântica. É obvio que este é o seu género favorito e na minha opinião, é aquele que melhor lhe assenta mas também é verdade que raramente a vemos em filmes doutro tipo. Neste “My Best Friend's Girl” volta a exibir as mesmas capacidades que já demonstrou em obras anteriores, sem nenhuma evolução ou enriquecimento patente. Após o sucesso de “American Pie”, Jason Biggs caiu numa rotina de papéis pouco interessantes e apelativos que o afastaram das grandes comédias, acredito que depois do seu grande sucesso ter-se esfumado no tempo, muitos produtores e realizadores aperceberam-se da inexistência de talento em Jason Biggs que em “My Best Friend's Girl”, voltou a demonstrar as suas débeis capacidades nesta área. Após uma irritante prestação em “Dan in Real Life”, Dane Cook voltou a desempenhar um papel supérfluo que condiz na perfeição com a sua carreira. O único elemento do elenco que convence é Alec Baldwin que aparece apenas em sensivelmente cinco minutos do filme, mas que mesmo assim consegue ser o melhor actor do filme. De comédia romântica em comédia romântica, Hollywood vai saturando o mercado com obras demasiado fracas que não fazem justiça ao seu género. Infelizmente, “My Best Friend's Girl” junta-se a uma série de filmes que demonstram na perfeição a falta de originalidade que tem pautado os criativos deste género, um fenómeno preocupante que teima em não desaparecer.

Classificação 0,5 estrela em 5
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Realizado por Mike Barker
Com Pierce Brosnan, Maria Bello, Gerard Butler

Dois anos depois da sua estreia nos EUA, “Butterfly on a Wheel” estreia finalmente em Portugal. Apesar de apostar numa história de base bastante comum, esta obra britânica conseguiu incutir-lhe um desenvolvimento próprio que a afasta dos vários filmes que apostaram numa narrativa semelhante mas que não conseguiram rentabiliza-la.
No centro desta história encontramos Neil (Gerard Butler) e Abby (Maria Bello), um casal que leva uma vida praticamente perfeita. Ambos formam um belo casal, têm uma filha adorável e uma casa magnífica mas tudo desaba quando a criança é raptada. O raptor, Tom Ryan (Pierce Brosnan), não quer dinheiro mas quer confrontá-los com o pior dos dilemas.
O guionista William Morrissey conseguiu pegar numa história recorrente em Hollywood e transforma-la numa narrativa bastante inteligente que através duma construção cuidadosa, consegue prender facilmente o espectador no seu desenvolvimento que culmina numa surpreendente reviravolta final. A conclusão é claramente a melhor parte da história porque nos aparece envolta num grande suspense e imprevisibilidade que alimentam ainda mais o ímpeto da revelação final.
O elenco é maioritariamente composto por actores experientes e famosos como Gerard Butler, Maria Bello e Pierce Brosnan. Este último acaba por ter a prestação mais aguerrida do grupo, mostrando ao mundo o talento e carisma que o celebrizaram nos filmes James Bond. Em suma, “Butterfly on a Wheel” é um thriller bastante inteligente que a partir duma história saturada conseguiu criar uma narrativa apelativa e imprevisível.

Classificação - 3,5 Estrelas Em 5
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Realizado por Joon-ho Bong, Leos Carax e Michel Gondry
IMDB - http://www.imdb.com/title/tt0976060/

Um filme francês muito pouco conhecido que nos apresenta três mini-historias de aproximadamente 40 minutos que têm apenas um denominador comum, Tóquio, uma das mais excitantes cidades do mundo.

Interior Design, de Michel Gondry
Um homem instala-se em Tóquio com a sua mulher para ser realizador de cinema mas algo de estranho acontece à sua mulher.

Merde, de Leos Carax
A historia de um homem chamado Merda, uma criatura que vive nos esgotos da cidade e semeia o pânico e a morte entre a população.

Shaking Tokyo, de Bong Joon-ho
Um homem vive fechado à 10 anos no seu apartamento sem ter qualquer contacto com o exterior (esta doença em japonês chama-se Hikikomori) até que durante um tremor de terra, entra na sua casa uma ‘Pizza Delivery’ e os dois apaixonam-se.

“Tokyo!” foi um dos filmes mais interessantes que vi no ano passado. Apresenta-nos três curtas-metragens completamente surrealistas e raras que têm potencial para agradar a vários espectadores. A história do Leos Carax é a melhor, nunca mais me esquecerei da criatura ‘Merda’ mas as outras histórias também são bastante boas, embora mais intimistas. A outra ideia que fica é que a personagem ‘Merde’ poderia dar uma excelente longa-metragem com um pouco mais de desenvolvimento. Em suma, uma proposta diferente e apelativa.

Classificação - 4 Estrelas Em 5
Escrito e Enviado por José Couto
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Após uma estreia bem sucedida na Ásia, a 20th Century Fox começa a preparar a estreia de “Dragonball Evolution” na América e na Europa. O estúdio lançou recentemente cinco vídeos promocionais que apresentam as cinco personagens principais do filme. Esta estratégia de marketing tem como alvo todos os potenciais espectadores que não tiveram a oportunidade de acompanhar o Anime mas que poderão interessar-se por esta obra dirigida por James Wong. “Dragonball Evolution” estreia nos EUA a 10 de Abril e em Portugal a 16 de Julho.

Goku



Lord Piccolo


Roshi


Bulma


Chi Chi

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Realizado por Tony Gilroy
Com Julia Roberts, Clive Owen, Tom Wilkinson

Após ter surpreendido o mundo cinematográfico com “Michael Clayton”, o seu primeiro filme como realizador, o experiente guionista Tony Gilroy volta a carga com “Duplicity”, uma espécie de thriller cómico que conseguiu juntar no grande ecrã, várias estrelas da representação mundial. A história do filme centra-se na agente da CIA Claire Stenwick (Julia Roberts) e no agente da MI6 Ray Koval (Clive Owen) que trocaram o universo da espionagem governamental pela bem mais lucrativa Guerra-Fria entre duas corporações multinacionais rivais. A sua missão? Obter a fórmula de um produto que trará a fortuna à empresa que primeiro a patentear. Para os seus chefes, Howard Tully (Tom Wilkinson) e o CEO Dick Garsik (Paul Giamatti), não há qualquer tipo de limites. Quando as apostas sobem, ninguém sabe quem está a enganar quem e o segredo mais traiçoeiro entre Claire e Ray transforma-se numa atracção crescente. À medida que procuram passar a perna um ao outro, os dois solitários vêem os seus esquemas em perigo devido à única coisa para a qual não conseguem arranjar um esquema para se safar, o amor.
Tal como em “Michael Clayton”, Tony Gilroy conjugou a função de guionista com a de realizador, obtendo assim um controlo criativo total sobre o seu projecto. No campo narrativo, Gilroy manteve a qualidade e criatividade de trabalhos anteriores. O argumento de “Duplicity” oferece-nos um olhar simples e divertido sobre o mundo da espionagem corporacional, um ramo profissional em clara expansão graças aos efeitos da crise económica mundial. Apesar de apostar em alguns momentos de humor e boa disposição, “Duplicity” é essencialmente uma história de intrigas e suspense que aparece-nos recheada de emocionantes reviravoltas que mudam constantemente o rumo da história. Tony Gilroy conseguiu montar uma estrutura narrativa que nunca consegue ser previsível ou aborrecida porque nunca sabemos quando irá aparecer alguma coisa que mude radicalmente o desenvolvimento deste atractivo enigma empresarial. Tony Gilroy também conseguiu captar na perfeição, a essência capitalista e pouco escrupulosa das grandes empresas mundiais que andam sempre à procura de novos rendimentos e que não têm qualquer preconceito em recorrer a métodos ilegais para os obter. Essa essência foi perfeitamente transposta nas personagens interpretadas por Tom Wilkinson e Paul Giamatti que representam com alguma ironia, os grandes directores das grandes corporações internacionais. Esta obra também apresenta um lado relativamente romântico através da dupla Julia Roberts/Clive Owen que entre astutos planos maquiavélicos e acções moralmente desvaliosas, arranjam algum tempo para brindarem o espectador com alguns momentos de frustração romântica que derivam do seu primeiro encontro sexualmente romântico no inicio da história. Na minha opinião, a conclusão do filme é a única parte do argumento que não foi devidamente explorada e concretizada, acho que esta obra merecia um final menos feliz e mais dramático.
A realização de Tony Gilroy não desilude. Através duma mistura visual entre um estilo clássico e moderno, conseguiu incutir uma dimensão bastante original ao filme. O encadeamento temporal e espacial das diferentes sequências da história está muito bem montado e só uma clamorosa desatenção do espectador pode causar alguma confusão. Os acontecimentos são relatados através dum ritmo adequado e os diversos diálogos entre as personagens, são captados através de diversos ângulos que atribuem uma maior intensidade e significado a estes momentos. A grande estrela do elenco de “Duplicity” é Julia Roberts, uma das melhores actrizes de Hollywood que raramente nos apresenta uma má performance e que com este filme voltou a não desiludir. Julia Roberts exibe todo o seu talento e carisma na pele de Claire Stenwick, uma personagem algo difícil que esta talentosa actriz conseguiu domar na perfeição. Clive Owen, o outro protagonista da história, não conseguiu arrancar uma prestação tão boa como Julia Roberts. A sua personagem pedia um actor com mais carisma e sensualidade que demonstrasse uma forte química com Julia Roberts, na minha opinião, o papel de Ray Koval merecia um actor como George Clooney. O elenco secundário é liderado por Tom Wilkinson e Paul Giamatti, dois senhores da representação que exibem aqui uma vez mais o seu enorme profissionalismo e qualidade.
Através de um divertido mas interessante argumento que é brilhantemente dirigido por um talentoso cineasta e profissionalmente interpretado por um elenco de luxo, “Duplicity” assume-se como um agradável filme que certamente fará as delícias de todos os espectadores que procurem um filme diferente do habitual. Esta obra de Tony Gilroy conseguiu misturar na perfeição uma intrigante história com alguns momentos de romance e humor que conferem uma divertida simplicidade ao filme.


