Realizado por Saul DibbCom Charlotte Rampling, Keira Knightley, Ralph Fiennes
A história inglesa é bastante fértil em contos e rumores polémicos. Muitas dessas histórias têm como personagens principais, alguns dos nobres mais influentes e populares daquele país. Todos nós já ouvimos as histórias da dinastia dos Tudors e da mítica Eainha Elisabeth I, no entanto, também existem diversos contos polémicos sobre membros da nobreza inglesa menos poderosos que a casa real, mas igualmente polémicos. Uma dessas histórias é a de Georgiana Spencer a Duquesa de Devonshire, uma figura que marcou com a sua forte personalidade carismática e reconhecida beleza o final do século XVIII em Inglaterra. A escritora inglesa Amanda Foreman elegeu a vida desta imponente figura histórica britânica como tema central da sua tese de doutoramento, tese essa que posteriormente deu origem ao livro “Georgiana, Duchess of Devonshire”, uma obra literária que por sua vez originou este “The Duchess”, um poderoso drama histórico biográfico que agora nos chega às salas de cinema pelas mãos de Saul Dibb.
O filme leva-nos numa viagem dramática e polémica até aos meandros sociais da nobreza inglesa do século XVIII, é neste restrito círculo social que encontramos Georgiana Spencer, uma mulher nobre de nascimento que foi obrigada a casar muito jovem com o velho mas poderoso Duque de Devonshire. O seu casamento nunca foi pautado pela felicidade mas sim pelo respeito e submissão às vontades do Duque. Entre várias exigências, Georgina viu-se forçada a aceitar e manter uma relação a três com a amante do seu marido, Bess Foster, que ironicamente era também a sua melhor amiga. No entanto, Georgina serviu-se do seu casamento e do seu estatuto influente para travar laços de amizade com vários membros da nobreza e política inglesa e após alguns anos de insatisfação, esta mãe dedicada e ícone da moda, dedicou-se à vida política e a várias causas sociais, nomeadamente à luta pelos direitos das mulheres. A determinada Duquesa encontrou finalmente o amor no político e futuro primeiro-ministro britânico Charles Grey, no entanto, a sua relação nunca ultrapassou o estatuto de caso extraconjugal porque, por amor aos filhos, a duquesa sempre recusou deixar o marido.
Muitos comparam a vida de Georgina à história contemporânea de Diana, Princesa de Gales. Esta comparação não é descabida porque para além de partilharem uma ligação de sangue, estas duas imponentes figuras femininas inglesas partilham diversas características pessoais e sociais. Entre as várias semelhanças destaco particularmente o seu inegável e extremado amor pelos seus filhos, a sua enorme paixão pela moda e pelas tendências culturais, a sua árdua luta por diversas causas sociais e o seu latente azar matrimonial já que nenhuma destas mulheres foi verdadeiramente feliz no seu casamento precoce. “The Duchess” foca-se principalmente nesse tema, ou seja, nas duas grandes relações amorosas de Georgina: o seu casamento e o seu caso extraconjugal mais célebre. Ao longo do filme acompanhamos o constante descambar do casamento de Georgina, vemos como a sua relação com o Duque nunca foi muito feliz e que ficou pior com a inclusão dum terceiro membro, uma suposta melhor amiga de Georgina . Vemos também que a Duquesa vingava as suas frustrações nos seus convívios sociais, apresentando-se sempre como uma das mulheres mais bonitas e bem vestidas das festas. A sua classe e carisma, rapidamente catapultaram-na para a vida política onde soube utilizar todas as suas artimanhas para conquistar o público. A história do filme também retrata muito bem a sua tórrida paixão pelo brilhante político Charles Gray e os sucessivos drama que dela advieram. No fundo este drama histórico retrata a frustração duma mulher que nunca obteve uma concretização sólida no campo amoroso mas que nos outros aspectos da vida, consegui sempre singrar já que foi durante anos um ícone da moda inglesa, uma respeitável força política e uma exemplar mãe.
O enredo traça muito bem as diferenças entre as relações amorosas de Georgina onde são bem visíveis os choques de sentimentos e emoções que se dão entre os diversos protagonistas. Só quando Georgina atinge o “quadrado amoroso” é que saboreia finalmente um pouco de amor verdadeiro e respeito por si própria. O argumento também traça muito bem a evolução no seu perfil e mentalidade. A Duquesa começa por ser uma mulher restringida ao seu casamento mas com o passar do tempo começa a tornar-se mais independente e aberta a novos desafios sociais. Em termos comparativos, a evolução pessoal de Georgina assemelha-se muito à da malograda rainha francesa Marie Antoinette (curiosamente as duas eram amigas cordiais na vida real), enquanto jovens eram bastante tímidas mas com o passar dos anos, tornaram-se mais extravagantes e aguerridas.
Este drama histórico é realizado por Saul Dibb, um cineasta algo inexperiente que tem neste “The Duchess” o seu primeiro grande trabalho comercial. No entanto, Dibb conseguiu arrancar um bom filme que faz jus à conhecida história de Georgina. A sua realização é bastante simples e pouco provocante, é certo que um pouco mais de polémica não faria mal nenhum ao filme mas esta versão simplista também se mostra capaz de agradar bastante. Um dos pontos mais interessantes e positivos do filme é o seu guarda-roupa. A equipa que esteve por detrás desta componente assessoria e técnica, levou a cabo uma tarefa difícil mas brilhantemente executada, já que todas as vestimentas enquadram-se perfeitamente no correcto cenário da época. É também necessário dar os parabéns ao departamento de caracterização que imitou na perfeição as maquilhagens e penteados exagerados da época.
A Duquesa de Devonshire é brilhantemente interpretada por Keira Knightley que mais uma vez regrediu no tempo para assumir o protagonismo num drama histórico. Esta bela e talentosa actriz britânica, voltou a deslumbrar o mundo com a sua enorme capacidade em interpretar personagens difíceis e complexas. O Duque de Devonshire é interpretado por Ralph Fiennes, um actor bastante conhecido e igualmente experiente que também assume aqui uma prestação competente e agradável. Esta biografia cinematográfica com contornos dramáticos, foi sem dúvida uma das agradáveis surpresas de 2008. Desde que Sofia Coppola nos apresentou “ Marie Antoinette” em 2006 que não tinha o prazer de assistir a um drama biográfico sobre uma polémica figura feminina e nobre, de tamanha qualidade.
