A 29ª edição do Festival Internacional de Cinema do Porto, mundialmente conhecido por FantasPorto, chega este Domingo (1/03) ao seu final mas os vencedores desta edição já foram hoje conhecidos. O Grande Prémio da Secção Oficial de Cinema Fantástico foi atribuído ao filme "Idiots and Angels", uma obra animada da autoria do cineasta norte-americano Bill Plympton que já esteve por duas vezes nomeado ao Óscar de Melhor Curta-Metragem Animada pelas obra “Your Face” (1987) e “Guard Dog” (2005). O filme "Hansel & Gretel" do sul-coreano Phil-sung Yim também foi um dos grandes vencedores desta edição porque conquistou o Prémio Especial do Júri do Cinema Fantástico/Prémio Super Bock e foi considerado o Melhor Filme da Secção Oficial Orient Express, dedicada exclusivamente a filmes asiáticos. O Prémio de Melhor Realizador desta edição foi entregue ao britânico James Watkins que apresentou no Porto a sua mais recente obra “Eden Lake”, protagonizada pelo jovem actor Jack O'Connell que conquistou o Prémio de Melhor Actor. A 19ª Semana dos Realizadores foi ganha por "Moscow, Belgium", um filme dirigido por Christophe Van Rompaey, um cineasta belga bem conhecido do Fantas porque já foi premiado por este festival em edições anteriores. O Prémio da Crítica foi para "Delta" do realizador húngaro Kornel Mundruczo e o Prémio do Público foi para "The Wrestler", um filme de Darren Aronofsky que esteve nomeado para os Óscares e que é tido como um dos grandes fenómenos cinematográficos de 2008.


Por esta 29ª edição do FantasPorto passaram grandes nomes do cinema mundial como o cineasta alemão Wim Wenders que será homenageado esta noite com o Prémio Carreira. Para além desta distinção, Wenders viu o júri da Semana dos Realizadores atribuir-lhe o Prémio Especial para o seu mais recente filme "Palermo Shooting". Os cineastas José Fonseca e Costa e Paul Schrader também serão esta noite agraciados com o Prémio Carreira. Em termos cinematográficos, o FantasPorto 2009 foi responsável pela antestreia em Portugal de “Che - The Argentine” de Steven Soderbergh, “Transsiberian” de Brad Anderson, “Quarantine “ de John Erick Dowdle, “El Greco” de Yannis Smaragdis e “Adam Resurrected” de Paul Schrader. Este FantasPorto 2009 também ficou marcado pela Retrospectiva Cinema e Arquitectura que recuperou vários Blockbusters mundiais como “The Island”, “I Am Legend”, “Blindness”, “Blade Runner” e ”Breaking and Entering”, este ultimo também serviu para prestar homenagem ao falecido cineasta Anthony Minghella.
As secções competitivas e exibicionistas deste FantasPorto 2009 foram tidas pela crítica e pelo público que participou no festival, como as melhores de sempre. Esta convicção é reforçada pelos números de assistência deste ano que deverão superar em 25% os resultados do ano passado. A organização estima que ao longo de duas semanas, cerca de 50.000 pessoas pagaram bilhete para assistirem ao Festival. Este número deverá representar um encaixe financeiro interessante para um Festival que depende largamente de patrocínios e sucessos comerciais. O FantasPorto 2009 termina este Domingo com a exibição de todos os filmes premiados e com a certeza da realização da 30ª edição que deverá ocorrer entre 26 de Fevereiro e 6 de Março de 2010.

Secção Oficial Cinema Fantástico:

Grande Prémio Melhor Filme FantasPorto 2009
“Idiots And Angels” de Bill Plympton

Prémio Especial do Júri/Prémio Super Bock
“Hansel & Gretel” de Phil-sung Yim

Melhor Realização
James Watkins por “Eden Lake”

Melhor Actor
Jack O’Connel por “Eden Lake”

Melhor Actriz
Macarena Goméz por “SexyKiller”

Melhor Argumento
"Idiots And Angels” de Bill Plympton

Melhor Fotografia
“The Unborn”

Melhor Curta-Metragem
“Next Floor” de Denis Vileneuve

Menção Honrosa do Júri Internacional
“Astropia” de Gunnar Gudmundsson

19º Semana dos Realizadores:

Grande Prémio Manoel de Oliveira
"Moscow, Belgium" de Christophe Van Rompaey

Prémio Especial do Júri
“Palermo Shooting” de Win Wenders

Melhor Realizador
Bent Hamer por “O’Horten”

Melhor Actor
Brian Cox por “The Escapist”

Melhor Actriz
Mamatha Bhukya por “Vanaja”

Melhor Argumento
Sergey Rokotov e Yevgeniy Nikishow por “The Vanished Empire”

Secção Oficial Orient Express:

Melhor Filme
“Hansel & Gretel” de Phil-sung Yim

Prémio Especial do Júri
“The Chaser” de Hong-Jin Na
Outros Prémios:

Prémio Méliès de Prata
“Absurdistan” de Veit Helmer

Prémio Méliès de Prata Curta-Metragem
“Mamá” de Andy Muschietti

Prémio da Crítica
“ Delta" de Kornel Mundruczo

Prémio do Público JN
"The Wrestler" de Darren Aronofsky

Prémio Carreira
Wim Wenders, José Fonseca e Costa e Paul Schrader
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Em termos gerais, o realizador é tido como o criador da obra cinematográfica. O trabalho dum cineasta engloba uma série de funções essenciais para a perfeita execução e criação dum filme. É da exclusiva competência do realizador a direcção das filmagens e a sua natural organização e planeamento mas também é da sua competência, a supervisionação de todos os trabalhos artísticos e técnicos que ocorrem paralelamente às filmagens. Em suma, o realizador é o líder do filme e é sempre ele que arca em primeira instância com as consequências do sucesso ou fracasso da sua obra. Esta pressão e complexidade laboral, limita o exercício desta complicada profissão a um certo número de pessoas e mesmo essas acabam geralmente por fracassar ou por nunca ultrapassar a mediocridade. Apenas um punhado de cineastas consegue singrar na 7ª arte graças ao seu inerente talento e á sua capacidade de liderar e supervisionar os seus empregados e colaboradores. Todos nós temos um realizador favorito que nos faz ver repetidamente todas as suas obra e que nos faz esperar com ansiedade o seu próximo trabalho. Aqui ficam os realizadores favoritos dos colaboradores do Portal Cinema, aproveite também para nos dizer quem é o seu realizador favorito.

Álvaro Martins – Stanley Kubrick
A minha escolha, após reflexão cuidada e custosa, recai no mestre Stanley Kubrick. Não é fácil escolher um entre tantos génios do cinema como Scorsese, Woody Allen, Bergman, Fellini, Visconti, Buñuel, Orson Welles, Kazan, Rossellini, Kusturica, Lynch, Cronenberg, Pasolini, Leone, Truffaut, Godard, Eisenstein, Sokurov, Tim Burton, Alain Resnais, Thedor Dreyer, Malick, Ferrara, Fritz Lang, Antonioni, Polanski, Tarkovski, Shoei Imamura, Abbas Kiarostami, Tati, Chaplin, Wim Wenders, Greenaway, Murnau, Griffith, De Sica, Hitchcock e muitos mais que ficam esquecidos. Escolhi Kubrick porque entre os seus 16 filmes, encontramos pelo menos 10 obras de arte cinematográficas. “2001, A Clockwork Orange”, “Spartacus”, “The Shining”, “Full Metal Jacket”, “Eyes Wide Shut”, “Lolita”, “Barry Lyndon”, etc.


Ana Campos – Sofia Coppola
O meu realizador preferido talvez pareça uma escolha inusitada mas é uma mulher, Sofia Coppola. Talvez por sermos da mesma geração - nascemos no mesmo ano com um mês de diferença - encontro no trabalho desta realizadora uma narração madura, não fosse ela pertencente à família a que é, e simultaneamente uma marca muito pessoal; muito diferente do cinema comercial norte-americano e extraordinariamente feminina. O seu cinema é claramente um cinema sensível, subtil mas sem exageros, controlado. Filmes como “Marie Antoinette” ou “Lost in Translation” são obras que nos surpreendem completamente apesar de à partida abordarem questões recorrentes.