Classificação - 3,5 Estrelas Em 5
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Em “Kill Bill: Volume 1”, Quentin Tarantino apresenta-nos uma magnífica cena que nos conta a história de O-Ren Ishii, uma das vilãs da história, através do inconfundível estilo animado japonês. Na minha opinião, esta é uma das melhores cenas do filme porque para além de ser brilhantemente narrada por Uma Thurman , contextualiza na perfeição a herança cultural de O-Ren.

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Realizado por Patrick Tatopoulos
Com Michael Sheen, Bill Nighy, Rhona Mitra

Após duas obras de sucesso comercial moderado, a saga “Underworld” regressa aos cinemas com um terceiro filme que relata os acontecimentos que deram origem à história das duas primeiras obras (Underworld e Evolution). Na minha opinião, esta terceira produção era perfeitamente dispensável porque grande parte da sua história já foi abordada nos dois filmes anteriores com algum relevo e atenção, no entanto, esta prequela consegue preencher satisfatoriamente as principais lacunas narrativas deixadas pelos filmes anteriores e consegue também aguçar a curiosidade dos espectadores em relação às mesmas. A história do filme traça as origens da batalha secular entre Vampiros e Lobisomens que culminou com o final de “Underworld: Evolution”. Na Idade das Trevas, um jovem chamado Lucian surge como o líder que incita os Lobisomens à revolta contra Viktor, um dos três líderes vampíricos que conseguiu subjugar os Lobisomens (Lycans) às suas ordens. Com a ajuda de Sonja, a filha de Viktor e a sua amante secreta, Lucian fará de tudo para obter a tão desejada liberdade.
Tal como as duas histórias anteriores, o argumento de “Underworld: Rise of the Lycans” centra-se no amor e na guerra. O par romântico desta produção é composto por Sonja e Lucian que tal como Selene e Michael Corvin (Underworld e Evolution) vivem um amor proibido que afecta o orgulho das suas respectivas raças. Apesar de desempenhar um papel fundamental na história, este romance não é propriamente atractivo porque limita-se a repetir as bases do primeiro romance da saga entre Selene e Michael Corvin. Esta história romântica está intrinsecamente inserida na história principal do filme que aborda com algum pormenor os primórdios da guerra entre Lobisomens e Vampiros. Neste campo, “Underworld: Rise of the Lycans” explicita as origens de Lucian, o responsável pela rebelião dos Lobisomens (Lycan). O filme também aborda a natureza cruel e dominante dos Vampiros que têm no seu líder Viktor, o expoente máximo de maldade e calculismo. Tanto Lucian como Viktor aparecem nos dois primeiros filmes da saga e portanto os seguidores da trilogia poderão observar com alguma clareza as evoluções no seu carácter e pensamento. É obvio que “Underworld: Rise of the Lycans” não relata uma história profunda e intelectual que se preocupa em manter ligações com a realidade, no entanto, como história ficcional que deriva de contos e lendas ficcionais até consegue criar um enredo bastante interessante que completa na perfeição a história contada pelos dois primeiros filmes de “Underworld”.
O nível visual desta prequela é substancialmente inferior ao das sequelas. Os efeitos especiais são bastante simples e básicos, o que dificulta a criação duma sensação de realidade e espectacularidade no ecrã. As sequências que contêm batalhas e lutas também estão mais confusas e apresentam uma relativa inferioridade técnica em relação às presentes em “Underworld” e “Underworld: Evolution”. Esta inferioridade visual pode ser maioritariamente explicada pelos sucessivos cortes orçamentais que esta produção sofreu. Tendo em conta as limitações financeiras, Patrick Tatopoulos conseguiu criar um prequela adequada às duas obras realizadas por Len Wiseman que preferiu restringir-se ao papel de produtor em “Underworld: Rise of the Lycans”. A nível técnico tenho que destacar a fotografia bastante gótica que acompanha fielmente o espírito mitológico da saga.
À semelhança do que aconteceu em “Underworld” e “Underworld: Evolution”, o elenco acaba por apresentar uma performance geral bastante satisfatória. O principal destaque vai para Rhona Mitra (Sonja) que conseguiu substituir Kate Beckinsale (Selene) como protagonista feminina da história. Tal como Beckinsale fez com Selene, Mitra confere com Sonja bastante sensualidade e ferocidade à história do filme. Os repetentes Michael Sheen (Lucian) e Bill Nighy (Viktor) não desiludem e assumem com o mesmo carisma as personagens que encarnaram no passado. Apesar de ser teoricamente dispensável, “Underworld: Rise of the Lycans” assume-se como uma razoável prequela de “Underworld” porque contextualiza todas as informações dadas pelos dois primeiros filmes sobre as origens da história.

Classificação - 2,5 Estrelas Em 5
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Realizado por Ori Sinai
Selecção do Festival de Cannes 2008

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As actrizes inglesas sempre marcaram presença nos patamares mais elevados de Hollywood. Ao longo dos anos, nomes como Kate Winslet, Judi Dench, Helen Mirren, Helena Bonham Carter, Emma Thompson e Elizabeth Taylor conquistaram o fantástico e complicado mundo da 7ª arte. A nova geração de actrizes inglesas não tem desiludido e tem confirmado vigorosamente a inerente qualidade da magnífica “escola” de representação britânica. Apresentamos agora as cinco actrizes dessa nova geração que mais têm dado nas vistas no panorama cinematográfico internacional.

Keira Knightley
Idade
– 23 Anos
Principais Papeis – Pride & Prejudice (2005), Atonement (2007), Saga Pirates of the Caribbean
Futuros Papeis - My Fair Lady (2010)
Principais Méritos Conquistados – Nomeação para o Óscar de Melhor Actriz Principal

Rebecca Hall
Idade
– 26 Anos
Principais Papeis – The Prestige (2006), Vicky Cristina Barcelona (2008)
Futuros Papeis - Dorian Gray (2009)
Principais Méritos Conquistados – Nomeação para o BAFTA Rising Star Award

Emily Blunt
Idade – 26 Anos
Principais Papeis – My Summer of Love (2004), The Devil Wears Prada (2006)
Futuros Papeis - Gulliver's Travels (2010)
Principais Méritos Conquistados – Globo de Ouro de Melhor Actriz Secundária (TV)

Gemma Arterton
Idade – 23 Anos
Principais Papeis – Quantum of Solace (2008), St. Trinian's (2007), RocknRolla (2008)
Futuros Papeis – Prince of Persia: The Sands of Time (2010)
Principais Méritos Conquistados – Nomeação ao Prémio de Melhor Revelação da Empire (UK)

Emma Watson
Idade – 18 Anos
Principais Papeis – Saga Harry Potter
Futuros Papeis - Harry Potter and the Half-Blood Prince (2009)
Principais Méritos Conquistados – Nomeação ao Prémio de Melhor Actriz da Empire (UK)

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Um dos sketches de Lauro Dérmio no mítico programa de Herman José.

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Realizado por Spike Jonze
Com Forest Whitaker, Paul Dano, Catherine Keener, Catherine O`Hara
Género - Fantasia / Aventura
Sinopse: Max, um rapaz traquina, fica de castigo no seu quarto sem jantar. Usando a imaginação, ele cria uma floresta habitada por animais selvagens e monstros exóticos, onde ele é o rei.

Versão Windows - AQUI
Versão Quick Time - AQUI
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Há sempre algo de errado...