Classificação - 4 Estrelas Em 5
Após conquistar dez vitória em dez categorias, “Kung Fu Panda” quebrou o recorde de vitórias estabelecido por “Ratatouille” em 2008, na grande cerimónia da 36ª Edição do Annie Awards. A animação da Dreamworks arrecadou o prémio mais importante da noite, Melhor Filme de Animação do Ano, vencendo concorrentes de peso, como por exemplo, “Wall-E”.Melhor Filme
Kung Fu Panda
Melhor Filme Lançado em DVD
Futurama: The Beast with a Billion Backs
Melhores Efeitos de Animação
Li-Ming Lawrence Lee (Kung Fu Panda)
Melhor Animação das Personagens
James Baxter (Kung Fu Panda)
Melhor Design das Personagens
Nico Marlet (Kung Fu Panda)
Melhor Realização
John Stevenson & Mark Osborne (Kung Fu Panda)
Melhor Banda Sonora
Hans Zimmer & John Powell (Kung Fu Panda)
Melhor Design de Produção
Tang Heng (Kung Fu Panda)
Melhor Criação de uma Storyboard
Jen Yuh Nelson (Kung Fu Panda)
Melhor Dobragem
Dustin Hoffman - Shifu (Kung Fu Panda)
Melhor Argumento
Jon Aibel & Glenn Berger (Kung Fu Panda)

Realizado por Uli Edel
Com Bruno Ganz, Johanna Wokalek, Martina Gedeck
Após o final da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha viveu um período de enorme instabilidade política e financeira, provocada pela sua divisão entre os mundos capitalista e comunista. Durante essa fatídica época, foram vários os movimentos radicais que ameaçaram a frágil democracia do lado Ocidental, entre esses grupos encontrava-se a RAF (Red Army Faction/Baader-Meinhof Group), uma facção inspirada na ideologia comunista que também apresentava nos seus meios, traços da perigosa e radical ideologia Nazi. Esta explosiva combinação originou um grupo extremamente violento e sangrento que se destacou dos demais grupos radicais devido à enorme brutalidade das suas acções. Entre 1968 e 1998, as acções do grupo semearam o pânico e a insegurança por todo o território Alemão Ocidental, através de ataques bombistas e frios assassinatos. À frente desta facção estava uma tríade composta por Andreas Baader, Ulrike Meinhof e Gudrun Ensslin que fundaram este grupo com o intuito de libertar a Alemanha das garras capitalistas e opressoras dos EUA. O seu objectivo principal era unir definitivamente a Alemanha à ideologia comunista da URSS para criar uma sociedade mais humana e solidária. A década de 70 representou o ex-líbris deste fanático grupo já que foi durante esta década que se deram os seus principais ataques. Através de “Der Baader Meinhof Komplex”, o realizador alemão Uli Edel regride no tempo para nos mostrar as origens e consequências das acções da RAF na comunidade alemã mas também tenta explicar-nos (através de um exercício subjectivo e bastante complexo) as ideologias do grupo e as razões que levaram uma simples mulher como Ulrike Meinhof a enveredar por uma carreira dedicada à morte e ao sofrimento de terceiros.
O filme começa por nos apresentar uma Ulrike Meinhof (Martina Gedeck) bastante simples e estável que aparenta ser uma mãe extremamente dedicada aos seus dois filhos. No entanto, esta sua faceta simpática rapidamente desaparece após as manifestações estudantis de 1968 que tiveram um profundo impacto na sua mentalidade. Após este acontecimento, Ulrike abandona a sua família para se juntar a Andreas Baader (Moritz Bleibtreu), um activista que é retratado pelo filme como um guerrilheiro impiedoso e brutal. Este duo junta-se então a Gudrun Ensslin para em conjunto, fundarem a RAF. A primeira parte da obra é praticamente dedicada à análise das acções destas três personagens e à forma como eles conseguem iludir a polícia durante aproximadamente 5 anos. A parte inicial do filme também aborda as relações “diplomáticas” que a RAF mantia com o mundo árabe, nomeadamente com organizações terroristas que partilhavam o seu desdém pelos EUA. É durante esta parte que somos confrontados com os discursos idealistas e psicóticos de Andreas Baader que tenta justificar as suas acções no amor e na igualdade. Após a prisão dos três líderes do grupo e consequente morte de Ulrike Meinhof, a RAF começa a ser comandada por outra mulher, Brigitte Mohnhaupt (Nadja Uhl), que planeja friamente uma série de assassinatos e atentados contra alvos alemães, nomeadamente os dois grandes ataques que celebrizaram o Outono de 1977. A segunda parte do filme mostra então a nova geração de membros da RAF que entretanto assumiu uma postura mais violenta e calculista. Após mostrar uma tentativa falhada da RAF em libertar os membros originários e de relatar os acontecimentos do Outono de 1977, o filme termina sem fornecer uma brilhante conclusão, limita-se apenas a contar o princípio do fim de uma trágica história que termina ironicamente ao som de “Blowing in the Wind”.

O argumento deste “Der Baader Meinhof Komplex” foi escrito pelo mesmo guionista de”Der Untergang”, um filme biográfico sobre a vida de Hitler, também ele um ponto negro da história contemporânea alemã. Bernd Eichinger volta assim a desenvolver uma complexa biografia sobre um movimento de ideologia duvidosa que assombrou durante anos a Alemanha. Ao contrário de ”Der Untergang” este seu guião mais recente, não aprofunda em pormenor a vida e a personalidade de apenas uma personagem já que alastra o seu espectro de atenção às várias figuras de elite da RAF. No entanto, é bastante clara a sua intenção de dar mais atenção à história de Ulrike Meinhof, porque é de todas a mais complexa e mais incompreensível. De certa forma, a história da RAF mostra-nos que por vezes, o sexo feminino também pode ser capaz de actos terroristas de grande violência e envergadura já que, à excepção de Andreas Baader, a RAF era comandada por mulheres.