Ana Pires – Tim Burton
Sempre gostei de cinema e sempre fui espectadora assídua, desde que o meu pai me levava a ver os filmes da Disney. Gostava de filmes de aventuras e de fantasia, de ser transportada para um mundo diferente. Filmes como “O Clube dos Poetas Mortos” e “O Bom Rebelde” ensinaram-me como o cinema era um extraordinário veículo de emoções e histórias tocantes. Mas olhando para trás, acho que consigo dizer com exactidão o momento em que me tornei cinéfila. Foi há cerca de 10 anos, tinha 16, quando vi no cinema a apresentação de “Sleepy Hollow” (“A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”). Ao passarem-me aquelas imagens monocromáticas pelos olhos, senti uma inesperada empatia, algo no meu subconsciente despertou e encontrou uma tremenda afinidade com a informação óptica que o meu cérebro estava a receber. “A Tim Burton film”. Tim Burton? Foi o tipo que fez “O Estranho Mundo de Jack”. Filme que tinha visto quando tinha uns 11 anos no King com o meu pai. Nunca mais tinha visto o nome, mas soube logo quem era. Fui imediatamente pesquisar e descobri que ele era responsável por mais dois filmes marcantes da minha infância: “Eduardo Mãos-de-Tesoura” e “Batman Regressa”. Aos 9 ou 10 anos estes filmes parecem demoníacos! Revi-os pouco tempo depois e fiquei maravilhada com a estética, a visão, a sensibilidade, como tudo parecia ser retirado de lugares recônditos da minha mente, como tudo revelava o tormento do “apátrida”, a necessidade de encontrar o seu lugar numa sociedade implacável e saber que tal não é alcançável, sempre embebido num simbolismo imagético tocante e único. Tim Burton ensinou-me a sentir o cinema de forma diferente, deu um mundo com o qual se identificar a uma adolescente atormentada.


António Sousa – Stanley Kubrick
Como muitos de vocês saberão Kubrick é sempre aquele cineasta de referência para mim. O seu perfeccionismo técnico é invejável e uma referência para o cinema em geral. Como Stanley Kubrick já não se encontra presente para nos brindar com a sua mestria, devo dizer que o cineasta que me faz ir ao cinema pela coesão da sua filmografia é P.T Anderson. Um realizador que segue sempre um caminho linear porque nos apresenta filmes que se aproximam quase sempre do estatuto de obra-prima (mesmo os filmes menores como "Sydney" ou "Punch Drunk Love" são filmes excelentes, sendo "Magnólia" o seu tour de force). Um cineasta que suscita sempre curiosidade aquando a estreia dum projecto seu e que nunca desilude.


Bruno César Rodrigues – Steven Spielberg
Escolha muito difícil, mas dentro de um rol de realizadores, (Oliver Stone, Steven Spielberg, Bernado Berttolucci, Stanley Kubrick) a minha escolha vai para Steven Spielberg pelo que já deu à sétima arte e pelo que ainda poder trazer! Realizador multifacetado, com grandes obras em épocas distintas! Ele é sem dúvida, o cineasta associado a mais sucessos de bilheteira, porém os seus filmes não encontram na academia o aplauso que merece do público. “A Lista de Schindler” foi a excepção!


JT – Alfred Hitchcock
Actualmente, o cinema mundial está repleto de talentosos cineastas mas o meu realizador favorito pertence à velha guarda e infelizmente já não se encontra entre nós. Para mim, Alfred Hitchcock é o rei dos realizadores e a provar esta minha convicção estão as suas 52 obras cinematográficas, criadas ao longo de 50 anos de carreira. Cada uma destas obras encerra uma qualidade e uma originalidade impressionante e muitas delas conseguiram um lugar privilegiado na história do cinema. Entre os grandes sucessos deste realizador está o magnífico “Psycho” e os incríveis “The Birds” e “Rear Window”, filmes que ainda hoje dão que falar e que se mantém firmes nas diversas listas dos Melhores Filmes de Sempre. A Academia nunca o agraciou com o Óscar de Melhor Realizador, uma falha imperdoável que ainda hoje é lamentada por muitos, no entanto, a grandeza de Alfred Hitchcock não precisa de prémios para ser reconhecida, ela é simplesmente natural e absoluta.


Liliana Pereira – John Carpenter
Inicialmente pensei em Tim Burton ou em Stanley Kubrick, dois realizadores que me dizem bastante mas em última análise é John Carpenter que merece esta minha distinção porque os seus trabalhos sobrenaturais e terroríficos, mexem comigo a um nível extremo. Apesar de não ser um cineasta conhecido pelo seu êxito comercial, Carpenter é um génio reconhecido da 7ª arte, afinal de contas estamos perante o criador do magnífico “Halloween”. Para além desta sua obra-prima, Carpenter também nos trouxe “The Thing” e “The Fog”, dois enormes filmes que arrepiam a espinha de qualquer um. Este ícone do cinema independente já leva 30 anos de carreira e merece o nosso eterno respeito e reconhecimento.


Ricardo Marques – Martin Scorsese
O senhor cinema - Martin Scorsese. O realizador italo-americano será talvez um dos últimos exemplos do cinéfilo convertido a realizador. A sua filmografia é variada, com altos e baixos. A diferença, essa, está no simples facto de mesmo o pior do seu cinema estar sempre a um nível muito bom. Temas como redenção, crime e castigo, relação do eu com o outro, urbanismo, fé... fazem parte do seu imaginário. Scorsese empresta aos seus filmes uma quase obsessão na atenção aos detalhes, procurando harmonizar com rigor câmara, texto e elenco, alcançando um brilhantismo que dificilmente é igualado. De um filme Scorsese extraímos sobretudo o movimento da câmara. A ideia parece ser em muitos casos chamar a atenção da audiência para a própria arte de fazer cinema, como que apagando a "arte de continuidade" que gerações de Hollywood ajudaram a cimentar. O último documentário de Martin Scorsese, “Shine a Light”, ilustra bem isso... o autor é omnipresente


Rita Dias – Stanley Kubrick
Posso perfeitamente dividir a minha vida cinéfila num AK/DK (antes de Kubrick e depois de Kubrick). O meu hedonismo visual começou com ele, mais exactamente com "A Clockwork Orange". Aos meus 17 anos algo de estrondoso chegou até mim para me acordar da insipiência das minhas visualizações pouco esforçadas/exigentes. Perfeito, saturada e genialmente esforçado em cada plano, ímpar!


Rui Madureira – Steven Spielberg
Estive um pouco indeciso entre Steven Spielberg e Tim Burton, mas acabei por optar por Spielberg por ser de facto o melhor realizador da actualidade, e talvez de todos os tempos. Spielberg é um realizador único que possui um verdadeiro dom para contar histórias através de uma câmara de filmar. Aquilo que ele faz atrás das câmaras é pura magia e quase todos os filmes da sua vasta filmografia são considerados obras de culto que marcaram a História do cinema. Spielberg já experimentou quase todos os géneros cinematográficos, desde o filme de aventuras ao filme dramático, e em todos eles foi capaz de criar um filme cativante, original e com uma qualidade acima da média. Spielberg é também um criador de mitos e ícones na Sétima Arte. Quem não conhece o destemido Indiana Jones? Quem não se lembra do impacto dos dinossauros em "Jurassic Park"? Quem não ficou aterrorizado com o tubarão de "Jaws"? Quem não chorou com a crueldade do ser humano patente em "Schindler's List"? Quem não passou a ver os extra-terrestres de um modo diferente após "E.T."? Steven Spielberg é provavelmente o realizador mais famoso de todo o mundo e não há profissional do cinema que não sonhe em trabalhar com ele. Todos dizem que o seu modo de trabalhar é único, que ele é o realizador mais rápido e com mais recursos num set e todos ficam em alvoroço quando estreia mais um dos seus filmes. Para além de tudo isto, Spielberg foi o realizador que realmente conseguiu juntar o júbilo da crítica e do grande público. Os seus filmes são sempre feitos para e a pensar no grande público, e ainda assim o realizador consegue criar obras de extrema qualidade que cativam de igual forma os críticos e os cinéfilos. Spielberg venceu já 2 Óscares como realizador (por "Schindler's List" e "Saving Private Ryan") e recebeu este ano o prémio Cecil B. DeMille pela sua grande carreira e pelo seu contributo para o cinema. Criador de mitos e lendas, Steven Spielberg passou a ser ele mesmo um mito e um ícone da Sétima Arte.
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Realizado por Darren Aronofsky
Com Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood

Randy "The Ram" é um lutador de wrestling outrora nos píncaros da fama e da glória, como o realizador faz questão de nos mostrar com algum detalhe logo no genérico inicial. Encontramo-lo velho, falido e só mas, sacrificando a sua já débil saúde, teimosamente ligado e dependente do que sente ainda dar sentido aos seus dias: lutar, fazer no ringue o que há muito já desistiu de tentar na vida. O cenário é a América dos subúrbios (neste caso New Jersey), escondida de qualquer cartão de visita da tão propalada "terra das oportunidades", onde participa em combates realizados em salas pequenas, apenas para sentir o apoio dos poucos que ainda o lembram e conseguir uns míseros trocos que mal chegam para a renda e os medicamentos. Com uma reedição do combate que 20 anos antes o tornara famoso, sente uma nova oportunidade de voltar ao esterlato, mesmo que apenas por uma noite, intensificando ainda mais a sua rotina de treino e dedicação à única companhia a que se manteve fiel em toda a sua vida. Mas um precalço leva-o a questionar o seu percurso, conduzindo-o a um regresso a feridas que deixou abertas no passado e que quer tentar sarar, antes que o tempo o derrote no combate para manter a vida.