Tim é uma série de animação diferente. Com um humor que podemos associar à excelente série Seinfeld, esta série é uma lufada de ar fresco com momentos a não perder. A série apresenta-nos Tim, um nova-iorquino de vinte e tal anos que deseja ser metade do que pensa que a sua namorada, Amy, merece. Porém, Tim envolve-se sempre com as pessoas erradas acabando quase sempre em sérios problemas. Uma excelente série com a qualidade HBO.
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Underworld: A Revolta (Underworld: Rise of the Lycans)
Realizado por Patrick Tatopoulos
Com Michael Sheen, Bill Nighy, Rhona Mitra
Género - Fantástico / Acção
Duração – 92 Min.
País de Origem – EUA
Sinopse – O filme traça as origens da batalha secular entre vampiros aristocratas e os seus escravos lobisomens. Na Idade das Trevas, um jovem chamado Lucian surge como o líder que incita os lobisomens à revolta contra Viktor, o cruel rei-vampiro que os subjugou. Com a ajuda da sua amante secreta, Sonja (a própria filha de Viktor), Lucian fará tudo para obter a tão desejada liberdade.

Dupla Sedução (Duplicity)
Realizado por Tony Gilroy
Com Julia Roberts, Clive Owen, Tom Wilkinson
Género – Thriller
Duração – 96 Min.
País de Origem – EUA
Sinopse – A agente da CIA Claire Stenwick e o agente da MI6 Ray Koval abandonam o universo da espionagem governamental pela bem mais lucrativa guerra-fria entre duas corporações multinacionais rivais. A sua missão? Obter a fórmula de um produto que trará a fortuna à empresa que primeiro a patentear. Para os seus chefes – o gigante da indústria Howard Tully e o CEO Dick Garsik (Paul Giamatti) - não há qualquer tipo de limites. Quando as apostas sobem, ninguém sabe quem está a enganar quem e o segredo mais traiçoeiro entre Claire e Ray transforma-se numa atracção crescente. À medida que procuram passar a perna um ao outro, os dois solitários vêem os seus esquemas em perigo devido à única coisa para a qual não conseguem arranjar um esquema para se safar: o amor.

A Namorada do Meu Melhor Amigo (My Best Friend's Girl)
Realizado por Howard Deutch
Com Dane Cook, Kate Hudson, Jason Biggs, Alec Baldwin
Género – Comédia
Duração – 100 Min.
País de Origem – EUA
Sinopse – Inteligente, bonita e determinada, Alexis é a rapariga dos sonhos de Dustin. Mas após cinco semanas de namoro apenas, Alexis termina a relação com Dustin. Devastado, Dustin recorre ao seu melhor amigo, Tank, especialista em reatar relações. Mestre da sedução (e da ofensa gratuita), Tank é contratado por rapazes que acabaram de ser deixados pelas suas namoradas e oferece-lhes o pior encontro romântico da vida delas – uma experiência tão má que as faz voltar a correr para os braços dos ex-namorados. Mas a magia de Tank parece não funcionar com Alexis, que responde à letra às suas provocações. Tank está perante o maior desafio da sua vida, e rapidamente se vê dividido entre a lealdade ao melhor amigo e uma forte atracção pela ex-namorada dele.

Choke – Asfixia (Choke)
Realizado por Clark Gregg
Com Sam Rockwell, Anjelica Huston, Kelly MacDonald
Género – Comédia
Duração – 96 Min.
País de Origem – EUA
Sinopse – Victor Mancini um desistente do curso de Medicina, planeou o golpe perfeito para pagar os cuidados médicos à sua mãe que está internada num hospital privado – fingir engasgar-se num restaurante pois os desconhecidos que o salvam sentem-se responsáveis pela sua vida - desenvolvendo o esquema do Asfixiado por diversas vezes e sugando a bondade dos desconhecidos num saudável fluxo monetário. Entre actos de Asfixia, Victor trabalha como "intérprete histórico", frequenta grupos de viciados em sexo e visita a sua mãe doente num hospital psiquiátrico. Quando Victor descobre que a doença de Alzheimer da sua mãe esconde uma verdade chocante sobre a sua paternidade, a sua cuidada e estruturada vida de "sexo sem amor" desaba e ele começa a apaixonar-se pela enigmática médica da mãe.

Killshot - Alvo a Abater (Killshot)
Realizado por John Madden
Com Diane Lane, Mickey Rourke, Thomas Jane
Género – Thriller
Duração – 84 Min.
País de Origem – EUA
Sinopse – A adaptação de Hossein Amini do romance policial best-seller de Elmore Leonard, sobre a bela Carmen Colson e o seu marido Wayne, um casal que se vê envolvido num golpe com um “artista” de meia-tigela e o seu excêntrico sócio e assassino, conhecido como Blackbird.

Atormentados (Butterfly on a Wheel)
Realizado por Mike Barker
Com Pierce Brosnan, Maria Bello, Gerard Butler
Género – Crime
Duração – 98 Min.
País de Origem – Reino Unido
Sinopse – Neil e Abby são um casal feliz que vive nos subúrbios de Chicago: Neil é um ambicioso executivo publicitário, Abby uma dona de casa que está a educar a filha de ambos, Sophie que tem cinco anos. É o fim-de-semana do aniversário de Abby - mas Neil não pode estar presente porque o seu chefe o convidou para ir com ele para uma casa de campo remota. Ansioso para agarrar a oportunidade de ser sócio da empresa, ele concorda relutantemente em ir - com a condição de que Abby tenha um ‘dia fora’ com a sua melhor amiga.A ama chega e Neil parte no seu Range Rover, com Abby ao lado, para a deixar na casa da amiga que fica em caminho. Relaxados na companhia um do outro, reflectem sobre quão longe chegaram, os seus planos para o futuro e como tudo na sua vida parece ter corrido bem - e há mais alguém que também concorda. Ryan, o homem que subitamente deslizou do banco de trás do carro com uma arma nas mãos. O homem, juntamente com o seu cúmplice, acabou de raptar a filha deles – a sua voz assustada a ecoar do telemóvel que ele segura junto à orelha de Abby.
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A Banda-Sonora é um aspecto fundamental de qualquer filme. Normalmente, é a última fase da pós-produção de um filme e é aquela que verdadeiramente "modifica" a película e lhe confere um toque mágico. O mesmo filme com e sem a banda-sonora integrada é um filme totalmente diferente. O mesmo filme com diferentes bandas-sonoras desencadeia em nós emoções totalmente diferentes. Pois é mesmo isso que a banda-sonora é: um veículo transportador de emoções.
É a banda-sonora que nos diz como experienciar uma determinada cena; é ela quem orienta as nossas emoções. Através da banda-sonora, lembramo-nos dos momentos mágicos do cinema e identificamos as emoções que sentimos nos filmes da nossa vida. Assim sendo, é óbvia a importância desta componente para o sucesso de qualquer filme. A obra mais grandiosa pode falhar redondamente caso a sua banda-sonora não esteja à altura de a acompanhar. Mas nada de confusões! A "verdadeira" banda-sonora é a componente orquestral que acompanha todo o filme; não a canção que ouvimos no fim do filme enquanto passam os créditos finais. O Portal Cinema deixa-vos com um excerto de algumas das mais mágicas bandas-sonoras da História do cinema, conduzidas pelo maior compositor de todos os tempos – John Williams.

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Sonja (Rhona Mitra) – A filha do poderoso Viktor, um dos três Vampiros Anciões. Sonja é uma bela mas poderosa Vampira que defende com dedicação a sua raça dos constantes ataques dos Lobisomens. Mas este seu ódio natural pelos Lobisomens não é suficiente para evitar a paixão que desenvolve por Lucian, um escravo Lycanthrope. Conseguirá Sonja manter-se fiel à natureza da sua raça ou irá abdicar das suas origens para ficar com o seu amado?

Lucian (Michael Sheen) – Desde bebé que Lucian é um escravo Lycanthrope. Apesar de incrivelmente poderoso, Lucian não conhece as verdadeiras potencialidades da sua força ou da sua evolução em relação aos simples Lobisomens. O futuro da raça Lycanthrope (Lycan) está nas suas mãos mas conseguirá balançar a sua paixão por Sonja com as responsabilidades da sua raça?

Viktor (Bill Nighy) – Juntamente com Marcus e Amelia, forma a tríade dos Vampiros Anciões, os líderes da raça Vampírica. Tremendamente poderoso e calculista, Viktor é um verdadeiro génio da Guerra que usa a sua incrível capacidade táctica para derrotar as diversas hordas de Lobisomens. Apesar de ser bastante respeitado pelos Vampiros, as suas decisões começa a ser bastante questionadas pelos seus seguidores e a súbita paixão da sua filha por um Lycan, não abona nada em seu favor.

Raze (Kevin Grevioux) – Após ser salvo por Lucian, este transforma-o em Lycan e os dois tornam-se nos melhores amigos e aliados.