“Der Baader Meinhof Komplex” é um filme fácil de entender mas difícil de compreender, durante duas horas e meia o realizador Uli Edel dá-nos uma autêntica lição de história muito bem explicada mas a parte psicológica dessa história, esta fortemente subentendida nos diversos diálogos e acções das personagens. O filme não nos dá uma única resposta ou explicação concreta sobre as suas atitudes, todas essas explicações teóricas são remetidas para as suas acções. Como já referi, a existir uma personagem principal, essa terá de ser forçosamente Ulrike Meinhof mas mesmo sendo alvo de uma atenção extra, ficamos sem perceber as razões concretas que levaram esta mulher a abandonar os seus filhos. Pode-se dizer que o filme dá muitas informações mas não dá nenhumas explicações concretas, é um filme neutro que retrata a RAF exactamente como ela era.
Numa perspectiva mais secundária e menos relevante, destaco a prestação do elenco que sem ser magnífica consegue ser bastante competente. A fotografia e a banda sonora também são bastante aceitáveis mas não acrescentam nada de mais ao filme. O cinema alemão tem crescido muito nos últimos anos e a prová-lo está o facto do seu candidato aos Óscares encontrar-se quase sempre na lista dos pré-nomeados ao Melhor Filme Estrangeiro. O ano de 2008 não concretizou a excepção à regra e este candidato alemão conseguiu uma das cinco vagas da selectiva lista de nomeados à vitória final na categoria. Após o visionamento de “Der Baader Meinhof Komplex” só podemos concluir que a Alemanha voltou a brindar o mundo com uma genial obra cinematográfica sobre a sua negra e polémica história contemporânea. Um filme altamente recomendável.
Classificação - 4,5 Estrelas Em 5
Elia Kazan (Elias Kazanjoglou de nome de família) nasceu a 7 de Setembro de 1909 em Constantinopla (actual Istambul, na Turquia) no seio de uma família grega e morreu a 28 de Setembro de 2003, em Nova Iorque. Aos quatro anos, emigrou para Nova Iorque. Nos anos trinta projecta-se como encenador de peças da Broadway no circuito nova-iorquino, o que lhe dá oportunidade de ir para Hollywood. No começo da Guerra Fria, os artistas, argumentistas e realizadores comunistas ou pro-comunistas são alvos duma perseguição, conhecida como a caça às bruxas. Foi aqui que Elia Kazan, que militou no partido comunista entre 1934 até 1936, cedeu. Para que o libertassem dos interrogatórios no Comité de Investigações de Actividades Anti-Americanas, colaborou com os agentes macarthistas, revelando nomes de ex-companheiros, sendo estes interrogados e presos. Com a polémica instalada e a fama de traidor estabelecida na sua pessoa, Kazan decide inaugurar, nos anos 50, um subgénero dramático, a contemplação do traidor.
Foi nomeado, pela Academia de Hollywood, cinco vezes na categoria de Melhor Realizador pelos filmes Gentleman’s Agreement (1947), A Streetcar Named Desire (1951), On the Waterfront (1954), East of Eden (1955) e America, America (1963), tendo ganho a estatueta por Gentleman’s Agreement e On The Waterfront. Recebeu ainda uma nomeação na categoria de Melhor Filme e outra de Melhor Argumento pelo filme America, America. Em 1999, a Academia de Hollywood entregou-lhe o Óscar Honorário em reconhecimento da sua carreira no cinema. Nos Globos de Ouro, recebeu quatro prémios como Melhor Realizador pelos filmes Gentleman's Agreement (1947), On the Waterfront (1954), Baby Doll (1956) e America, America (1963). Recebeu ainda dois prémios Bodil como Melhor Filme Americano por On The Waterfront (1954) e East of Eden (1955). No Festival de Cannes, foi galardoado com o Prémio de Melhor Filme – Drama por East of Eden (1955), enquanto no Festival de Berlin lhe entregaram o Urso de Ouro Honorário em 1996. Por fim, no Festival de Veneza foi distinguido com o Leão de Prata por On The Waterfront (1954), o Prémio Especial do Júri por A Streetcar Named Desire (1951), recebeu o Prémio Internacional por Panic in The Streets (1950) e recebeu o Prémio OCIC por On the Waterfront (1954).
Filmografia
1937 - The People of The Cumberland (curta-metragem)
1945 - A Tree Grows in Brooklyn (Laços Humanos)
1947 - The Sea of Grass (Terra de Ambições)
1947 - Boomerang!
1947 - Gentleman's Agreement (A Luz é Para Todos)
1949 - Pinky
1950 - Panic in The Streets (Pânico Nas Ruas)
1951 - A Streetcar Named Desire (Um Eléctrico Chamado Desejo)
1952 - Viva Zapata!
1953 - Man On a Tightrope (Os Saltimbancos)
1954 - On The Waterfront (Há Lodo no Cais)
1955 - East of Eden (A Leste do Paraíso)
1956 - Baby Doll (A Voz do Desejo)
1957 - A Face in The Crowd (Um Rosto na Multidão)
1960 - Wild River (Rio Violento)
1961 - Splendor in The Grass (Esplendor na Relva)
1963 - America, America
1969 - The Arrangement (O Compromisso)
1972 - The Visitors
1976 - The Last Tycoon (O Último Magnata)


Com: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Kathy Bates e Michael Shannon
Baseado no romance de Richard Yates, “Revolutionary Road” apresenta-nos um casal igual a tantos outros, mas que no entanto tenta rumar contra a maré do destino e das regras ditadas pela sociedade. Frank e April Wheeler formam um casal regido pelos mesmos valores e interesses e que se conhece numa festa banal. Acabam por se apaixonar e mais tarde casam, mas com a condição de não deixarem de viver as suas vidas e nunca se deixarem cair no manto de retalhos que opera o conservadorismo, convencionalismo e comodismo da sociedade. Porém, April engravida e ambos decidem que o próximo passo é arranjar uma casa maior para viver, ao mesmo tempo que Frank arranja um emprego que vai contra tudo o que sempre desejou e April se força a tomar conta dos filhos em casa. À medida que o tempo vai passando e surge um segundo filho, ambos se apercebem que os seus sonhos não passam de uma mentira e que não conseguem escapar ao modus operandi da sociedade ocidental.