Mickey Rourke regressa aos grandes palcos e Aronofsky proporciona-lhe o papel de uma vida. É um daqueles casos em que temos a sensação que realizador e actor principal estavam destinados a encontrar-se e que Rourke foi em dúvida a 1ª escolha. Mas na realidade não foi isso que sucedeu. Como Rourke revelou em diversas ocasiões, Aronofsky contactou-o mas, consciente da sua fama de "bad boy" destrutivo e intratável, aceitou trabalhar com ele com a condição de que não lhe poderia pagar e de que nunca aceitaria que ele o desrespeitasse em frente à equipa, isto caso conseguisse angariar o dinheiro necessário para concretizar o filme, tarefa dificultada a partir do momento em que Rourke fosse parte do elenco. A dupla resultou na perfeição, com Aronofsky a defendê-lo contra tudo e todos e Rourke a ter inclusivé liberdade para fazer adaptações no guião. Os resultados não tardaram. O triunfo auspicioso do Leão de Ouro em Veneza foi o início de um percurso memorável no último ano, com a aclamação unânime da actuação de Rourke e de um filme singular, pela sua frontalidade e honestidade.É um caso típico do que os anglo-saxónicos apelidam de "art imitating life", já que é demasiado óbvio o paralelo entre o protagonista e homem por detrás dele. Ambos trilham o mesmo caminho de procura do tempo perdido e do potencial dos tempos em que estavam no topo, mantendo a perserverança e, a cada passo novo, recuperando a auto-confiança.
O filme transcende a realidade dos bastidores do wrestling e foca-se antes na natureza humana, no imenso manancial de tenacidade que cada um de nós, mais sonhadores e solitários como "The Ram" ou mais realistas, temos perante uma oportunidade da fazer a vida valer a pena. Aqui fala-se de um dos sentimentos mais transversais e inevitáveis no Homem, qualquer que seja o seu estado de alma ou a sua profissão: a esperança de dias melhores. E até onde somos capazes de chegar em busca da felicidade, mesmo que esse caminho traga consigo a solidão. Faltou o Oscar a Rourke. Mas o regresso a que todos assistimos, esse ninguém lho tira.

Classificação - 4 Estrelas Em 5
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Realizado por Darren Aronofsky
Com Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood

Esta mais recente obra de Aronofsky é uma das grandes injustiças da edição dos Óscares deste ano, mas não é surpresa a Academia de Hollywood ignorar um filme como “The Wrestler”, pois é uma produção independente e a violência que perfaz todo o filme nunca agradou a Hollywood.
“The Wrestler” traz-nos uma análise minuciosa do mundo do Wrestling. Mostra-nos a violência que todo o espectáculo acarreta, o companheirismo entre os lutadores, os movimentos combinados, a auto-flagelação em prol do espectáculo, enfim, mostra-nos os bastidores do Wrestling. Aronofsky traz-nos a história de Randy Robinson (The Ram) (Mickey Rourke), uma estrela do Wrestling, que vinte anos após o seu auge como lutador profissional luta agora em lugares de baixa categoria. Embora o seu auge tenha passado, The Ram continua a ser um ídolo para os fãs do Wrestling, desde crianças a adultos e para os seus companheiros que o vêem como um professor ou mestre entre eles. Aronofsky retrata-nos o submundo da luta livre americana de forma soberba. The Wrestler oscila entre o espectáculo da luta livre americana e a personalidade de um lutador, que já em decadência tem um ataque cardíaco que dita o seu afastamento da única coisa que sabe e quer fazer. Aronofsky mostra-nos os truques, os segredos, os podres do Wrestling, enquanto nos conta a história de Randy fora desse mundo que ele tanto gosta. É aqui que o filme se expande psicologicamente, com Rourke a encarnar na perfeição um homem solitário, não só pelas circunstâncias da vida, mas também pelas suas próprias escolhas. Aronofsky pretende nos mostrar, e penso que não é para generalizar, a incompatibilidade do Wrestling para com uma vida estável emocional e familiar. Por outro lado, quando o inevitável chega, e por inevitável refiro-me ao ter que abandonar o ringue, este homem solitário e desajeitado tenta reconstruir relações que outrora não se preocupou em sustentar, neste caso a relação com a sua filha Stephanie (Evan Rachel Wood). E quando este tentar de aproximação e reconquista da relação pai/filha que há muito se perdera falha, esta alma errante que Aronofsky nos tenta fazer crer que apesar de querer construir; aqui com a stripper Cassidy (Marisa Tomei); e reconstruir relações emocionais e familiares que tragam algum sentido à sua vida após a dura realidade do abandono, quando toda esta manobra de substituição daquilo que realmente fazia sentido na sua vida falha, este escolhe arriscar/sacrificar a vida em prol de um estado psicológico que lhe traga algum conforto emocional e prazer físico. Ou seja, o wrestling era na sua essência aquilo que o definia e o fazia estar bem consigo próprio, na realidade era a sua própria vida. Privado do Wrestling, Randy desespera e tenta compensar com o tempo perdido, com relações que nem ele próprio acredita terem sucesso. Por isso, num pequeno/grande esforço no reaproximar da filha que lhe traz esperanças num futuro radioso, mesmo sem poder lutar, após esse esforço com sucesso Randy perde-se no seu mundo e perde mais uma vez a oportunidade de concretizar esse sonho duma relação saudável de pai e filha. É aqui que percebemos que este homem solitário, desajeitado e perdido (após deixar de lutar), não será nunca capaz de manter uma relação, apesar de a ansiar e procurar. É depois deste insucesso em criar laços com a filha, que Randy tenta mais uma vez estabilizar a vida, desta vez profissionalmente, quando arranja um trabalho num supermercado. Mas, tal como nas relações em que não consegue mantê-las, também aqui Randy mostra que não consegue aguentar uma vida normal. Aronofsky cria aqui o momento perfeito para nos definir a essência e a personalidade de Randy, quando um homem o reconhece no supermercado e ele nega a sua identidade. Aqui, ao interiorizar que ainda é um ídolo do wrestling para muita gente, Randy simplesmente desiste de tentar ser mais um “Zé-ninguém” trabalhador de um super-mercado. É aqui que percebemos que Randy gosta de ser um ídolo, que gosta de ser conhecido e de ser famoso. Quando percebe que mesmo noutra profissão ainda é reconhecido, questiona-se o que faz ali, reconhece apesar da tentativa em contrário que o seu lugar é na luta livre, que isso é a sua vida e que sem o wrestling não vale a pena viver. Descobrimos assim que, a sua paixão pela luta e por aquele estilo de vida era mais forte do que qualquer relação, amorosa ou familiar. Penso até que essa paixão pela luta era mais forte que ele próprio.
Este é um filme com uma grande carga emocional, violento, cru e realista. O argumento de Robert Siegel é muito bom e a prova disso é ser um dos pontos fortes do filme, bem como a fotografia, a realização de Aronofsky e as interpretações de Mickey Rourke e de Marisa Tomei, ambos nomeados para o Óscar de Melhor Actor e Melhor Actriz Secundária, respectivamente. Este The Wrestler é para mim um dos melhores filmes do ano de 2008 a par de Gomorra e The Hunger, sendo assim necessário expressar aqui o meu desagrado à sua ausência na categoria de Melhor Filme e Melhor Realizador na Academia de Hollywood.

Classificação - 4,5 Estrelas Em 5

2ª Crítica - AQUI
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Realizado por Chuck Workman
Vencedor do Óscar de Melhor Curta-Metragem (1987)

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Have you ever seen a one trick pony in the field so happy and free?
If you've ever seen a one trick pony then you've seen me
Have you ever seen a one-legged dog making its way down the street?
If you've ever seen a one-legged dog then you've seen me

Then you've seen me, I come and stand at every door
Then you've seen me, I always leave with less than I had before
Then you've seen me, bet I can make you smile when the blood, it hits the floor
Tell me, friend, can you ask for anything more?
Tell me can you ask for anything more?

Have you ever seen a scarecrow filled with nothing but dust and wheat?
If you've ever seen that scarecrow then you've seen me
Have you ever seen a one-armed man punching at nothing but the breeze?
If you've ever seen a one-armed man then you've seen me

Then you've seen me, I come and stand at every door
Then you've seen me, I always leave with less than I had before
Then you've seen me, bet I can make you smile when the blood, it hits the floor
Tell me, friend, can you ask for anything more?
Tell me can you ask for anything more?

These things that have comforted me, I drive away
This place that is my home I cannot stay
My only faith's in the broken bones and bruises I display

Have you ever seen a one-legged man trying to dance his way free?
If you've ever seen a one-legged man then you've seen me

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Já estreou em Portugal, um dos filmes sensação de 2008. O caminho glorioso deste “The Wrestler” iniciou-se no Festival de Veneza onde mereceu um amplo destaque da imprensa mundial, seguiram-se várias passagens gloriosas por outros festivais de cinema e em Dezembro estreou finalmente nos EUA, onde obteve um sucesso moderado no Box Office. Agora “The Wrestler” chega finalmente a Portugal, um país que nos últimos anos tem acolhido fervorosamente a modalidade que o filme aborda o que desde logo, faz antever uma corrida dos fãs portugueses de Wrestling ao cinema. Esta obra marca também o renascimento de Mickey Rourke na 7ª arte. Após alguns anos nas sombras de Hollywood, este polémico actor renasce das cinzas para nos brindar com mais uma excelente performance, um pouco à semelhança da personagem que interpreta no filme.