Andreas Tanis (Steven Mackintosh) - Um fiel seguidor de Victor que através da sua astúcia vai subindo lentamente na pirâmide do poder vampírico.
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Estreia esta Quinta-Feira nas salas de cinema portuguesas “Underworld: Rise of the Lycans”, a prequela dos dois primeiros filmes da saga Underworld. Na Idade Média, o equilíbrio reina entre os vampiros, liderados pela mão-de-ferro de Victor e os lobisomens, considerados seus servos. Mas quando Sonja, a filha de Victor se apaixona pelo Lobisomem Lucian, começa uma guerra sanguinária. Lucian incitará os seus pares à revolta e à luta pela liberdade depois de anos de escravatura.

Trailer


Entrevista – Rhona Mitra


Entrevista – Bill Nighy


Entrevista - Michael Sheen


Featurette - Personagens


Cena do Filme
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Na tentativa de contextualizar a história de “Underworld – Rise of the Lycans" que estreia esta semana em Portugal, o Portal Cinema apresenta-lhe um pequeno resumo que contextualiza as origens e desenvolvimentos desta Saga.
No Universo de Underworld, as origens dos Vampiros e dos Lobisomens não são explicadas por factos sobrenaturais mas sim por factos científicos. O nascimento destas duas raças mortalmente antagónicas é atribuído a um vírus que infecta os Humanos. Esse misterioso vírus arrasou a vila de Alexander Corvinus que conseguiu sair ileso dos efeitos devastadores da doença que matou todos os seus familiares e amigos. Mas Alexander Corvinus não ficou completamente à margem dos efeitos da praga porque o seu sistema imunitário fundiu-se com o vírus mortal e transformou-o no primeiro Humano Imortal. Anos mais tarde, Alexander Corvinus teve três filhos mas apenas dois deles herdaram geneticamente a sua imortalidade. Esses dois filhos imortais foram respectivamente mordidos por um Morcego e por um Lobo, criando assim uma nova mutação genética que deu origem aos Vampiros e aos Lobisomens. Os dois poderosos irmãos passaram rapidamente a inimigos mortais e começaram a construir os seus respectivos clãs que foram treinados para odiar a raça antagónica. Apesar de não ser Imortal, o terceiro filho Humano de Alexander Corvinus detinha um código genético que continha na sua essência, o vírus original que arrasou a vila do seu pai. No século XXI, as hordas vampíricas e lycantropicas descobriram que os descendentes desse filho Humano também possuíam a estripe original do vírus que representa a chave da derradeira mutação genética, a Hibridez.
A guerra entre Vampiros e Lobisomens estendeu-se desde os primórdios da sua criação ate à actualidade. Durante séculos, os Vampiros estiveram no comando da Guerra por deterem uma inteligência sobrenatural e um aspecto físico que lhes permitia manipular os Humanos em seu benefício. No entanto, após uma evolução genética, os Lobisomens também passaram a ter um aspecto maioritariamente Humano, exceptuando nas noites de Lua Cheia. Essa nova vertente dos Lobisomens foi apelidada de Lycans. Infelizmente esta transformação não obteve efeitos imediatos porque durante um longo período de tempo, os Vampiros conseguiram escravizar uma grande percentagem de Lycans que posteriormente conseguiriam revoltar-se e restaurar o equilíbrio de poderes entre as duas raças. Com o avançar dos tempos e da tecnologia, a Guerra tornou-se mais táctica e obscura com as várias facções a operar nas sombras da Humanidade.
O sistema de poder dos Lobisomens (Lycans) baseia-se numa espécie de monarquia, onde o Lycan mais forte assume a chefia da horda. O sistema de poder dos Vampiros é bastante mais complexo e organizado. Existe uma verdadeira pirâmide de poder onde os vampiros assumem uma função específica consoante o seu talento e aptidão pessoal. No topo da pirâmide estão os Anciões, uma tríade composta pelos três Vampiros mais experientes da raça que comandam à vez o destino da raça e da guerra
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Realizado por Sean Penn
Com Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Catherine Keener

É de facto uma maravilha ver obras-primas que nos tocam e nos deixam a reflectir no significado da vida, da liberdade, dos valores morais e éticos, e por aí adiante. Ver este filme do recente galardoado Sean Penn deixou-me completamente extasiado. Por dias não consegui escrever aquilo que na realidade senti e compreendi desta obra. Talvez excessiva a conduta de Christopher McCandless (Emile Hirsch) para com a sociedade, mas na verdade não pude deixar de me identificar com o seu alter-ego Alexander Supertramp quando renuncia a todo o materialismo e prazeres da vida e abraça esse estado espiritual e natura em que se rege para daí tirar os seus frutos essenciais à sobrevivência e nada mais. “Into The Wild” é uma ode à liberdade, à natureza, uma reflexão ao instinto de sobrevivência e determinação de um indivíduo, um ensaio de coragem e estupidez de quem precisou “fugir do mundo” e da sociedade para perceber que “Happiness is only real when shared” (a felicidade só é real quando partilhada). Christopher percebeu-o já tarde e de forma dura, mas é impossível censurarmos completamente esta figura rebelde e extremista, muito por culpa de Sean Penn que o transporta para o ecrã como um “anjo” que agrada a todos com quem contacta. A verdade é que essa imagem que Penn nos traz de Christopher até nos agrada, faz-nos sentir uma admiração pela coragem e destreza deste jovem inadaptado numa sociedade consumista e materialista que embora podre e corrupta é única. Christopher quis fugir desse mundo, dessa sociedade, mas aprendeu duramente que não há como fugir dela, pois uma vida solitária cria um vazio na alma por muito saudável e moralmente reconfortante que seja. Ele percebe já tarde que a única maneira é adaptar-se a esse mundo que tanto desprezava. A natureza é bela mas é também selvagem e perigosa.

CHRISTOPHER McCANDLESS (1969-1992)

Na verdade, não posso deixar de comparar este Christopher a Zaratrusta e seu Super-Homem, de Nietzsche, já que ambos se retiram do mundo numa procura de uma espiritualização e soledade, na procura de uma melhor compreensão do mundo e de uma liberdade. De facto, há uma alusão a esse Super-Homem no filme, quando Christopher numa ponte a comer uma maçã diz: “És mesmo boa. És tipo cem mil vezes melhor que qualquer maçã que já tenha comido. Não sou o Super-Homem, sou o Super-Vagabundo (Supertramp). Tu és a Super-Maçã.”
Sean Penn surpreendeu-me e muito com esta obra. Emile Hirsch também, está magnífico no papel de Christopher. Boa montagem e excelente fotografia, as paisagens são lindas e completam o filme quando as vemos ao som da música fantástica do Eddie Vedder, para quem não conhece é o vocalista dos Pearl Jam. É um filme que ficará na história do cinema, obra-prima de grande qualidade.

Classificação - 5 Estrelas Em 5
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Realizado por Steven Soderbergh
Com Benicio Del Toro, Catalina Sandino Moreno, Demián Bichir, Rodrigo Santoro