“Revolutionary Road” é um filme complexo e ousado que tenta fazer uma reflexão crítica ao modo de vida dessa sociedade. Frank e April representam todos os jovens que defendem que nunca irão deixar de perseguir as suas ambições e nunca deixarão de lutar pelos seus sonhos, mas que esbarram no casamento e nas exigências da vida familiar e profissional. O filme levanta inúmeras questões. Será que as pessoas são realmente felizes com a vida que levam? Deveremos optar pela família ou pela carreira profissional? Viveremos todos presos a uma sociedade que nos conspurca a liberdade e a criatividade, transformando-nos todos em autómatos conformistas? Questões complexas mas pertinentes.

Frank e April são a imagem perfeita de duas pessoas que se julgavam especiais e que nunca iriam ser como os seus antecessores. Frank e April são a perfeita imagem da decepção e da tormenta de quem vê a vida passar ao lado enquanto simplesmente luta para sobreviver. As regras ditadas pela sociedade são postas em causa e a concepção de família feliz é alvo de inúmeros questionamentos. Frank não quer ser o marido com o trabalho chato que vive apenas para sustentar a família. Mas a isso é obrigado. April não se conforma com a ideia de ser dona de casa e viver em função dos filhos. Mas a isso é obrigada. Imersos num mar de frustração que afoga qualquer alma, Frank e April vão então virar-se um contra o outro, desconhecendo a razão pela qual se deixaram mergulhar no quotidiano enfadonho e miserável da maior parte dos casais.
Como se percebe, os ânimos aquecem com o decorrer do filme e o duo DiCaprio-Winslet é obrigado a interpretar cenas de uma enorme carga emocional. E tanto um como outro são absolutamente excepcionais! Sam Mendes conta a história em função destas personagens e fixa a câmara nos dois protagonistas, por vezes como se de uma peça de teatro se tratasse. Este é um filme de actores e “Revolutionary Road” apresenta-nos algumas das melhores interpretações dos últimos anos. Winslet só não foi nomeada para o Oscar neste filme porque foi nomeada por “The Reader”; quanto a DiCaprio, não se percebe porque ficou de fora. Este é sem dúvida alguma o seu melhor papel desde “The Aviator”. A tensão emocional lê-se nos olhos dos actores e para além disso, Mendes conta a história com mestria, serenidade e coragem. Nota também para Michael Shannon que interpreta um homem aparentemente louco, mas que acaba por ser o único a visionar a verdade por trás da cadeia de mentiras. Como único a desafiar o funcionamento da sociedade, a sua personagem é imediatamente classificada de “louca”, algo que Mendes não introduz por mero acaso. “Revolutionary Road” é um filme que nos faz pensar e que transforma o “sonho americano” numa mentira e a “casa dos nossos sonhos” numa autêntica prisão. Um pouco à imagem de “American Beauty”, o que nos mostra que o realizador têm uma paixão mórbida por este tema. Mas “Revolutionary Road” não é uma cópia de “American Beauty” e pela sua coragem, perspicácia e ousadia, a última obra de Sam Mendes facilmente se afirma como um dos melhores filmes dos últimos anos.
Classificação - 5 Estrelas Em 5
Realizado por Christopher NolanCom Christian Bale, Hugh Jackman, Michael Caine, Scarlett Johansson, Rebecca Hall
No início do século XX, em Londres, dois ajudantes de mágico, Robert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale) ambicionam singrar no mundo do espectáculo como mágicos independentes. Após um acidente trágico, gera-se entre eles, a partir de um já existente sentimento de competição, um ódio crescente. Adicionado a uma inveja desmesurada e à necessidade de ultrapassar e vencer o outro através de todos os meios necessários, ambos são arrastados para uma espiral de crime. Em torno deles orbitam o engenheiro inventor de dispositivos mágicos Cutter (Michael Caine) e a bela e decorativa Olivia (Scarlett Johansson).
"The Prestige" é puro Christopher Nolan. Temos, de um lado, a personagem de Jackman, à primeira vista a mais pacífica e harmoniosa mas que demonstra, após um duro golpe emotivo, uma dualidade e uma ambiguidade dentro de si que levam a motivações e actos assustadoramente imprevisíveis e que evoluem para uma obsessão doentia. Inicialmente despoletada por um desejo de vingança, cedo se perde na sua razão e é esta personagem que, no final, é capaz dos feitos mais horrendos e é a mais isenta de remorso porque acaba por esquecer todos os problemas morais (faz lembrar um pouco a personagem de Al Pacino em "Insomnia", embora as suas motivações fossem diferentes e, ao fim e ao cabo, esta acabar por ser consumida pelo remorso). Do outro, temos a personagem de Bale que, à semelhança do seu Bruce Wayne, se debate com os conflitos internos de uma mente perturbada quase literalmente dividida em duas (que, no fim, acabamos por descobrir estar mais perto da verdade do que pensamos): a de marido/pai, em confronto com a de ilusionista, papel que ele acredita ter de encarnar sempre, para ser o melhor. O que o leva a viver uma vida dupla, fundamentada em segredos e paranóia, insatisfatória tanto para si como para a sua mulher (a então desconhecida Rebecca Hall num papel extraordinariamente intenso, de longe mais importante e notável do que o de Scarlett Johansson, mas um pouco negligenciado). A ligar estas linhas de desenvolvimento, são-nos oferecidas inúmeras outras temáticas interessantes, desde a ideia de que não somos únicos nem insubstituíveis (o sósia), à duplicidade por trás das ilusões e das aparências que confere uma quase impunibilidade às personagens porque nada parece ser real ou certo e todas elas cometem actos mais ou menos duvidosos, passando pela questão de a eficácia e a originalidade de um truque não ser nada sem o devido embelezamento "showbiz" para estimular os olhos e verdadeiramente emocionar as pessoas.