Trailer
Behind The Scenes
Entrevista a Mickey Rourke
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O Wrestler (The Wrestler)
Realizado por Darren Aronofsky
Com Evan Rachel Wood, Marisa Tomei, Mark Margolis, Mickey Rourke
Género – Drama
Duração – 109 Min
País de Origem – EUA
Sinopse – A história do filme tem como pano de fundo o mundo do Wrestling nos EUA mas é nos escalões mais amadores e secundários desta modalidade que encontramos o protagonista da história, Randy "The Ram", uma antiga estrela da modalidade que atingiu o seu auge profissional nos anos 80 e que agora vive numa roulote. Randy sobrevive a trabalhar num supermercado e a fazer combates de exibição em pequenos recintos, junto com outros profissionais tão acabados como ele ou com jovens em início de carreira. Randy perdeu o contacto com a filha que abandonou quando era pequena e conta apenas com a amizade de uma simpática stripper. Um dia, após um combate de uma brutalidade invulgar, tem um ataque de coração e é operado de emergência. Salva-se por uma unha negra e o médico diz-lhe que tem que desistir de lutar. Mas Randy quer sair em grande da profissão, mesmo que isso signifique arriscar a vida.

Histórias para Adormecer (Bedtime Stories)
Realizado por Adam Shankman
Com Adam Sandler, Courteney Cox, Guy Pearce, Keri Russell
Género – Comédia
Duração – 99 Min.
País de Origem – EUA
Sinopse – Uma hilariante aventura com Adam Sandler como Skeeter Bronson, um vulgar empregado de um hotel cuja vida sofre uma total reviravolta quando as histórias que ele conta para adormecer os sobrinhos, começam misteriosamente a acontecer. Ele tenta aproveitar-se do fenómeno, incorporando as suas próprias aspirações em contos estranhos, um a seguir ao outro, mas são as contribuições inesperadas dos seus sobrinhos que viram a vida de Skeeter de pernas para o ar!
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De Joel Hopkins
Com Dustin Hoffman, Emma Thompson, Eileen Atkins, Kathy Baker

"Last Chance Harvey" não é original. Não parte de uma premissa nunca antes vista nem tão-pouco se desenrola surpreendentemente ou com qualquer tipo de reviravolta. Mas, dependendo do ponto de vista, esta qualidade do filme tanto pode resultar na razão do seu fracasso como precisamente na sua maior força. Porque, na verdade, "Last Chance Harvey" não tem qualquer pretensão de ser um filme diferente ou marcante. É antes um relato simples, mas sem deixar de ser tocante, de um encontro entre duas pessoas. É um "rapaz-encontra-rapariga" na meia idade.

Harvey (Dustin Hoffman) é um nova-iorquino que compõe músicas para anúncios publicitários mas cujo talento se vê ultrapassado pelas novas tecnologias e pela nova geração que as domina. Kate (Emma Thompson) é uma londrina solitária responsável pelo departamento de estatística do aeroporto de Heathrow com uma mãe paranóica e uma amiga empenhada em lhe arranjar encontros amorosos com desconhecidos. O primeiro breve encontro do par não só resume na perfeição o estado de espírito das personagens, como define o tom e o tema da história: duas pessoas que não se encaixam no tempo em que vivem, que não se revêem nas pessoas que conhecem e que estão simplesmente cansadas de tentar, limitando-se a viver desapaixonada e conformadamente. O curioso é que este encontro acontece passado pelo menos um terço de filme, senão metade. Até aqui acompanhamos os protagonistas nas suas tentativas frustradas de inserção/socialização, em especial no que diz respeito a Harvey. Sendo um filme de actores, no retrato de homem amargo e que perdeu algo pelo caminho a escolha não poderia ter sido mais certeira. Um Dustin Hoffman real, envelhecido, totalmente desprovido de artifício, filmado grande parte das vezes em grande plano para enfatizar tudo isto, capta uma solidão que parece verter de todos os poros, patente e dolorosa. Na viagem da personagem a Londres para assistir ao casamento da filha, a sua alienação da família originada pela sua ausência enquanto pai e o seu fracasso enquanto marido, que culminam no padrasto perfeito, delineiam uma pessoa estilhaçada que vê o seu emprego, a sua última utilidade, escapar-se-lhe também.

Trata-se portanto de um homem sem nada a perder que encontra uma mulher tão marcada pela desilusão que já encontra conforto nela e na sua certeza (a personagem de Emma Thompson faz lembrar a que interpretou em “O Amor Acontece” numa realidade alternativa). E daí se aceita com naturalidade que haja uma empatia imediata e não explicada entre eles, de tal forma que Harvey insiste em seguir Kate para todo o lado. É a sua última oportunidade. A partir daqui, o filme transforma-se numa espécie de “Antes do Amanhecer” sénior, mas sem os pensamentos filosóficos nem o anseio do conhecimento recíproco, porque não é necessário nem vale a pena. É aqui que começa a saber a pouco. É aqui que pela primeira vez fazem falta explicações, é um argumento pouco rico que se apoia claramente na força e expressividade dos actores, incumbindo-os de veicular toda a emoção da história. Ao que eles respondem com todo o mérito, visto serem os actores grandiosos que são. A realização é linear, competente no retrato individual, melancólica mas luminosa, não arrebatadora.
O que nos remete para a introdução deste texto: ou aceitamos a simplicidade do filme ou apontamo-lo como simplista ou simplório. O impacto emotivo depende essencialmente da sensibilidade de quem o vir. Se não compreendemos as motivações das personagens, dificilmente acharemos o filme digno de nota. Para os corações moles (como eu) o filme tem o seu encanto. A melhor cena: tentativa de Kate em explicar com gestos o que é um "upperlip stiffer" (empertigado, mas que numa tradução literal seria algo como "lábio superior retesado") ao descrever os modos dos britânicos!

Classificação - 3,5 Estrelas Em 5
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Com a estreia nacional de “The Wrestler” marcada para esta quinta-feira (26/02), o Portal Cinema resolveu ir ao baú das recordações para vos apresentar “Hulk Hogan's Rock 'n' Wrestling”, uma série de desenhos animados onde várias super-estrelas da WWF (Maior Promotora de Wrestling) envolviam-se nas mais diversas e divertidas aventuras. Será que no seu mundo paralelo, Randy “The Ram” também entrava nesta série? Deixamos-vos agora com um dos dezanove episódios desta velinha série animada.


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Realizado por Sam Mendes
Com Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Michael Shannon

Can two people break away from the ordinary without breaking apart? Em torno desta premissa nasce todo o enredo da película. Correm os anos 50 nos subúrbios de Connecticut. Frank e April conhecem-se numa festa e apaixonam-se à primeira vista. Aproxima-os uma visão comum da vida como oportunidade para desafiar as premissas pré-estabelecidas de uma sociedade em que a estabilidade e as aparências prevalecem, em detrimento da afirmação da individualidade e da felicidade de perseguir a verdade interior. No entanto, com o avançar da vida a dois, acabam por cair no mesmo marasmo que os rodeia, acomodando-se nessa falsa segurança de serem especiais, quando, de facto, já eram apenas mais um casal. Ela uma doméstica tratando dos 2 filhos do casal e ainda recuperando da frustração de falhar uma carreira como actriz. Ele enterrado num aborrecido mas relativamente bem pago emprego num escritório. Chegam as dúvidas, os desvios no caminho traçado a dois, a consciência da impotência perante a força dos ditâmes do convencionalmente estabelecido como normal e aceitável. Até que April cria um plano para uma mudança radical que lhes permitiria tomarem de volta as rédeas das suas vidas.

"If being crazy is living life as if it mattered, I don´t care if we´re insane"

Mas a paixão, os sonhos, a felicidade imaginada e desejada chocam brutalmente com a realidade. O vazio interior soma-se à angústia criada com este choque. Para além das brilhantes interpretações, quer dos protagonistas, quer de todos os actores secundários, com destaque para Winslet que enche o ecrã com o melhor papel da sua carreira e para um desconcertante Michael Shannon (que mereceu a nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário), Sam Mendes (servindo-se do romance homónimo de Robert Yates) pinta um fresco profundo e introspectivo da sociedade americana do pós-2ª Guerra Mundial que, embora aparentemente foque problemas temporalmente localizados, como a ausência de emancipação da mulher na sociedade e no casamento, deixa inevitavelmente a um olhar mais atento um frio no estômago, pela percepção de que, em mais de meio século, pouco mudou. Uma das melhores obras cinematográficas do ano.