A vida militar do mítico guerrilheiro socialista Che Guevara já originou dezoito filmes biográficos nos últimos quarenta anos, um número bastante impressionante que agora é aumentado pelas duas obras de Steven Soderbergh que apostam num relato bastante profundo e exacto dos acontecimentos que antecederam e sucederam à Revolução Cubana de 1956.
O guionista Peter Buchman assina o argumento deste primeiro filme que se baseia nos escritos presentes no livro Reminiscences of the Cuban Revolutionary War, escrito pelo próprio Che Guevara. A história do filme inicia-se em 1954 mas a verdadeira história começa dois anos antes em Cuba quando o General Batista toma o poder e anula as eleições. Um jovem advogado chamado Fidel Castro (Demián Bichir) decide confrontar o poder e, depois de uma tentativa de levantamento popular em 1953 que o leva dois anos à prisão, exila-se no México. Durante estes anos, um jovem médico argentino chamado Ernesto Guevara (Benicio Del Toro) também luta pelos seus ideais e acaba por ter de se refugiar no México, onde vai conhecer o grupo revolucionário cubano. De um encontro em 1955 entre Fidel e Che nasce o momento chave na história de Cuba. Em 1956, Fidel chega à ilha com 80 homens e o objectivo de derrubar a ditadura de Batista. Apenas 12 guerrilheiros sobrevivem, entre os quais Che que vai provar ao longo dos anos as suas qualidades de combatente que o levam a tornar-se no rosto mítico da revolução socialista em Cuba.
Como já referi, a vida de Che Guevara deu origem a dezoito biografias cinematográficas que caracterizaram amplamente a personalidade e a mentalidade deste famoso guerrilheiro. No entanto, esta obra de Steven Soderbergh diverge bastante desse conceito porque prefere apostar no relato exacto dos acontecimentos que antecederam a famosa Revolução Socialista de Cuba. Steven Soderbergh nunca aborda em pormenor o lado mais íntimo de Che Guevara, limita-se apenas a contextualizar as suas acções militares no âmbito da complexa Revolução Cubana. O único momento em que somos apresentados ao lado mais pessoal do guerrilheiro é quando este integra a delegação cubana na ONU. Durante este período, o eterno militar exibe o seu lado mais diplomático e idealista que demonstra na perfeição a sua personalidade culta e socialista. O lado intelectual de Che Guevara também é demonstrado durante as várias batalhas que antecedem a Revolução e onde Che exibe na perfeição a sua destreza táctica e militar. É durante este conturbado período que Che exprime as suas opiniões mais radicais, defendendo entre outras ideologias, a progressiva independência económica da América Latina em relação aos EUA.
Históricamente, esta primeira parte de “Che” aborda com grande exactidão as diversas batalhas travadas por Che Guevara e os vários movimentos políticos que os irmãos Castro operaram para chegar ao poder. Estas acções militares e políticas são retractadas com bastante objectivismo e transparência que reforçam a natureza biográfica e precisa do filme. Na minha opinião, esta obra mistura na perfeição as essências do documentário e da biografia porque retrata com bastante precisão histórica, as acções dos grandes rostos da Revolução que são alvo dum tratamento bastante correcto e objectivo, no entanto, acho que Che Guevara poderia ter sido alvo de um tratamento biográfico mais profundo e intimista que revelasse concretamente o seu lado mais pessoal.
Tecnicamente, “Che – The Argentine” apresenta uma fotografia bastante verdejante porque grande parte da acção passa-se nas florestas da América Latina. É nestes espaços verdejantes que ocorrem as constantes batalhas entre guerrilhas e exércitos que apresentam traços bastante realistas que nos transportam para o meio da sangrenta e violenta confusão bélica. É graças a este inerente realismo causado, em grande parte, pela realização astuta de Steven Soderbergh que as cenas bélicas assumem-se como um dos pontos fortes do filme. Esta obra é protagonizada por alguns actores de qualidade, nomeadamente Benicio Del Toro que interpreta na perfeição Che Guevara. Os irmãos Castro também foram muito bem interpretados pelo mexicano Demián Bichir e pelo brasileiro Rodrigo Santoro. A conclusão de “Che” estreia em Portugal no princípio de Abril. Essa parte irá aprofundar os acontecimentos que ocorreram após a Revolução Cubana e que culminaram com a morte de Che Guevara. Quanto a esta primeira parte fica um registo bastante positivo porque conseguiu retratar fielmente a história de Che Guevara e do Movimento Revolucionário sem incutir grandes subjectivismos e invenções.

Classificação - 3,5 Estrelas Em 5
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Realizado por Larry Charles
Com Bill Maher
http://www.imdb.com/title/tt0815241/

A única informação que dispunha sobre “Religulous” era que se tratava dum documentário sobre religião. Para dizer a verdade, depois de ver este documentário com quase 2 horas, apresentado por um conhecido comediante americano (Bill Maher) fiquei com a sensação que o tema principal não é verdadeiramente a religião em si mas os sistemas de crenças ridículas e bizarras que servem para dar vida às religiões dos nossos dias que continuam a influenciar as nossas vidas, quer acreditemos ou não.
O documentário é bastante profissional e bem apresentado com sentido de humor, faz uma volta bastante completa pelas crenças mais bizarras das principais religiões (Cristianismo, Islamismo, Judaísmo) sem esquecer alguns cultos como os Mormons ou a Cientologia. O documentário apresenta algumas situações absurdas como uma igreja cristã de camionistas que funciona num contentor de camião numa estação de serviço, uma entrevista a um porto-riquenho que diz ser Jesus Cristo, o museu do criacionismo, um parque de diversões na Florida chamado Holy Land e alguns judeus extremamente religiosos que inventam complicados dispositivos para não ter que trabalhar no Sabbath.
Como ponto negativo, destaco o facto de Bill Maher concentrar-se demasiado na realidade norte-americana, embora o documentário também tenha partes gravadas em Israel, Amesterdão e Roma. Outro ponto negativo é a exclusividade dada às religiões monoteístas. O principal ponto positivo é que não me lembro de ninguém ter feito nada parecido com este questionar de crenças absurdas que persistem nas religiões dos nossos dias. Talvez por medo de alguma coisa. O próprio autor parece ser partidário dum agnosticismo em detrimento dum ateísmo (talvez para não chocar demasiado o publico). Em conclusão, este filme é sobre crenças absurdas e não propriamente sobre as religiões em si que poderiam aprender muito nestas 2 horas.

Classificação - 4 Estrelas Em 5
Escrito e Enviado por José Couto
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O Portal Cinema apoia a 2ª edição do “Porto7” – Festival internacional de Curtas-Metragens do Porto que irá decorrer de 10 a 14 de Junho de 2009 nesta cidade Invicta. Este festival promove a produção e exibição de curtas-metragens e videoclips e o intercâmbio cultural entre as diversas nacionalidades presentes.
O Porto 7 é um evento cultural aberto a produtores, realizadores, estudantes, entusiastas, apreciadores da sétima arte, pessoas ligadas à música e publico em geral. Por este motivo o Porto7 é um espaço com muitas actividades: exibição de filmes, concertos, exposições, festas, apresentação de novidades e produtos audiovisuais, feira do livro do cinema e audiovisual, entre outras. Todas estas actividades concentradas num mesmo espaço propiciando a interacção entre público e artistas, acima de tudo num ambiente descontraído e de muito convívio.
O principal objectivo é que todos tenham acesso a bons filmes, boa musica, e se conheçam. Que troquem experiencias, pontos de vista, se divirtam juntos, e isto tudo num espaço único e emblemático, usufruindo do espírito da cidade do Porto.

O Festival Porto 7 é constituído pelas seguintes secções:

- Competição Internacional de Curtas-metragens
Prémios:
- Melhor Curta-metragem
- Melhor Argumento Original
- Melhor Actor
- Jovem Realizador (até 30 anos)

- Competição de Curtas-Metragens Porto7 – Curtas-Metragens alusivas ao Porto.
Prémio:
- Melhor Curta-metragem Porto7

- Competição de Videoclip – Videoclips Musicais.
Prémio:
-Melhor Vídeoclip

- Mostra de Curtas-Metragens – Exibição das Curtas-Metragens concorrentes ao Festival, que apesar de não seleccionadas para a secção competitiva serão exibidas nesta mostra.

- Mostra Porto7 Mood – Exibição de filmes seleccionados pela organização com o intuito de promover, dinamizar e fomentar a produção cinematográfica.

A data limite para envio de filmes a concurso é 5 de Maio 2009. A inscrição de filmes a concurso é gratuita. A entrada nas sessões de cinema e demais eventos é gratuita. Brevemente será anunciado o local bem como o programa oficial do Festival.
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Realizado por Eitan Anner
com Vladimir Volov, Jenya Dodina, Talya Raz

Não sou, confesso, grande conhecedora da cinematografia israelita. O meu encontro com este filme foi casual mas o facto de ter sido nomeado para o 57º Festival Internacional de Cinema de Berlim, para o de Moscovo e o de Roma no mesmo ano, chamou-me a atenção. A história gira em torno de um miúdo, Chen (Vladimir Volov) que começa a frequentar aulas de dança de salão para se aproximar de uma rapariguinha russa que achava deslumbrante, tudo isto contra a vontade do seu pai que achava a actividade pouco viril. É através dessas aulas que conhecemos a história da professora, também ela russa e antiga campeã de danças de salão e do seu par, igualmente russo, um mulherengo mentiroso com quem está envolvida emocionalmente há anos apesar das constantes traições. A iniciativa de Chen é também uma forma de fugir ao pesado ambiente familiar, dadas as constantes brigas entre a sua mãe russa e o pai israelita. Depois de muitos obstáculos, os conflitos resolvem-se com o crescimento emocional das personagens.
Como se vê o argumento é pueril para não dizer enjoativamente débil. As interpretações não conseguem de um modo geral acrescentar nenhuma mais-valia ao argumento. O filme pretende-se arthouse e nesse sentido vale pela fotografia bem conseguida das paisagens pouco nossas conhecidas das zonas menos urbanas de Israel e pelo facto de nos mostrar esta nação de uma forma não condicionada pela religião nem envolvida em conflitos armados. Ainda assim, e embora o filme fale de amor nas suas várias formas, ele fala também dos conflitos internos israelitas entre os aí nascidos e os judeus vindos da Rússia. O filme está disponível em DVD numa edição Lusomundo.