Tanto Hugh Jackman como Christian Bale são magníficos nas suas interpretações. Bale, como já demonstrado em filmes como os mais recentes Batman's, "Equilibrium" ou, no extremo, "American Psycho", tem uma qualidade muito notória de pessoa atormentada e o actor consegue sempre apoderar-se dela e desenvolvê-la de uma maneira magistral. Umas vezes com expressões faciais, outras com explosões de fúria. Jackman, que começou a mostrar o seu verdadeiro potencial desde que lhe foi dado o papel do tumultuoso Wolverine na saga "X-Men", confere à sua personagem a tal ambiguidade requerida, mas de uma maneira muito subtil, camuflada pelo charme (como já acontece em "Scoop" de Woody Allen). A sua intervenção final é memorável, de uma intensidade soberba e de uma paixão rara. São ambos absolutamente credíveis na sua obsessão e no seu ódio. Das outras personagens, o papel da já referida Rebecca Hall é inesperadamente bom. O de Michael Caine ocorre um pouco como o "grilo falante" do todo, no sentido em que é o que tem mais a noção do correcto e estabelece a ligação magia-realidade, já que é ele que faz os truques acontecer. O de Scarlett Johansson é mais um elo de ligação/ruptura e motivo de ódio entre Borden e Angier e serve para adensar a trama e criar mais intriga. Há ainda outra personagem deveras interessante, Tesla, um dos percusores do magnetismo, interpretado aqui por David Bowie. Contemporâneo de Thomas Edison, o pai da electricidade, Tesla retrata a existência da competição cega também na ciência, nesta altura de grandes descobertas. Na Física, electricidade e magnetismo são duas faces da mesma moeda. No meio de toda a dualidade, talvez realidade e magia sejam igualmente próximas e interdependentes.
O filme prima em vários aspectos. Para além de explorar com sucesso os aspectos já descritos, está estruturado e embebido em desconfiança e tensão (como, de resto, é costume nos filmes de Nolan, em particular os dois primeiros e tendo atingido toda uma nova dimensão no avassalador "The Dark Knight"), com a ajuda de um ambiente sempre negro e dúbio, à imagem dos meandros das mentes distorcidas das personagens. Mas aquilo que verdadeiramente o distingue é, mais uma vez, a forma como a história é contada, absolutamente não linear, sem lógica no decorrer das cenas. Não tão drástico como em "Memento" (completamente de trás para a frente), não tão simples como em "Batman Begins" (flashbacks), apenas aparentemente aleatório mas, claro, cirurgicamente premeditado e totalmente estonteante. Vão-nos sendo dados elementos e pistas para podermos perceber a ordem cronológica dos acontecimentos e das relações causa-efeito, ao mesmo tempo que se desenrola o jogo do gato e do rato entre os dois ilusionistas e lutamos, tal como eles, para perceber quem vai à frente, quem é o mais inteligente. O filme é um festival para o cérebro. Um desafio, tal como o era "Memento", que tinha como argumentistas, tal como este, o próprio realizador e o irmão Jonathan (embora este se trate de um argumento adaptado a partir de um livro de Christopher Priest). O argumento tem apenas um senão: a certa altura, próximo do fim, já temos a informação toda necessária para desvendar o final, ou melhor, o segredo de cada um e o seu destino provável. Mas não é fundamental que um filme tenha um "twist" final tão surpreendente que seja impossível deslindá-lo. E, na verdade, ao acompanhar os rivais nas suas tentativas de sabotagem e exposição do outro, todo o filme é uma sucessão de pequenos "twists" bem conseguidos. O final não é menos intenso por isso, os actores certificam-se que lhe é conferida a carga emocional adequada.
Há ainda uma breve mas significativa aparição de uma personagem, Ackerman (Edward Hibbert), o dono do último teatro em que Angier apresenta o seu espectáculo. Esta personagem tem a face disforme de um dos lados e um aspecto arrepiante. Mas parece um delicioso símbolo da ambiguidade latente, ao fim e ao cabo, em todas as personagens. Símbolo das duas facetas de um homem, aquela que ele mostra e aquela que esconde; das duas facetas de um truque de magia, aquela que é vista pelo público e a secreta, dos bastidores. O bem e o mal. E é genial como antes de ele ver o truque d’ "O Homem Transportado", de face para o palco, é a metade disforme que está iluminada e como, depois, quando vira costas, essa metade se esconde nas trevas, ao mesmo tempo que um sorriso ligeiramente maquiavélico se desenha na sua cara. Dá-se uma transformação completa, e a faceta mais assustadora é a "normal".
Com o desenvolvimento florescente da ciência, o mundo, há 100 anos atrás, era já demasiado céptico. A verdadeira magia é fazer as pessoas acreditar nos truques por alguns momentos, é deslumbrá-las o suficiente para se deixarem enganar e recusarem aceitar o que os sentidos lhes dizem. Também o cinema é assim. É Nolan que o diz: "Um realizador é semelhante a um ilusionista, porque contamos a história segundo um determinado ponto de vista e utilizamos técnicas para enganar o público". Christopher Nolan tem, também ele, algo de mágico em si. E prova mais uma vez que o monstro que se esconde nas trevas, a sombra que nos persegue na noite escura, o nosso pior medo mais intrínseco, somos nós próprios. "The Prestige" é o prelúdio perfeito de "The Dark Knight".
Classificação - 5 Estrelas Em 5
Realizado por Gus Van SantCom Sean Penn, Diego Luna, Emile Hirsch, James Franco, Josh Brolin
A longa e ainda actual luta dos homossexuais pela igualdade de tratamento e oportunidades, teve no polémico e libertino político Harvey Milk o seu expoente máximo já que foi este senhor que abriu precedentes históricos inimagináveis, ao ter sido democraticamente eleito para um cargo político, depois de ter assumido publicamente a sua homossexualidade. Trinta anos depois da sua morte, o talentoso cineasta Gus Van Sant apresenta-nos “Milk”, um intenso drama biográfico que explora detalhadamente a vida e o legado deste autêntico ícone político da década de 70. O filme aborda os principais acontecimentos ocorridos na vida de Milk após este ter trocado o seu enfadonho emprego em Wall Street por uma vida livre de preconceitos em São Francisco. A partir daqui começamos a acompanhar o trajecto politico de Milk que de vitória em vitória, consegue finalmente o seu grande objectivo, ser eleito para um cargo público de relativa importância. Acompanhamos também a sua vida pessoal, nomeadamente os seus casos amorosos de maior relevância e a sua importante convicção de igualdade relativamente aos direitos civis do Homem. No fundo, somos presenteados com uma história de esperança e perseverança que acaba por não ter um final feliz, um pouco à semelhança de outras histórias que também envolvem grandes figuras políticas dos EUA como Martin Luther King ou JFK.