Classificação - 5 Estrelas Em 5

Escrito e Enviado por Devil Advocate
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Não houve grandes surpresas no ano em que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas tentou alterar de forma revolucionária o formato da cerimónia, beneficiando o espectáculo e a magia do evento. Optando por um estilo mais musical, em detrimento de uma abordagem mais cómica, finalmente a Academia foi capaz de encontrar o tónico para devolver o glamour e a grandeza aos Oscar. Hugh Jackman esteve impecável como apresentador, numa noite marcada pela grande vitória de Danny Boyle e o seu surpreendente “Slumdog Millionaire”. Foram 8 as estatuetas alcançadas pelo belo filme de Boyle, obliterando o seu maior rival – “The Curious Case of Benjamin Button” – que se ficou por apenas 3 Oscar. Sean Penn conseguiu roubar o prémio a Mickey Rourke e Kate Winslet confirmou finalmente a vitória tão esperada. Nas categorias de interpretação secundárias Penélope Cruz venceu o primeiro Oscar da sua carreira, prémio que também não fugiu a Heath Ledger que assim foi reconhecido pelo seu enorme papel como Joker em “The Dark Knight”. A família de Ledger recebeu o prémio com orgulho, num dos momentos mais amargos e emocionantes da noite. Com 6 nomeações, “WALL-E” acabou por vencer apenas na categoria que já todos esperavam (Melhor Filme de Animação), vitória que apesar de ser no galardão mais apetecido, acaba por ser escassa dada a qualidade transcendental do filme. Numa noite de poucas surpresas (no que aos prémios diz respeito), talvez a única grande surpresa tenha ocorrido na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, já que o filme japonês “Departures” ganhou a corrida aos aparentemente favoritos “Waltz With Bashir” e “Entre les Murs”. E assim foi mais uma noite cheia de magia revitalizada pelo magnífico Hugh Jackman! Esperemos que ele volte no próximo ano. Até lá, o Portal Cinema deixa-vos com os grandes vencedores da 81ª edição dos Oscar. Lista Completa de Vencedores:

Best Picture (Melhor Filme)
Slumdog Millionaire

Best Director (Melhor Realizador)
Danny Boyle

Best Actor (Melhor Actor)
Sean Penn

Best Actress (Melhor Actriz)
Kate Winslet

Best Supporting Actor (Melhor Actor Secundário)
Heath Ledger

Best Supporting Actress (Melhor Actriz Secundária)
Penélope Cruz

Best Animated Feature Film (Melhor Filme Animado)
WALL-E

Best Foreign Film (Melhor Filme Estrangeiro)
Departures (Japão)

Best Original Screenplay (Melhor Argumento Original)
Dustin Lance Black (Milk)

Best Adapted Screenplay (Melhor Argumento Adaptado)
Simon Beaufoy (Slumdog Millionaire)

Best Original Score (Melhor Banda Sonora)
A. R. Rahman (Slumdog Millionaire)

Best Original Song (Melhor Música Original)
Jai Ho (Slumdog Millionaire)

Best Sound Mixing (Melhor Mistura de Som)
Slumdog Millionaire

Best Sound Editing (Melhor Edição de Som)
The Dark Knight

Best Film Editing (Melhor Edição)
Slumdog Millionaire

Best Cinematography (Melhor Fotografia)
Slumdog Millionaire

Best Art Direction (Melhor Direcção de Arte)
The Curious Case of Benjamin Button

Best Special Efects (Melhores Efeitos Especiais)
The Curious Case of Benjamin Button

Best Costume Design (Melhor Guarda-Roupa)
The Duchess

Best Makeup (Melhor Caracterização)
The Curious Case of Benjamin Button

Best Documentary Feature (Melhor Documentário)
Man on Wire

Best Documentary - Short Subject (Melhor Documentário Curto)
Smile Pinki

Best Live Action Short Film (Melhor Curta-Metragem)
Toyland

Best Animated Short Film (Melhor Curta-Metragem de Animação)
La Maison en Petits Cubes
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01:00 – TVI (Portugal)
22:00 – TNT Brasil (Brasil)
20:00 – ABC (EUA)

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Todos os anos antes dos Óscares, são distribuídos os Razzies, os prémios que consagram os piores da 7ª arte. Este ano, a cerimónia foi dominada por Paris Hilton que conquistou três prémios pelas suas actuações em 2008. O filme “The Love Guru” e o realizador Uwe Boll foram os outros dois grandes vencedores (perdedores) da noite. Conheça agora a lista oficial dos piores de 2008.

Worst Picture (Pior Filme)
The Love Guru

Worst Actor (Pior Actor)
Mike Myers (The Love Guru)

Worst Actress (Pior Actriz)
Paris Hilton (The Hottie and the Nottie)

Worst Supporting Actress (Pior Actriz Secundária)
Paris Hilton (Repo: The Genetic Opera)

Worst Supporting Actor (Pior Actor Secundário)
Pierce Brosnan (Mamma Mia!)

Worst Screen Couple (Pior Casal)
Paris Hilton and Christine Lakin or Joel David Moore (The Hottie and the Nottie)

Worst Prequel, Remake, Rip-off or Sequel (Pior Sequela ou Remake)
Indiana Jones and The Kingdom of The Crystal Skull

Worst Director (Pior Realizador)
Uwe Boll (1968: Tunnel Rats, In The Name of The King: A Dungeon Siege Tale, Postal)

Worst Screenplay (Pior Argumento)
The Love Guru

Worst Career Achievement (Pior Carreira)
Uwe Boll
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Nomeação Óscar 2009 - Best Animated Short Film (Melhor Curta-Metragem de Animação)

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Realizado por Thomas McCarthy
Com Danai Jekesai Gurira, Haaz Sleiman, Richard Jenkins

A inclusão de Richard Jenkins no restrito quinteto de nomeados ao Óscar de Melhor Actor Principal, causou alguma surpresa junto da comunidade cinéfila porque afastou Leonardo DiCaprio (Revolutionary Road) e Clint Eastwood (Gran Torino) da corrida ao prestigiado prémio. Após visionar “The Visitor”, compreendo perfeitamente a decisão da Academia e acredito que esta nomeação premeia em simultâneo o grande trabalho empreendido pelo actor e a ampla qualidade do filme que nos conta a história de Walter Vale (Richard Jenkins), um solitário professor de Connecticut que recentemente ficou viúvo e que certo dia se vê forçado a regressar a Nova Iorque para assistir a uma conferência e encontra o seu apartamento de Manhattan ocupado por um jovem casal de imigrantes ilegais. Depois de esclarecida a intromissão, Vale convida o casal, um jovem músico sírio chamado Tarek e a sua namorada senegalesa Zainab, a ficar a viver com ele. Uma improvável amizade acaba por se desenvolver entre o pacato professor Vale e o vibrante Tarek mas os bons momentos, depressa são perturbados pela injusta prisão de Tarek e a sua possível deportação. Vale, que está determinado a ajudar, inicia uma verdadeira cruzada pela libertação do seu mais recente amigo.
O guionista e realizador Thomas McCarthy, apresenta-nos um argumento recheado de temas interessantes e didácticos que explicitam várias visões sociais e culturais da sociedade americana como os ideais antagónicos de xenofobia e abertura internacional, mas também nos apresenta várias visões psicológicas e vanguardistas sobre a amizade e sobre as diferentes formas de procurar novos prazeres na vida. O inicialmente conformista Walter Vale assume uma postura derrotista e negativista perante a vida, fruto da sua solidão e do seu desinteresse pela sua profissão. A idade já lhe pesa e os grandes prazeres da vida já se esfumaram com o tempo, no entanto, tudo muda quando conhece o casal Tarek/Zainab que lhe incute um novo gosto pela vida e pela aprendizagem/absorção de novas experiencias e culturas. Esta progressiva transformação intimista de Vale, alarga-lhe os horizontes e permite-lhe enfrentar a vida com um novo fôlego repleto de curiosidade e interesse. A sua amizade com o casal ilegal rompe todos os estigmas culturais e xenófobos que muitas vezes pautam a sociedade norte-americana, Vale aceita-os como cidadãos legais e como membros de culturas diferentes mas respeitáveis, apesar da sociedade olhar com desconfiança e medo para Tarek, um cidadão de um pais (Sudão) com ligações terroristas e tido como parte integrante do famoso Eixo do Mal. Após a injusta prisão de Tarek, o argumento começa a abordar com mais profundidade, temas relacionados com a xenofobia e descriminação, através de várias cenas e diálogos observamos o lado mais incompreensível da sociedade americana que após o 11 de Setembro ficou mais fechada às culturas estrangeiras. Este isolamento cultural, alimenta a descriminação e a ignorância da sociedade americana que parece alienar as culturas e os problemas do resto do mundo, algo que é socialmente e historicamente incompreensível porque os Estados Unidos da América foram construídos e idealizados por estrangeiros. A história do filme é coerentemente contada através dum ritmo agradável que explicita de forma soberba, uma amplitude de temas interessantes e bastante ricos que despertam facilmente a atenção e a curiosidade do espectador.
O sexagenário Richard Jenkins sempre conseguiu papéis secundários em filmes de relativa importância e qualidade, mas nunca conseguiu um papel principal digno da sua experiência e talento, no entanto, Thomas McCarthy acreditou em Jenkins e deu-lhe a oportunidade de brilhar como protagonista neste “The Visitor”. Esta oportunidade foi bem aproveitada por Jenkins que assinou a sua melhor performance até à data e que lhe valeu a tão aguardada nomeação para um Óscar da Academia. Este drama humanista de Thomas McCarthy, elabora um retrato interessante da sociedade americana que após o 11 de Setembro apreendeu ideias xenófobos amplamente reprováveis que dificultam a vida de qualquer emigrante nos EUA, como ficou provado através das personagens Tarek e Zainab. A par desta problemática social, o argumento do filme também aborda temas mais intimistas directamente ligados à personagem de Richard Jenkins que passou a valorizar a vida e novas experiencias através da amizade e do respeito por pessoas culturalmente diferentes.