Classificação - 3,5 Estrelas Em 5
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Realizado por Daniel Souza
Com Daniel Souza, Rafael Sousa, José Pedro Pinto, Maria Abrantes

Muitos têm criticado “100 Volta” e parece-me óbvio que essas críticas negativas têm o seu fundamento. Esta produção nacional de cariz amador apresenta-nos um argumento fútil e vazio que é claramente baseado em vários blockbusters norte-americanos, uma realização desprovida de qualquer experiencia, um elenco amador sem grande talento e uma edição perfeitamente ridícula. No entanto, esta produção amadora de baixo orçamento, não consegue ser pior que algumas mega-produções nacionais como “Second Life” ou “Contrato”.
O filme conta-nos a história de Zé Galinha, um agente federal infiltrado que investiga Aduzer, o chefe do crime organizado mundial. Ao aceitar uma encomenda de 32 carros com destino ao Brasil e Israel, Zé Galinha começa a perder a noção dos padrões estabelecidos pela lei. No meio da investigação, rouba acidentalmente o carro do chefe da máfia russa e um programa informático no seu interior. Sousa e Meireles são os dois agentes da Polícia Judiciária que investigam os russos e se envolvem em perseguições de carros a alta velocidade. Não vou perder muito tempo a analisar este “100 Volta” porque parece-me óbvio que não há muito a destacar. Estamos simplesmente perante um filme pouco profissional que aposta tudo num sentimento de adrenalina vazio que deriva de um argumento bastante frágil. A história do filme não faz muito sentido e apresenta vários lapsos na coerência e desenvolvimento do enredo que não prende, em nenhum momento, o espectador. A realização claramente amadora mostrou-se incapaz de incutir um ambiente decente ao filme, todas as cenas estão rodeadas de um pretenso amadorismo que poderia ter sido facilmente disfarçado com algum talento e imaginação. Os aspectos técnicos como a banda sonora e a fotografia são praticamente inexistentes e o elenco oferece-nos uma prestação abaixo do medíocre que não convence ninguém.
Apesar de não encontrar nenhum aspecto positivo no filme, tenho que atribuir algum crédito aos criadores de “100 Volta” por terem conseguido desenvolver e montar uma longa-metragem com tão poucos recursos. Dito isto, estranha-me que uma obra tão pobre como esta tenha conseguido estrear em mais salas de cinema que “A Corte do Norte”, um filme português que nos representou no Festival de Cinema de Nova York. Esta situação é perfeitamente ridícula e demonstra na perfeição as prioridades do cinema português que prefere apostar em filmes fracos em detrimento de grandes obras nacionais que brilham no estrangeiro. Enquanto as mentalidades não forem alteradas, não podemos esperar que as grandes obras cinematográficas nacionais atinjam melhores resultados no estrangeiro. Entre o ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual) e as diferentes distribuidoras e estúdios nacionais, é difícil encontrar um culpado evidente para estes estranhos fenómenos cada vez mais frequentes mas acredito que todos contribuíram à sua medida. É claro que a estas figuras podem-se juntar outras mais secundárias que infelizmente também contribuem para a crescente desacreditação do cinema português.

Classificação - 0,5 Estrela Em 5
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Realizado por João Botelho
Com Ana Moreira, Ricardo Aibéo, Rogério Samora, Margarida Vila-Nova

O último grande projecto cinematográfico de João Botelho foi o vergonhoso “Corrupção”, um filme de fraca qualidade que levou os portugueses às salas de cinema pelas piores razões. Dois anos depois da estreia desse malogrado filme em Portugal, João Botelho apresenta ao público português um filme digno do seu nome e enobrecedor do cinema nacional. Adaptado do homónimo romance de Agustina Bessa Luís, “A Corte do Norte” conta-nos a história de Emília de Sousa, a maior actriz que o teatro português conheceu nos finais do séc. XIX mas que abandonou por uns anos a carreira para se casar com o rico madeirense Gaspar de Barros e transformar-se na Baronesa Madalena do Mar. Tão bela quanto Sissi, a Imperatriz da Áustria com quem conviveu no Inverno de 1860/61, decidiu construir um mistério que perdurou por quatro gerações e por mais de um século.
A estreia mundial desta obra ocorreu na edição de 2008 do prestigiado Festival de Cinema de Nova York, um certame constantemente aberto às obras nacionais porque já recebeu em edições anteriores algumas produções portuguesas como “Fados” ou “Tempos Difíceis”. Após a sua exibição nesse Festival, “A Corte do Norte” colheu alguns elogios nos EUA, abrindo assim as portas para uma possível distribuição naquele país. Na minha opinião, essa distribuição seria perfeitamente justificável porque apesar de não ser brilhante, esta obra de João Botelho aposta bastante na cultura nacional e na essência do cinema português, fazendo lembrar em certas alturas, os filmes do grande mestre Manoel de Oliveira. Inicialmente, a adaptação cinematográfica de “A Corte do Norte” foi de exclusiva competência de José Álvaro Morais mas este célebre cineasta português faleceu antes de ter tido hipótese de começar as gravações. O argumento que elaborou foi herdado por João Botelho que aproveitou esta obra para prestar uma merecida homenagem a José Álvaro Morais e à própria Agustina Bessa Luís, a consagrada autora da história original que felizmente ainda permanece entre nós.
Terminada a contextualização desta produção, resta-me analisar o seu resultado final que pode ser visionado em sete salas de cinema espalhadas pelo território nacional (Lisboa, Porto, Braga, Viseu, Vila Real e Coimbra). “A Corte do Norte” leva-nos numa viagem temporal fortemente dramática entre 1860 e 1960, onde exploramos cinco gerações de mulheres que parecem partilhar a aptidão de um destino trágico. O argumento do filme alterna constantemente entre épocas à medida que vai relatando a triste e misteriosa saga familiar iniciada pela Baronesa Madalena do Mar. O filme desenvolve com algum cuidado a história das cinco personagens principais (Sissi, Rosalina, Emília de Sousa, Águeda e Rosamunde) que são todas brilhantemente interpretadas pela actriz Ana Moreira que assume de alma e corpo, as diferentes faces e posturas das diversas gerações. É claro que esta constante mistura entre vidas e épocas, dificulta um pouco a compreensão da história e os diversos mistérios que ela encerra mas essa é precisamente a intenção do filme que não desvenda livremente nenhuma conclusão objectiva, em última análise, cabe ao espectador a difícil tarefa de ligar as diversas mini-histórias para obter uma conclusão que contextualize e explique o complexo mas rico desenvolvimento.
O relato efectuado pelo argumento é maioritariamente acompanhado por belíssimas paisagens campestres que mostram alguns dos locais naturais mais belos de Portugal. À bela fotografia junta-se um grande trabalho de maquilhagem e guarda-roupa que segue fielmente as diversas tendências das épocas que o filme retrata. A comandar a produção visual e narrativa esteve João Botelho que apostou numa realização bastante pessoal que enaltece o melhor das várias personagens principais. A melhor prestação do elenco cabe à actriz Ana Moreira que incorpora um impressionante total de sete personagens, das quais cinco assumem um papel fulcral na história. Os actores Aibeo Ricardo e Rogerio Samora também assumem uma prestação bastante agradável e as suas personagens, acabam por desanuviar um pouco o ambiente puramente feminista da história.
“A Corte do Norte” é um bom filme português que põem fim à recente remessa de obras nacionais de fraca qualidade (Second Life e Contrato). É sempre bom ver uma obra literária portuguesa ser adaptada ao cinema por um cineasta português porque teoricamente, os portugueses conhecem melhor do que ninguém as intenções e pretensões dos seus congéneres.


Classificação - 3,5 Estrelas Em 5
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As adaptações cinematográficas das Bandas-Desenhadas, têm desempenhado um papel fundamental nos orçamentos dos principais estúdios norte-americanos que vêm neste tipo de histórias, uma fonte de receitas virtualmente inesgotável. Ao longo dos anos, apareceram nas salas de cinema mundiais, várias adaptações dessas obras fantasiosas. Algumas obtiveram um sucesso comercial impressionante mas outras fracassaram drasticamente no Box-Office. As Bandas-Desenhadas oferecem aos estúdios a matéria-prima mas será que estes as tratam da melhor maneira? Após a estreia mundial de “Watchmen”, perguntamos aos nossos leitores qual a Banda-Desenhada que melhor foi tratada pela 7ª arte e os resultados são esmagadoramente inequívocos.

Segundo 38% dos leitores que participaram nesta votação, Batman (DC Comics) foi a Banda-Desenhada que melhor foi retratada pela 7ª arte. Num distante segundo lugar ficou Spider-Man (Marvel Comics) com 22% dos votos. A fechar o pódio ficaram os X-Men (Marvel Comics) com apenas 9 % dos votos. Apesar da Marvel Comics ser a grande fonte de “inspiração” dos estúdios norte-americanos, foi uma obra da DC Comics que recebeu, na opinião dos nossos leitores, as adaptações mais fiéis ao trabalho literário original.