Um dos grandes atractivos de “Milk” é o seu fabuloso argumento da autoria de Dustin Lance Black que ao utilizar fundamentos de vários géneros literários, conseguiu criar um argumento muito amplo e bastante fiel à realidade que se mostra capaz de provocar fortes sentimentos e emoções nos espectadores. Na minha opinião, estamos perante uma narrativa praticamente perfeita que privilegia os detalhes e que aposta numa linguagem amplamente perceptível. É óbvio que o tema principal da história é a vida de Milk, no entanto, o enredo também nos leva numa viagem pelos movimentos sociais e homossexuais da época e pelas inúmeras jogadas de bastidores do mundo da política. Apraz-me ver que uma obra intrinsecamente ligada à política não aposta em diálogos e teorias demasiado intelectuais e triviais. Em “Milk” todos os discursos e conversas sobre os direitos civis e fundamentais dos homossexuais são facilmente perceptíveis e surpreendentemente interessantes já que, em nenhum momento, somos brindados com discursos chatos e repletos de filosofias idealistas sem sentido. É claro que o visionamento de “Milk” implica uma mentalidade aberta, uma pessoa preconceituosa e conservadora nunca poderá apreciar esta obra e esta história de vida que acima de tudo enaltece e fundamenta, a igualdade entre heterossexuais e homossexuais. O argumento também retrata brilhantemente as relações amorosas de Milk que nunca roçam o mau gosto, sendo sempre caracterizadas por uma paixão ardente moderada por uma simplicidade casual. No entanto, a grande força narrativa de “Milk” não reside na vida pessoal de Harvey mas sim na sua vida profissional. Grande parte do filme foca-se nos bastidores do movimento social que apoiava a aceitação geral da homossexualidade como um modo de vida idêntico ao da heterossexualidade, ao longo do filme este movimento é constantemente abalado pelas ideologias mais conservadoras e religiosas mas com Milk no comando, começa a assumir uma importância crescente na sociedade americana, arrastando-se rapidamente por todos os Estados. A partir de São Francisco, cidade talismã dos homossexuais e o grande ícone da liberdade de expressão norte-americana, começam a surgir as primeiras manifestações de apoio à causa da homossexualidade, um ruído encabeçado por Milk que é prontamente atacado por vários políticos e celebridades da época mas que após todos os ataque sofridos, consegue finalmente chegar ao poder público, fruto da enorme massa social que o apoia em diversos bairros da cidade. Infelizmente o sonho de Milk em chegar mais alto foi interrompido por Dan White (Josh Brolin), um ex-politico caído em desgraça e rodeado pelo desespero. Em suma, “Milk” aborda na perfeição todas as lutas travadas por Harvey e seus companheiros na luta pela aceitação dos homossexuais e é o legado que dessa luta resulta que deve ser ressalvado e devidamente apreendido pelo público, afinal de contas estamos perante uma história que inspira qualquer um a seguir as suas crenças e sonhos.
Quem conhece o trabalho de Gus Van Sant, sabe muito bem que ele raramente emprega o seu tempo e talento em obras de fraca qualidade, este “Milk” não é a excepção à regra e mostra-nos mais uma vez a genialidade e mestria de Gus Van Sant na realização. O seu talento e criatividade começam por vir ao de cima logo no inicio do filme onde é revelado ao público o trágico final de Harvey Milk, esta jogada de génio de Van Sant em cooperação com o guionista Dustin Black, “obriga” o espectador a prestar atenção ao desenvolvimento do filme e a todos os seus aspectos para que possam entender melhor as razões que ditaram a morte do político. Este é só um dos vários exemplos da genialidade de Van Sant, a este juntam-se outras técnicas e momentos que só atribuem mais qualidade e criatividade ao produto final, falo por exemplo da inclusão de imagens da época e dos vários planos que o cineasta escolhe para captar da melhor maneira a atitude e a paixão de Milk pela sua causa.
O elenco oferece-nos no geral, uma prestação completa e forte a todos os níveis. A qualidade geral do filme não depende apenas da criatividade e valor do argumento e da realização, também é necessário um elenco que exteriorize a vontade do realizador e interprete na perfeição a história escrita pelo guionista. Este elenco faz exactamente isso, transmite vida, paixão e realismo a uma história que dependia desses três factores para singrar. Sean Penn dá vida a Harvey Milk e a sua performance é inegavelmente espectacular, este experiente actor conseguiu assumir uma personagem homossexual na perfeição, sem demonstrar qualquer estereótipo e preconceito. Conseguiu transmitir ao público a paixão e perseverança de Milk, encarnando na perfeição o seu espírito combativo e esperançoso que fizeram do político uma autêntica lenda social, na minha opinião os elogios e prémios que tem recebido pela sua prestação são mais do que merecidos. James Franco protagoniza a grande surpresa do elenco, este jovem actor dá vida a Scott Smith, uma das grandes paixões amorosas de Milk. A sua prestação é bastante emotiva e natural, o que eventualmente cria uma boa química entre a sua personagem e a de Sean Penn. Outro grande nome do elenco é Josh Brolin que interpreta um dos vilões da história, neste caso o maior vilão porque a sua personagem (Dan White) foi responsável pela morte de Harvey. Tenho que dizer que o único aspecto negativo de “Milk” recai precisamente na construção desta enigmática personagem já que nunca se percebe muito bem a sua evolução profissional e mental, no entanto, nada disto interfere com a prestação de Brolin que é bastante competente. Estas três componentes principais (Argumento, Realização, Elenco) são acompanhadas por outras componentes de valor qualitativo idêntico, como é o caso da magnífica banda sonora da autoria de Danny Elfman ou do correcto guarda-roupa que veste adequadamente os intérpretes do filme
É impossível alguém ficar indiferente à qualidade e às mensagem de “Milk”. A magnífica realização de Gus Van Sant transmite na perfeição uma poderosa e emocionante história sobre a igualdade e a força de acreditar nos nossos sonhos, história essa que é brilhantemente exteriorizada por um elenco extremamente competente e talentoso. Aposto que a população homossexual irá adorar este filme mas a população heterossexual com mentalidade aberta também deverá apreciar este filme, pelo menos por mim falo.