Classificação - 4 Estrelas Em 5
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A organização da cerimónia dos Óscares desmentiu esta sexta-feira a autenticidade deste documento publicado num blog - entretanto bloqueado - que traz a lista dos vencedores à estatueta dourada, noticia o jornal «El Pais».
Vários órgãos de informação publicaram o documento, que leva no fundo da página a assinatura do presidente da Academia das Artes e das Ciências Cinematográficas dos EUA, Sid Ganis, e os selos da instituição.
Nesta lista são reveladas categorias e referidos vencedores, e mesmo podendo não corresponder à verdade, acabou por trazer suspeitas de fuga de informação. «Este documento é uma fraude», disse a porta-voz da Academia, Leslie Unger, que esclareceu que as únicas pessoas que sabem quem são os vencedores são as que contam os votos, na PriceWaterHouseCoopers. Há que referir que sendo autêntica ou não, a lista ou será confirmada na noite de domingo, no Teatro Kodak, ou, sendo ligeiramente alterada, pode dar a ideia de que alguém perdeu um Óscar por causa da publicação desta lista.
Fonte IOL
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Após trinta dias de intensa votação, a sondagem do Portal Cinema sobre os Óscares reuniu 1400 votos originais, espalhados pelas quatro categorias. Desde já, o Portal Cinema quer agradecer a todos que participaram nesta votação. Apresentamos agora os resultados desta sondagem.

Melhor Filme Segundo os nossos leitores, o drama “The Curious Case of Benjamin Button” merece o Óscar de Melhor Filme. Esta obra de David Fincher, não deu hipóteses à concorrência e arrecadou 251 dos 435 votos registados nesta categoria. Em segundo lugar ficou “Slumdog Millionaire” com 108 votos e “Milk” fecha o pódio com 44 votos.

The Curious Case of Benjamin Button - 251 - 58%
Slumdog Millionaire - 108 - 25%
Milk - 44 - 10%
The Reader - 20 - 4%
Frost / Nixon - 12 - 3%
Total – 435 Votos

Melhor Realizador Na categoria menos votada da sondagem (265 Votos), os nossos leitores consideraram que David Fincher seria o justo vencedor do Óscar de Melhor Realizador. Esta escolha acompanha assim, a tendência observada na votação de Melhor Filme. Fincher obteve 109 votos contra 87 de Danny Boyle. Gus Van Sant ficou num distante terceiro com 40 votos.

David Fincher - 109 - 41%
Danny Boyle - 87 - 33%
Gus Van Sant - 40 - 15%
Ron Howard - 16 - 6%
Stephen Daldry - 13 - 5%
Total – 265 Votos

Melhor Actriz Principal Esta foi a categoria mais renhida da sondagem e só ficou decidida no último dia, com os nossos leitores a elegerem Kate Winslet como a grande favorita à conquista do Óscar de Melhor Actriz Principal. Angelina Jolie comandou a sondagem até ao inicio desta semana mas foi dramaticamente ultrapassada por Kate Winslet que conquistou assim, a categoria com 136 votos, mais 3 que a actriz de “Changeling”.

Kate Winselt - 136 - 38%
Angelina Jolie - 133 - 37%
Meryl Streep - 56 - 15%
Anne Hathaway - 33 - 9%
Melissa Leo - 2 - 1%
Total – 360 Votos

Melhor Actor Principal Após terem escolhido “The Curious Case of Benjamin Button” e o seu realizador David Fincher, como favoritos nas suas respectivas categorias, os nossos leitores mantiveram a coerência ao elegerem Brad Pitt como o favorito à conquista do Óscar de Melhor Actor Principal. Pitt conquistou 173 votos, mais 72 que o segundo classificado Sean Penn. Mickey Rourke ficou em terceiro com 55 Votos.

Brad Pitt - 173 - 51%
Seann Penn - 101 - 30%
Mickey Rourke - 55 - 16%
Frank Langella - 8 - 2%
Richard Jenkins - 3 - 1%
Total - 340
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13 Nomeações

Melhor Filme, Realizador, Actor Principal (Brad Pitt), Actriz Secundária (Taraji P. Henson), Argumento Adaptado, Montagem, Direcção Artística, Fotografia, Guarda-Roupa, Caracterização, Banda-Sonora Original, Som e Efeitos Especiais
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Realizado por Harald Zwart
Com Andy Garcia, Jean Reno, Steve Martin

Apesar de ter sido arrasada pela crítica em 2006, a primeira obra contemporânea da saga “The Pink Panther” conseguiu obter algum lucro no Box-Office Americano e Internacional, este factor monetário impulsionou a MGM a produzir “The Pink Panther 2 “, a sequela da obra de 2006 que volta a ter Steve Martin no papel de Jacques Clouseau, o Inspector francês mais desastrado de sempre. Quando legendários tesouros começam a desaparecer por todo o Mundo, incluindo o famoso diamante Pantera Cor-de-Rosa, o Chefe Inspector Dreyfus é forçado a enviar Clouseau para integrar uma equipa de detectives e especialistas que têm a missão de recuperar todos os objectos roubados e capturar o ladrão.
A história deste segundo filme mantém o ritmo entediante e desengraçado da primeira obra, as situações humorísticas continuam a ser pautada por pouca comédia e o enredo continua a apresentar-nos uma história oca e repleta de diálogos pouco divertidos sem grande sentido. A realização de Harald Zwart, pouco ou nada faz para alterar o ritmo apático desta desinspirada e aborrecida história que se arrasta durante uma hora e meia. O elenco tem qualidade mas não a demonstra, muito por culpa do argumento e da patética construção de personagens que não deixam as “estrelas”brilhar. Steve Martin mantêm-se longe do seu melhor nível humorístico e Jean Reno também não esta melhor. Andy Garcia é outra grande “estrela” que desilude. Pouco divertida e bastante aborrecida assim é “The Pink Panther 2”, uma obra sem sentido que apenas luta pelos lucros.

Classificação - 1 Estrela Em 5
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Realizado por Lucía Puenzo
Com Ricardo Darín, Valeria Bertucceli, German Palacios, Carolina Peleritti, Inés Efron, Martín Piroyansky

Simples, arrojada, polémica, assim se descreve esta obra de Lúcia Puenzo que nos chega da Argentina. Datado de 2007, “XXY” traz-nos a história de um hermafrodita de 15 anos. Alex (Inés Efron) é esse jovem, que chegado à fase da adolescência, vê o seu desejo sexual intensificar-se e o tempo começar a escassar, necessitando assim de definir a sua identidade sexual. O hermafroditismo caracteriza-se pela ambiguidade de sexos de um indivíduo, caso que não é muito normal. Quando um indivíduo nasce com estas características, é obvio que a medicina e a ciência ganham aqui um papel relevante na formação desse indivíduo. Experiências, estudos, operações,etc.
Neste caso, quando Alex nasceu, os seus pais, Kraken (Ricardo Darín) e Suli (Valeria Bertuccelli), resolveram “esconder-se do mundo”, numa pequena vila no Uruguai. A ideia dos pais era não mutilar a criança, conscientes do facto de tal ambiguidade sexual não acarretar problemas, fosse de que ordem fosse. Alex vive escondida duma sociedade altamente discriminadora que a faz ter medo do seu próprio corpo. Além disso, quando Suli decide convidar um casal amigo (no qual o marido é um cirugião plástico) com a finalidade de conhecerem Alex, com vista numa potencial futura operação de mudança de sexo, em que aquando dessa visita e estadia desse casal, que traz consigo o filho adolescente de 16 anos, Alvaro (Martín Piroyansky), o ambiente que se cria entre este e Alex vai acelerar o processo de um desejo sexual, próprio e natural de um adolescente, confundindo Alex em relação à questão de sua identidade sexual. Alex atrai-se por Alvaro e vice-versa, mas a surpresa vem quando nos deparamos com um acto homossexual entre estes dois adolescentes. O esforço que os pais de Alex tiveram durante anos a tentar evitar o processo de masculinização com medicamentos, era agora inevitável face ao desejo mais primário de todos, o desejo sexual. Chegado este momento do filme, deparamo-nos com uma dúvida de Alex tão perentória quanto a incerteza relativa à sua identidade sexual (ser rapaz ou rapariga), a dúvida em ser heterossexual ou homossexual.
Confesso que este filme foi, para mim, uma agradável surpresa cinematográfica de 2007. Lucía Puenzo, depois de uma curta-metragem intitulada “Los Invisibles” em 2005, tem com este “XXY” uma excelente obra de estreia. Desde uma fotografia cuidada, passando pelas excelentes interpretações dos dois adolescentes, um argumento sólido, arrojado e polémico como referi em cima até à boa realização de Lucía Puenzo, esta obra merece um lugar de destaque na história do cinema.