Batman - 42 - 38%
Spider-Man - 25 - 22%
X-Men - 10 - 9 %
Watchmen - 9 - 8%
Hellboy - 7 - 6%
Super-Man - 6 - 5%
Fantastic Four - 5 - 4%
Iron Man - 3 - 4%
Hulk - 1 - 1%
Outra - 4 - 4%
Total 112
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Realizado por Frank Miller
Com Gabriel Macht, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson, Eva Mendes

A lucrativa estreia mundial de “Watchmen” voltou a confirmar as potencialidades comerciais das adaptações cinematográficas das Bandas-Desenhadas e Graphic Novels. No entanto, nem todos estes produtos têm uma adaptação feliz à 7ª arte, no passado, obras de ficção bastante famosas como “Daredevil” ou “Elektra” fracassaram no cinema apesar do seu aparente sucesso no circuito literário. A este grupo de fracassos junta-se agora “The Spirit”, a adaptação cinematográfica da famosa Graphic Novel do falecido cartoonista Will Eisner que infelizmente, não pode criticar a débil e inexperiente realização de Frank Miller que conduziu um argumento bastante pobre e confuso que praticamente ignora a essência da novela gráfica. Esta versão cinematográfica conta-nos a história de Denny Colt, um polícia que é assassinado mas que misteriosamente regressa do mundo dos mortos como The Spirit, um vigilante mascarado determinado a combater o crime organizado nas ruas obscuras de Central City, a sua querida cidade. O seu maior inimigo é o psicótico Octopus que na sua busca pela imortalidade destrói tudo por onde passa. No caminho de Spirit cruzam-se várias mulheres sublimes que procuram seduzi-lo, amá-lo ou matá-lo. Só o seu amor de sempre não o trairá, Central City, a cidade que o viu nascer duas vezes.
Infelizmente, “The Spirit” assemelha-se demasiado a uma spin-off de “Sin City” porque nos apresenta um visual e uma evolução narrativa semelhante à dessa obra cinematográfica, adaptada da homónima Graphic Novel de Frank Miller. Em termos literários, “The Spirit” e “Sin City” são duas obras bastante diferentes que apostam em vertentes criativas bastante distintas, assim sendo, “The Spirit” aborda a sua história de uma forma mais relaxada e cómica ao passo que “Sin City” aposta num estilo mais duro e áspero. Infelizmente, o desinspirado argumento não se preocupou em transpor fielmente essas vertentes criativas e únicas da obra de Will Eisner e o fraco resultado dessa postura, salta agora à vista de todos. Esse trabalho de adaptação narrativa coube precisamente a Frank Miller que não conseguiu distanciar-se da sua própria realidade criativa para transpor fielmente o trabalho do seu falecido colega de profissão. A influência negativa de Miller não se ficou pelo argumento e também atingiu a realização que na minha opinião, destaca-se como um dos piores elementos do filme. É neste campo que observamos a grande proximidade visual que se estabeleceu entre “Sin City” e “The Spirit”. As parecenças na captação das sequências de acção são impressionantes e até o próprio ambiente criado, assemelha-se demasiado ao da obra anteriormente dirigida por Frank Miller. Esta “cópia” de estilos poderia ser desculpada se estivéssemos a falar de “Sin City 2”mas estamos a falar de “The Spirit”, uma obra completamente autónoma que merecia um tratamento visual original, digno da sua fama.


Como já referi, o argumento elaborado por Frank Miller não convence. Ao enredo do filme faltou entre várias coisas, o humor patente em praticamente todas as fases da Graphic Novel. A história do filme, assume uma faceta demasiado negra que quando tenta humorizar certas situações, acaba por obter o resultado inverso. O argumento também se esqueceu de introduzir o típico suspence alucinante, presente nas investigações de Spirit. A história cinematográfica preferiu apostar nas origens do herói e na sua relação abrupta com Octopus, não perdendo muito tempo a aprofundar as investigações ou interrogatórios que posteriormente conduzem à verdade. A construção e o desenvolvimento das personagens também foram largamente afectados pelos diversos erros e lacunas do argumento, a única personagem que escapou a um retrato narrativo superficial e ambíguo foi Spirit porque todos os outros intervenientes da história são afectados pela patente falta de profundidade de um argumento que nunca explora convenientemente as relações entre protagonistas. As personagens femininas foram as mais afectadas por este lapso narrativo e como consequência, as suas interacções amor/ódio com Spirit não obtiveram o efeito esperado. Os diálogos representam na minha opinião, a falha mais clamorosa e imperdoável do argumento. Os excitantes monólogos e acérrimos diálogos fizeram inegavelmente parte do sucesso da Graphic Novel mas infelizmente o filme não contempla nenhum momento comunicacional de particular intensidade ou qualidade.
Com a ilustre excepção de Samuel L. Jackson, nenhum dos principais nomes do elenco conseguiu obter uma prestação minimamente positiva. O experiente actor que incorpora o temível vilão de Central City foi o único que conseguiu vender na perfeição a sua personagem, atribuindo a Octopus, o psicótico carisma que o caracteriza. A grande desilusão do elenco recai sobre Gabriel Macht (Spirit) porque em nenhum momento, mostrou as qualidades necessárias para desempenhar um papel desta relevância e dificuldade, a sua personagem ressentiu-se disso e acabou por não corresponder às grandes expectativas criadas pelos fãs da história. As actrizes femininas interpretam personagens bastante secundárias que apenas existem para embelezar a história, logo a sua prestação nunca poderia ultrapassar a mediocridade porque o argumento nunca puxa pelo seu talento e profissionalismo. Na minha modesta opinião, Frank Miller transformou “The Spirit” numa cópia barata do seu “Sin City”. A incapacidade que demonstrou em distanciar-se do seu estilo gráfico prova que ainda não tem capacidade suficiente para comandar objectivamente, uma adaptação cinematográfica duma obra literária doutro autor. A grande vítima deste fracasso acaba por ser a Graphic Novel de Will Eisner que merecia um tratamento adequado à sua fama e estatuto.

Classificação - 2 Estrelas Em 5
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Vencedor do Óscar de Melhor Curta-Metragem de Animação (2007)

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Realizado por David S. Goyer
Com Odette Yustman, Jane Alexander e Gary Oldman

David S. Goyer foi o argumentista de “Batman Begins” e também um dos génios por detrás da história do recentemente aclamado “The Dark Knight”. Em “The Unborn” assume as rédeas da realização, para além de se encarregar mais uma vez do argumento do filme. Como tal, seria de esperar que este filme tivesse algum pingo de originalidade ou criatividade artística. Pois bem, não tem e é uma pena que assim seja. Inicialmente, quando pela primeira vez vi o poster do filme, verifiquei que o principal enfoque estava direccionado para uma rapariga em trajes menores, o que me levou a concluir que estaríamos perante mais um filme de “terror” para adolescentes com as hormonas aos saltos. Porém, mais tarde verifiquei que o filme estava incluído no Fantasporto com um resumo bastante interessante e apercebi-me que o realizador e argumentista era Goyer. Isto chamou-me a atenção e decidi dar o beneficio da dúvida ao filme. Infelizmente verifiquei que as minhas previsões iniciais estavam correctas e estamos, de facto, perante mais um filme ao qual só os pobres de espírito podem designar de terror.
“The Unborn” conta-nos a história de uma rapariga chamada Casey (Yustman) que começa a ter uns estranhos sonhos com um rapaz assustador. Mais tarde ela descobre que era suposto ter um irmão gémeo, mas que este morreu no útero da mãe, acontecimento que levou esta última à loucura e ao suicídio. Através de experiências bizarras e assustadoras e com a ajuda da sua avó (Alexander) e de um Rabi (Oldman), ela vai compreendendo que a sua vida está em perigo, pois um demónio do folclore judaico – um Dybbuk – tentou possuir o corpo do seu irmão gémeo e está agora a tentar apoderar-se do corpo dela.