Classificação - 5 Estrelas Em 5
MilkRealizado por Gus Van Sant
Com Emile Hirsch, James Franco, Josh Brolin, Sean Penn
Género – Drama/ Biografia
Duração – 128 Min.
País de Origem – EUA
Sinopse – Cansado de se esconder de si próprio, Harvey abandona o seu bem remunerado emprego em Wall Street e decide "sair do armário", mudando-se para o distrito Castro em São Francisco com o seu amante de longa data, Scott Smith. Na comunidade colorida de Castro, pequenas vitórias conduzem a outras maiores e Harvey ao falar abertamente para uma maioria silenciosa, acaba por ser o primeiro político assumidamente homossexual a ganhar umas eleições. Quando Harvey Milk foi assassinado em 1978, o mundo perdeu um dos seus líderes mais visionários e uma voz que se elevou corajosamente pela igualdade de direitos.
Revolutionary Road
Realizado por Sam Mendes
Com John Behlmann, Kate Winslet, Kathy Bates, Leonardo di Caprio
Género - Drama
Duração – 119 Min.
País de Origem – EUA
Sinopse – A história de um jovem casal em busca de uma vida plena numa época marcada pelo conformismo. Aprisionados num mundo de convenções codificadas, eles sonham sem fé, à medida que as mentiras e a ilusão despoletam consequências explosivas.
A Duquesa (The Duchess)
Realizado por Saul Dibb
Com Charlotte Rampling, Keira Knightley, Ralph Fiennes
Género - Drama
Duração – 110 Min
País de Origem – Reino Unido
Sinopse – Enquanto a sua beleza e carisma lhe trouxeram êxito, os seus gostos extravagantes e apetite por jogos e amor tornaram-na infame. Georgiana Spencer casou jovem com o distante e mais velho Duque de Devonshire, íntimo de ministros e príncipes, e tornou-se um ícone de moda, uma mãe devota, uma astuta figura política e a mulher mais adorada pelo povo. Mas no centro da sua história está uma busca desesperada por amor.
O Rapaz do Pijamas às Riscas (The Boy in the Striped Pyjamas)
Realizado por Mark Herman
Com Asa Butterfield, Domonkos Németh, Zac Mattoon O'Brien
Género - Drama
Duração – 94 Min.
País de Origem – Reino Unido
Sinopse – Um rapaz de oito anos, Bruno, é o protegido filho de um agente nazi cuja promoção leva a família a sair da sua confortável casa em Berlim para uma despovoada região onde Bruno não encontra nada para fazer nem ninguém com quem brincar. Esmagado pelo aborrecimento e traído pela curiosidade, Bruno ignora os constantes avisos da mãe para não explorar o jardim, por detrás da casa, e dirige-se à quinta que viu ali perto. Nesse local, Bruno conhece Shmuel, um rapaz da sua idade que vive numa realidade paralela, do outro lado da vedação de arame farpado. O encontro de Bruno com este rapaz de pijama às riscas vai arrancá-lo da sua inocência e resultar no despontar da sua consciência sobre o mundo adulto que o rodeia. Os repetidos e secretos encontros com Shmuel desaguam numa amizade com consequências inesperadas e devastadoras.
O Complexo Baader Meinhof (Der Baader Meinhof Komplex)
Realizado por Uli Edel
Com Bruno Ganz, Johanna Wokalek, Martina Gedeck
Género – Drama/ Biografia
Duração – 150 Min
País de Origem – Alemanha
Sinopse – Alemanha, década de 70: ataques bombistas assassinos, a ameaça de terrorismo e o medo do inimigo interno conseguem fazer vacilar as fundações da ainda frágil democracia alemã. Os filhos radicais da geração nazi, liderados por Andreas Baader, Ulrike Meinhof e Gudrun Ensslin iniciam uma violenta luta contra o que entendem ser o novo rosto do fascismo: o imperialismo americano apoiado pelo aparelho alemão, constituído por diversos membros com passado nazi. O seu objectivo é criar uma sociedade mais humana, mas, ao empregar meios desumanos, eles espalham não apenas terror e derrame de sangue mas perdem também a sua própria humanidade. O homem que melhor os compreende é o seu próprio perseguidor: o chefe da força policial alemã, Horst Herold. E à medida que a sua incansável perseguição aos jovens terroristas progride, ele apercebe-se que está a lidar apenas com a ponta do iceberg.
Second Life
Realizado por Alexandre Valente
Com Ana Padrão, Cláudia Vieira, José Wallenstein, Lúcia Moniz, Nicolau Breyner
Género - Drama
Duração – 90 Min
País de Origem – Portugal
Sinopse – Nicholas comemora o seu 40º aniversário na sua casa de campo algures no Alentejo, com Sara, sua mulher há 8 anos na companhia de dois casais amigos e uma jovem e sensual actriz, Raquel. Nicholas tem tudo o que sempre desejou e vive uma vida desafogada. Durante a noite do seu aniversário, descobriremos as profissões, os segredos, as paixões, os vícios, as traições e as ambições de cada um dos personagens. Eis que, quando menos se espera, Nicholas surge morto à superfície da piscina. A partir deste momento, assiste-se a duas versões da história desta vida: Uma onde Nicholas jaz morto na piscina e a polícia irá desvendar o mistério da sua morte, trazendo à verdade as traições, os segredos, as mentiras, as verdades de todos os personagens e se descobre a natureza da morte de Nicholas; Outra onde vemos Nicholas, noutro país, noutra vida, com outra mulher e com filhos, outra actividade, outro comportamento, mas o mesmo aniversário.