Classificação - 4,5 Estrelas Em 5
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É já no dia 22 de Fevereiro que os principais prémios do cinema serão entregues no Kodak Theater em Los Angeles. Antevendo essa cerimónia que será comandada pelo actor Hugh Jackman, irei apresentar as minhas opiniões sobre os nomeados aos Óscares 2009 e as minhas previsões dos vencedores.

Best Picture – Melhor Filme
Previsão – Slumdog Millionaire


Nos últimos dois meses, “Slumdog Millionaire” conquistou cerca de 60 prémios de relativa importância no mundo da 7º arte, incluindo o Golden Globe e o BAFTA para Melhor Filme. Após ter arrasado a concorrência nos prémios que antecederam os Óscares, é de esperar que esta obra de Danny Boyle conquiste o principal prémio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos da América. A concorrência é claramente valorosa e bastante forte e se não existisse “Slumdog Millionaire” tenho a certeza que “The Curious Case of Benjamin Button” e “Milk” seriam os grandes favoritos, mas contra factos não há argumentos e a supremacia de “Slumdog Millionaire” em alguns dos mais importantes prémios do cinema não pode ser negada ou ignorada, logo é bastante previsível que a Academia siga os passos das associações de críticos americanos e mundiais bem como dos prémios Golden Globes, BAFTAs, Critics Choice, NBR, OFCS e Satellite que premiaram esta obra com o galardão de Melhor Filme. A título de curiosidade, os outros quatro nomeados desta categoria conquistaram em conjunto 54 prémios, um número inferior aos 60 conquistados por “Slumdog Millionaire”. Se isto não é supremacia, então não sei o que seja.

Best Director – Melhor Realizador
Previsão – Danny Boyle (Slumdog Millionaire)

Nas últimas duas edições dos Óscares, a Academia entregou o Óscar de Melhor Realizador ao cineasta/s que dirigiu o vencedor do Óscar de Melhor Filme. Acredito que esta tendência irá manter-se este ano porque a meu ver, Danny Boyle fez um trabalho maravilhoso com “Slumdog Millionaire” e é notório que apostou e arriscou bastante nesta obra que sem um grande orçamento e apoio comercial, conseguiu superar nas bilheteiras e na opinião crítica, obras megalomaníacas e colossais. Boyle soube comandar o elenco, o argumento e os diversos aspectos técnicos que convergiram qualitativamente nessa bela obra que é “Slumdog Millionaire”.

Best Actor – Melhor Actor
Previsão – Seann Penn (Milk)


Não há duvidas que esta categoria será decidida entre Mickey Rourke (The Wrestler) e Sean Penn (Milk). Nos últimos confrontos, Rourke tem levado a melhor sobre Penn mas este também tem conquistado algumas vitórias importantes. A Academia tem aqui uma decisão bicuda para a qual não existe uma resposta verdadeiramente correcta, porque qualquer um dos dois merece a preciosa estatueta dourada, no entanto, atribuo um ligeiro favoritismo a Sean Penn mas como disse, a disputa será renhida e o prémio será bem entregue a qualquer um dos dois.

Best Actress – Melhor Actriz
Previsão – Kate Winslet (The Reader)

O furacão britânico Kate Winslet, irá muito provavelmente levar para casa a estatueta dourada desta categoria. Após ter presenteado o mundo com duas grandes performances em 2008 e após ter conquistado dois Golden Globes na mesma noite, só podemos considerar esta bela e experiente actriz como a grande favorita desta categoria. A grande Meryl Streep também seria uma opção válida mas acredito que a Academia irá premiar o duplo esforço qualitativo de Kate Winslet que tecnicamente só esta nomeada pela sua performance em “The Reader”, mas subentende-se a intenção clara da Academia que assim “justifica” a ausência duma dupla nomeação, afinal de contas em 2003, “Lord Of The Rings” recebeu o mesmo tratamento.

Best Supporting Actor – Melhor Actor Secundário
Previsão – Heath Ledger (The Dark Knight)


Alguém dúvida? Será uma homenagem justa e merecida ao malogrado actor que se despediu de Hollywood com uma brilhante interpretação do The Joker.

Best Supporting Actress – Melhor Actriz Secundária
Previsão - Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)

Com a exclusão de Kate Winslet desta categoria, o caminho ficou desimpedido para a vitória de Penelope Cruz. Amy Adams e Taraji P. Henson são grandes actrizes e merecem inteiramente a nomeação mas quem viu “Vicky Cristina Barcelona” sabe que Penelope Cruz excedeu-se e deu vida a uma personagem incrível.
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Numa altura em que todas as atenções cinéfilas estão viradas para a cerimónia dos Óscares que se vai realizar neste Domingo (22/02), convém relembrar que por esta altura estamos também em pleno Fantas - o festival internacional de cinema do Porto. É o maior e mais conceituado festival de cinema português e começa hoje a exibir filmes da competição oficial. A sessão de abertura está marcada para as 20h30 com o último filme de Steven Soderbergh "Che: The Argentine", um biopic do revolucionário Che Guevara que conta com a interpretação de Benicio Del Toro. No dia 28 de Fevereiro o festival encerra com "Adam Resurrected" de Paul Schrader, que conta com Jeff Goldblum e Willem Dafoe nos principais papéis. Mas antes disso e ao longo dos próximos dias, o Fantas 2009 oferece mais uma vez aos fãs do cinema fantástico uma panóplia de filmes gore muito, muito sangrentos. Por isso, não se esqueçam do Fantas e toca a rumar ao Porto!
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Realizado por Henry Selick
Com Dakota Fanning, Teri Hatcher, Jennifer Saunders

A animação é na minha opinião, a melhor condução da imaginação. Através deste tipo de cinema, os diversos criativos da 7ª arte conseguem dar asas às suas ideias mais loucas que através duma amplitude de efeitos especiais/visuais, ganham vida em fantásticas obras cinematográficas que não apresentam limites à imaginação. A animação não tem que ser séria ou significativa mas deve ser sempre criativa e extravagante. Este “Coraline” exterioriza essa portentosa essência do cinema de animação, porque nos oferece uma bela história mágica que nos é contada através de magníficos efeitos visuais recheados de cor que sem serem sérios conseguem transmitir uma amplitude de ideias a qualquer faixa etária.
O argumento de “Coraline” é baseado no livro infanto-juvenil de Neil Gaiman e conta-nos a história de Coraline, uma jovem rapariga que atravessa uma porta secreta na sua nova casa, e descobre uma versão alternativa da sua vida. À primeira vista, esta realidade paralela é estranhamente parecida com a vida real, com a única diferença de ser muito melhor mas quando este maravilhoso conto se torna perigoso e a sua mãe contrafeita, tenta ficar com ela para sempre, Coraline dependerá da sua firme determinação, coragem e da ajuda de vizinhos e de um gato falante, para salvar os seus pais verdadeiros e algumas crianças fantasmas para que assim possa regressar a casa. Ora esta história transcendental, pode parecer um bocado infantil e na realidade o seu público-alvo são as crianças e os jovens adolescentes mas na minha opinião, as histórias animadas não escolhem idades e tanto podem agradar a uma criança de oito anos como a um idoso de 80. Esta animação de Henry Selick não foge a essa regra e também mostra potencialidades para agradar a um amplo espectro de idades, no entanto, a sua interpretação poderá mudar consoante a idade da pessoa. Os mais jovens verão neste filme uma obra de magia e fantasia que tem como mote o amor e a amizade, sempre aliadas a ideais de coragem e perseverança. Os mais velhos verão muito provavelmente, o lado mais adulto e subjectivo desta história e conseguirão perceber as mensagens subjectivas escondidas entre-linhas, como as sucessivas transformações na personalidade de Coraline e as latentes mensagens psicológicas, escondidas na caracterização do mundo paralelo ou nas acções das mais importantes personagens.
A história é inegavelmente interessante mas a verdadeira força deste filme reside no seu atractivo visual. Os bonecos e os fundos, fazem-nos lembrar os filmes animados de Tim Burton que foi o Produtor/Guionista da grande obra-prima de Henry Selick, o fantástico “The Nightmare Before Christmas”. A herança desse monstruoso filme marca presença neste “Coraline” que reutiliza alguma das técnicas especiais/visuais utilizadas nessa mítica obra de 1993. É claro que essas clássicas técnicas visuais foram melhoradas e aperfeiçoadas com as mais recentes tecnologias, nomeadamente com a semi-experiemental técnica 3D. Acredito que o visionamento neste formato poderá tornar o filme ainda mais atraente mas também sou da opinião que esta prometedora tecnologia, poderá melhorar ainda mais com o passar dos anos. Seja qual for a escolha do público (3D ou 2D), a experiência visual não será diminuída porque o que verdadeiramente importa é a simplicidade e majestosidade da animação que nos apresenta, uns belos gráficos preenchidos por uma bela palete de cores que combinam na perfeição com a história e com a personalidade das personagens. As animações de “Coraline” podem não ter o pormenor das obras da Pixar ou da Disney, mas têm uma qualidade igualmente forte porque apostam na essência da imaginação, a magia do pensamento.
É óbvio que “Coraline” não está ao nível de “WALL-E” ou “Kung-Fu Panda” mas sem ser um filme brilhante, consegue impulsionar a imaginação de qualquer espectador de qualquer idade através da sua agradável história e do seu fantástico visual.