A história parece interessante, mas ao longo do filme acaba por se revelar débil e cheia de falhas e buracos. O argumento não é consistente e nunca consegue ser credível, o que leva o espectador a perder-se no meio de tanta reviravolta e/ou factos mal contados ou elaborados. Desta forma, “The Unborn” torna-se enfadonho e simplesmente não consegue funcionar como filme de terror, como thriller, ou como o que quer que seja. Os actores funcionam em "piloto automático" e nunca conseguem fazer com que acreditemos nas suas personagens (principalmente devido ao defeituoso argumento). Essencialmente, o problema deste filme (e de tantos outros) é que tudo acontece como se espera que aconteça. Ou seja, se a personagem precisa de saber mais sobre um fenómeno do oculto, dirige-se à biblioteca mais próxima e encontra logo um exemplar antiquíssimo com tudo muito detalhado; se uma personagem precisa de saber mais sobre o passado da sua família, põe-se a vasculhar os armários da casa e encontra logo uma fotografia comprometedora que desvenda todos os mistérios; etc, etc.
O filme obedece ao tradicional sistema que compõe o actual cinema de terror norte-americano: adolescentes começam a sofrer uma maldição qualquer; começam a investigar; descobrem imediatamente as pistas todas para uma trama mais profunda (mas imbecil); assistimos à tradicional “cena do chuveiro” em que a rapariga mostra as suas curvas; temos o confronto final com a maldição e depois do twist chegamos ao fim sensaborão do filme. É sempre assim. E já cansa. Para além disto, está na moda usarem fantasmas com criancinhas. Pode ter funcionado no Japão mas nunca funcionou nos Estados Unidos e também já chateia. Assim sendo, porquê continuar a insistir em fórmulas que já provaram não funcionar?
O único aspecto positivo do filme está nalguns aspectos técnicos como a caracterização dos fantasmas e a conceptualização de alguns monstros, para além de alguns (poucos) sustos e arrepios bem conseguidos. Mas nada mais funciona e chamar filme de terror a “The Unborn” é como chamar filme de comédia a “Schindler’s List”. Apenas mais um filme de “terror” fracassado produzido nos Estados Unidos da América. Nada mais.


Classificação - 1,5 Estrelas Em 5
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Realizado por Milos Forman
Com Jack Nicholson, Louise Fletcher, William Redfield

A década de 70 foi um período de imensa prosperidade para o cinema norte-americano que deu ao mundo obras como “The Godfather”, “Taxi Driver”, “Apocalypse Now” ou este “One Flew Over the Cuckoo´s Nest”.
Adaptado do livro de Ken Kesey, o filme foca-se em Randle McMurphy (Jack Nicholson), um recluso que se faz passar por louco para cumprir o resto da pena num hospital psiquiátrico. Quando conhece a enfermeira Ratched (Louise Fletcher) e a forma come ela trata os pacientes, percebe que chegou a outra prisão.
“One Flew Over the Cuckoo´s Nest “ é uma obra-prima. Milos Forman consegue construir, filmando quase exclusivamente um átrio dum asilo e oito personagens, uma parábola sobre inconformismo e liberdade. Ratched é condescendente com os pacientes, humilha-os e controla-os. E é McMurphy que vai desafiar a sua autoridade e dar um sopro de livre arbítrio aos (supostos?) doentes.
Com diálogos sólidos, momentos de humor e um par de cenas memoráveis, em momento algum o filme é aborrecido mas é na qualidade do trabalho dos actores que reside uma das suas grandes fortalezas. Jack Nicholson é irrepreensível, dá ao espectador a sensação que nenhum outro actor poderia ter dado vida a Randle da mesma forma. Que dizer de Louise Fletcher que compõe com sobriedade uma vilã fria e repressiva. Que dizer também do resto do elenco, particularmente Brad Dourif que interpreta de forma exemplar uma vítima do tratamento castrador da enfermeira Ratched.
Poucos filmes atingem este nível de excelência, combinando entretenimento de qualidade com doses de provocação. Mais a mais, “One Flew Over the Cuckoo´s Nest” presenteia o espectador com um final absolutamente chocante e inspirador.
Falta dizer que este filme venceu os cinco principais Óscares em 1975 – Filme, Realizador, Actor, Actriz e Argumento Adaptado. Se fosse lançado nos dias de hoje, estaria também ferozmente na corrida.

Classificação - 5 Estrelas Em 5
Escrito e Enviado por Paulo Salazar
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Realizado por David Frankel
Com Owen Wilson, Jennifer Aniston, Eric Dane

O jornalista Josh Grogan publicou em 2005 um livro autobiográfico que relatava as fantásticas experiências que a sua família passou com o seu afável cão de estimação. O livro tornou-se rapidamente num sucesso comercial e a sua adaptação ao cinema tornou-se inevitável. O tão aguardado filme estreou em Dezembro nos EUA e rapidamente conquistou um lugar de destaque no Box-Office. Agora, “Marley & Me” chega finalmente às salas de cinema portuguesas com a promessa de derreter os corações dos amantes de animais que, ao longo dos anos, aprenderam muito com os seus fiéis companheiros de estimação. A sua história começa por nos apresentar a Jenny (Jennifer Aniston) e John (Owen Wilson), os futuros donos de Marley que acabaram de casar e decidem trocar os Invernos rigorosos do Michigan pelo Verão constante da Florida. Enquanto Jenny sonha com o primeiro filho, John ainda não está preparado para crianças e por isso, seguindo o conselho de um colega, resolve oferecer um cão à mulher. É assim que Marley, um bonito labrador amarelo, entra nas suas vidas. Marley não demora a transformar a vida dos dois num caos já que nada consegue fugir à sua voracidade. Mas ao ritmo dos anos e das catástrofes, Marley será testemunha das escolhas de carreira, dúvidas e mudanças de Jenny e John. E mesmo sendo Marley o pior cão do mundo, é um tornado de energia que vai ensinar-lhes a maior lição das suas vidas e realçar o melhor que existe neles.
O argumento do filme mistura a essência narrativa do livro com a dramatização típica de Hollywood que confere a uma história já de si melancólica, alguns momentos de profunda emoção e ternura que chocam um pouco com a caracterização cómica do filme. Ao nível humorístico, o filme apresenta algumas cenas engraçadas que ilustram bem as habituais traquinices dos cães e as correspondentes reacções dos donos, no entanto, é na sua vertente emocional e subjectiva que o filme prende a atenção do espectador. A vida matrimonial de Jenny e John é constantemente abalada por certas problemáticas típicas da sociedade e da personalidade que são progressivamente ultrapassadas com a importante ajuda de Marley, um cão rebelde mas que em determinadas alturas assume um papel preponderante na relação familiar, ajudando a estabilizar as inconstantes dúvidas e mudanças do casal. Entre os vários problemas abordados pelo filme encontramos o eterno conflito carreira-família, a fobia da paternidade e a depressão pós-parto. Estes e outros temas bastante interessantes e relevantes são devidamente abordados e em nenhum momento são alvo de uma análise excessivamente complexa e paradigmática.
O filme encerra várias mensagens que derivam principalmente das problemáticas/temáticas que vão sendo abordadas mas a verdadeira mensagem do filme/livro está na relação espiritual e familiar que um humano vai desenvolvendo com o seu animal de estimação. Não nos podemos esquecer que a história de “Marley & Me” deriva de um conto pessoal em que o autor e a sua família criaram verdadeiros laços familiares com o seu cão que por sua vez os ajudou à sua maneira divertida e ternurenta. Todos os espectadores que têm ou já tiveram animais de estimação vão compreender na perfeição esta ligação Dono-Animal que transcende por vezes a barreira da comunicação. Esta verdadeira relação de dependência fomenta-se nos dois lados porque o Animal vê no seu Dono a sua família e este, muitas das vezes, vê no seu Animal um amigo e confidente. Esta relação é visível no filme/livro e pode ser facilmente comprovada no nosso dia-a-dia.
Na minha opinião, o livro apresenta uma maior consistência narrativa, no entanto, não estamos perante uma má adaptação cinematográfica porque dentro do possível, David Frankel conseguiu resumir muito bem a essência emocional da obra literária. É claro que alguns pormenores foram negligenciados e algumas situações poderiam ter sido alvo de um melhor tratamento mas na sua generalidade, o trabalho apresentado faz justiça à fama do livro. O elenco é composto por algumas caras bem conhecidas de Hollywood como Owen Wilson e Jennifer Aniston, os dois co-protagonistas desta história. Após um período pessoal algo conturbado, Owen Wilson regressa em forma aos grandes palcos comerciais e apesar de não ser, na minha opinião, um grande actor, consegue arrancar uma prestação razoável neste filme. Jennifer Aniston mantém-se no estilo que melhor conhece e domina, logo é natural que a sua prestação permaneça ao mesmo nível de performances anteriores que não lhe exigiram muito menos que este “Marley & Me”. O grande destaque deste elenco acaba por ir para os 22 cães que deram vida às diferentes fases de Marley. Um bom trabalho dos tratadores e treinadores dos animais que merece ser assinalado.
Apesar de não ser um filme brilhante, “Marley & Me” apresenta-nos alguns pontos positivos ao nível do argumento que valem a pena ser apreciados. Apesar de ser descrito como uma comédia, o filme apresenta alguns traços dramáticos que certamente provocaram algumas lágrimas nos espectadores mais emocionais. Seja como for, “Marley & Me” não é uma obra que está unicamente direccionada aos apreciadores de animais, é sim um leve filme familiar que pode ser apreciado por qualquer espectador que aprecie uma história bonita e simples.

Classificação - 3,5 Estrelas Em 5
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