Classificação - 3,5 Estrelas Em 5
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1 Nomeação

Melhor Actriz Principal (Anne Hathaway)
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Há séries que, por mais anos que tenham, nunca se esquecem.E quem se cruzou com as hilariantes aventuras de Arnold Rimmer e companhia não esquece os momentos bem passados a seguir essa série. Num total de oito temporadas, esta série consegue capturar-nos desde o primeiro episódio, curiosamente designado The End, e, através da banda sonora (magnífica, para a altura) e da diversidade das suas personagens (quem poderá esquecer o desleixado Lister, o territorial Cat ou o desastrado computador de bordo, Holly?), para não falar na diversão proporcionada pelo enredo de cada episódio, grava a sua história na memória do público de uma forma indelével.

Enviado por Carla Ribeiro
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É já no dia 22 de Fevereiro que os principais prémios do cinema serão entregues no Kodak Theater em Los Angeles. Antevendo essa cerimónia que será comandada pelo actor Hugh Jackman, irei apresentar as minhas opiniões sobre os nomeados aos Óscares 2009 e as minhas previsões dos vencedores.

Best Original Screenplay – Melhor Argumento Original
Previsão – Milk

Na minha opinião, esta é uma das categorias mais renhidas dos Óscares deste ano, porque qualquer um dos nomeados tem potencial para conquistar a preciosa estatueta dourada, no entanto, a minha previsão de vitória recai sobre “Milk” (Dustin Lance Black) um grande filme que é parcialmente sustentado por este maravilhoso argumento. Esta minha previsão pode ser corruburada pelo facto de “Milk” ser o único dos candidatos a estar igualmente nomeado para o Óscar de Melhor Filme.

Best Adapted Screenplay – Melhor Argumento Adaptado
Previsão - Slumdog Millionaire

A bela história de amor de “Slumdog Millionaire” irá muito provavelmente conquistar esta importante categoria. O argumento desta obra tem recebido imensos elogios e tem conquistado os mais importantes prémios da indústria, logo a sua vitória nos Óscares é bastante provável mas Eric Roth e Robin Swicord (The Curious Case of Benjamin Button) também poderão intrometer-se na luta pela vitória.

Best Original Score – Melhor Banda Sonora
Previsão - Slumdog Millionaire


Acho que esta categoria será decidida entre “Milk” e “Slumdog Millionaire” mas acredito que este ultimo, tem mais hipóteses de arrecadar a estatueta. Os restantes nomeados também mereciam este Óscar mas só pode haver um vencedor.

Best Original Song – Melhor Música Original
Previsão – Slumdog Millionaire (O Saya)

Nesta categoria, as probabilidades estão claramente a favor de “Slumdog Millionaire” porque coloca duas músicas entre os três nomeados. Acredito que uma dessas músicas irá conquistar o Óscar e o meu palpite recai sobre “O Saya”. Apesar de tudo, não nos podemos esquecer que Peter Gabriel ("Down To Earth" -WALL-E) ganhou recentemente o Grammy para Melhor Música num Filme.

Best Sound Mixing – Melhor Mistura de Som
Previsão – WALL-E

Nas principais categorias de som apostei em “Slumdog Millionaire” mas nas categorias secundárias, penso que esta obra tem menos hipóteses, especialmente quando nestas categorias encontramos “WALL-E” e os seus extravagantes sons.

Best Sound Editing – Melhor Edição de Som
Previsão –WALL-E


Após maravilhar o mundo com os sons de “Star Wars”, Ben Burtt voltou a revolucionar o som em Hollywood com o seu mais recente trabalho em “WALL-E”. Este génio por detrás das “vozes” de WALL-E e EVE, conseguiu criar uma nova linguagem que exteriorizou o amor robótico destas duas personagens e se a esta componente juntarmos os restantes sons que criou e desenvolveu no filme, encontramos a justificação para lhe entregar este Óscar.

Best Documentary - Short Subject – Melhor Documentário Curto
Previsão - The Witness - From the Balcony of Room 306


Todos os nomeados são ilustres desconhecidos do público mas dentro deste quarteto, “The Witness - From the Balcony of Room 306” parece ser o principal candidato à estatueta.

Best Live Action Short Film –Melhor Curta-Metragem
Previsão - New Boy

Após conquistar algumas importantes vitórias no Festival de Berlim e no Festival de Tribeca, é de esperar que esta curta-metragem de Steph Green conquiste o Óscar.

Best Animated Short Film – Melhor Curta-Metragem de Animação
Previsão – Presto


Dos cinco nomeados desta categoria, apenas não consegui ver “Lavatory – Lovestory” e portanto o meu julgamento nunca poderá ser completamente fiável, no entanto, acredito que “Presto”, uma curta-metragem animada da Pixar, irá conseguir arrecadar este Óscar.
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10 Nomeações

Melhor Filme, Realizador, Argumento Adaptado, Montagem, Fotografia, Banda Sonora Original, Som, Montagem de Som e Canção Original ("Jai Ho" e "O Saya")
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A Pantera Cor-de-Rosa 2 (Pink Panther 2)
Realizado por Harald Zwart
Com Andy Garcia, Emily Mortimer, Jean Reno, Steve Martin
Género – Comédia
Duração – 92 Min.
País de Origem - EUA
Sinopse – A Pantera está de volta com o Inspector francês mais desastrado de sempre, Jacques Clouseau. Quando legendários tesouros começam a desaparecer por tudo o Mundo, incluindo o famoso diamante Pantera Cor-de-Rosa, o Chefe Inspector Dreyfus é forçado a enviar Clouseau para integrar uma equipa de detectives e especialistas. Estes têm a missão de recuperar todos os objectos roubados e capturar o ladrão.


Coraline e a Porta Secreta (Coraline)
Realizado por Henry Selick
Com Ana Bola, Carla Garcia, João Teixeira
Género – Animação
Duração – 100 Min.
País de Origem - EUA
Sinopse – Uma jovem rapariga, Coraline atravessa uma porta secreta, na sua nova casa, e descobre uma versão alternativa da sua vida. À primeira vista, esta realidade paralela é estranhamente parecida com a vida real – mas muito melhor. Mas quando este maravilhoso conto se torna perigoso e a sua mãe contrafeita tenta ficar com ela para sempre, Coraline dependerá da sua firme determinação, coragem, a ajuda de vizinhos e de um gato que fala, para salvar os seus pais verdadeiros e algumas crianças fantasma, e assim voltar para casa.

O Visitante (The Visitor)
Realizado por Thomas McCarthy
Com Danai Jekesai Gurira, Haaz Sleiman, Richard Jenkins
Género – Drama
Duração – 104 Min.
País de Origem - EUA
Sinopse – Walter Vale, um solitário professor de Connecticut, recentemente viúvo, vê-se forçado a regressar a Nova Iorque para assistir a uma conferência e encontra o seu apartamento de Manhattan ocupado por um jovem casal de imigrantes ilegais. Depois de esclarecida a intromissão, Vale convida o casal – um jovem músico sírio chamado Tarek e a sua namorada senegalesa – a ficar a viver com ele. Uma improvável amizade que acaba por se desenvolver entre o pacato Prof. Vale e o vibrante Tarek. Mas os bons momentos depressa são perturbados pela injusta prisão de Tarek e a sua possível deportação. Vale, que está determinado a ajudar, inicia uma verdadeira cruzada pela libertação de Tarek.

Maradona
Realizado por Emir Kusturica
Género – Documentário
Duração – 90 Min.
País de Origem - França
Sinopse – Kusturica celebra neste filme a história de Diego Maradona: um herói desportivo, o deus do futebol, um artista brilhante, campeão do povo, um ídolo em decadência e uma inspiração para milhões de pessoas um pouco por todo o mundo. De Buenos Aires a Nápoles, passando por Cuba, Kusturica traça um retrato da vida deste extraordinário homem, desde o seu início até alcançar a fama mundial que se lhe conhece, da mais espectacular ascensão à sua trágica queda.

Hotel Para Cães (Hotel For Dogs)
Realizado por Thor Freudenthal
Com Don Cheadle, Emma Roberts, Kevin Dillon
Género – Comédia
Duração – 100 Min.
País de Origem - EUA
Sinopse – Quando Andi, de 16 anos, e Bruce, o seu irmão mais novo, vão viver com pais de acolhimento que têm uma regra estrita que proíbe cães, a Andi tem de usar a sua perspicácia para ajudar a encontrar um novo lar para o cão deles, o Sexta-feira. Os miúdos encontram um hotel abandonado e começam a transformá-lo na casa perfeita para o Sexta-feira – bem como para todos os vadios da cidade. Em menos de nada, os miúdos transformam o hotel degradado em algo verdadeiramente mágico: uma casa para os cães e para eles também. No entanto, também deixaram a polícia desconfiada que quer saber quem deixou os cães entrar.

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