Estreia esta quinta-feira nas salas de cinema portuguesas o drama “Milk”, um poderoso filme que tem arrebatado elogios um pouco por todo o mundo e que recentemente foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme. Realizado por Gus Van Sant e brilhantemente protagonizado por Sean Penn, “Milk” relata a vida do político Harvey Milk que cansado de se esconder de si próprio, abandona o seu bem remunerado emprego em Wall Street e decide "sair do armário", mudando-se para o distrito Castro em São Francisco com o seu amante de longa data, Scott Smith. Na comunidade colorida de Castro, pequenas vitórias conduzem a outras maiores e Harvey ao falar abertamente para uma maioria silenciosa, acaba por ser o primeiro político assumidamente homossexual a ganhar umas eleições. Quando Harvey Milk foi assassinado em 1978, o mundo perdeu um dos seus líderes mais visionários e uma voz que se elevou corajosamente pela igualdade de direitos.Trailer
Entrevista a Gus Van Sant
Entrevista a Josh Brolin
Cena do Filme
Cena do Filme
Cena do Filme

Com Gérard Depardieu e Jean Reno
Este filme despertou-me a curiosidade pelo seu brilhante elenco, composto por Gérard Depardieu e Jean Reno e a verdade é que como obra cinematográfica, não me desapontou. Jean Reno dá vida a Ruby, um ladrão capturado e preso numa cadeia. Lá, ele conhece Quentin (Gérard Depardieu), um homem tagarela e ingénuo que se torna seu amigo. Ruby consegue fugir, sendo obrigado a levar Quentin consigo. Já fora da prisão, Ruby passa a perseguir os seus antigos parceiros de crime para se vingar da morte da mulher que amava e também, para recuperar o dinheiro roubado antes que eles o encontrem. Em suma, estamos perante um filme leve, repleto de cenas engraçadas que nos divertem e nos fazem rir. Esta obra nunca se perde ao longo da sua evolução, mantendo sempre uma linha narrativa bastante coerente. As interpretações estão ao nível da qualidade que os seus intervenientes já apresentaram em filmes anteriores.
A par da sua vertente cómica, “Tais-Toi” também procura mostrar como pessoas de características psicológicas totalmente opostas se podem acabar por relacionar entre si e até travarem uma forte amizade. Além disso, também procura fazer uma crítica aos sistemas prisionais e à polícia, mais precisamente ao modo como estas duas entidades por vezes actuam. Enfim, um filme razoável para se ficar bem-disposto numa tarde de domingo chuvoso
Classificação - 3 Estrelas Em 5
Realizado por Steve McQueenCom Michael Fassbender, Stuart Graham, Liam Cunningham, Liam McMahon, Brian Milligan

Grande Prémio do Júri: Documentários
We Live in Public, de Ondi Timoner
Grande Prémio do Júri: Competição Dramática
Push: Based on the Novel by Sapphire, de Lee Daniels
Grande Prémio do Júri: Documentários Internacionais
Rough Aunties, de Kim Longinotto
Prémio de Público: Competição Dramática
Push: Based on the Novel by Sapphire, de Lee Daniels
Prémio de Público: Documentários Internacionais
Afghan Star, de Havana Marking
Prémio de Público: Competição Dramática Internacional
An Education, de Lone Scherfing
Melhor Realizador: Documentários
Natalia Almada, de El General
Melhor Realizador: Competição Dramática
Cary Joji Fukunaga, de Sin Nombre
Melhor Realizador: Documentários Internacionais
Havana Marking, de Afghan Star
Melhor Realizador: Competição Dramática Internacional
Oliver Hirschbiegel, de Five Minutes of Heaven
Prémio Waldo Salt de Melhor Argumento
Nicholas Jasenovec e Charlyne Yi por Paper Heart
Melhor Argumento: Competição Dramática internacional
Guy Hibbert de Five Minutes of Heaven
Melhor Montagem: Documentários
Karen Schmeer, de Sergio
Melhor Montagem: Documentários Internacionais
Janus Billeskov Jansen e Thomas Papapetros, de Burma VJ
Prémio Excelência em Fotografia: Documentários
Bob Richman, de The September Issue
Prémio Excelência em Fotografia: Competição Dramática
Adriano Goldman, de Sin Nombre
Melhor Fotografia: Documentários Internacionais
Big River Man, fotografado por John Maringouin
Melhor Fotografia: Competição Dramática Internacional
An Education, fotografado por John De Borman
Prémio Especial do Júri para Originalidade
Louise-Michel, de Delépine e Gustave de Kervern
Prémio Especial do Júri: Documentários Internacionais
Tibet in Song, de Ngawang Choephel
Prémio Especial do Júri: Melhor actuação em filmes internacionais
Catalina Saavedra, de La Nana
Prémio Especial do Júri: Documentários
Good Hair, de Jeff Stilson
Prémio Especial do Júri para espírito de independência
Humpday, de Lynn Shelton
Prémio Especial do Júri: Actuação
Mo’Nique, de Push: Based on the Novel by Sapphire
Prémio do Júri para Melhor Curta-Metragem
Short Term 12, de Destin Daniel Cretton
Prémio do Júri para Melhor Curta-Metragem Internacional
Lies, de Jonas Odel
Menção Honrosa a Curtas-Metragens
The Attack of the Robots from Nebula-5, de Chema Garcia Ibarra
Protect You + Me, de Brady Corbet
Western Spaghetti, de PES
Jerrycan, de Julius Avery;
Love You More, de Sam Taylor-Wood
I Live in the Woods, de Max Winston
Omelette, de Nadejda Koseva
Treevenge, de Jason Eisener.
Prémio Alfred P. Sloan
Adam, de Max Mayer
Prémio de Realizadores Internacionais NHK/Sundance
Diego Lerman, de Ciencias Morales (Argentina)
David Riker, de The Girl (EUA)
Qurata Kenji, de Speed Girl (Japão)
Lucile Hadzihalilovic, de Evolution (França)


Com Jason Statham, Ian Mcshane, Tyrese Gibson, Joan Allen
Confesso que este filme realizado por Paul W.S. Anderson (D.O.A. ou Alien Vs Predator) desiludiu-me um bocado porque esperava uma obra mais fastidiosa do género “Velocidade Furiosa”. A única razão que me levou a ver esta produção, foi o facto de ser um remake do filme de culto “Death Race 2000” (1975), realizado por Paul Bartel e interpretado por David Carradine. No entanto, sem ser um filme impressionante, conseguiu deixar-me satisfeito pela positiva, uma vez que esperava pior.
O filme tem lugar numa América futurista de cenário pós-industrial, mais concretamente numa prisão de alta segurança onde os prisioneiros são obrigados pelos carcereiros, a participar em violentas corridas de automóveis em arenas fechadas. Jenson Ames (Jason Statham), condenado por um crime que não cometeu, é confrontado com duas opções, apodrecer numa cela ou participar no mais brutal evento desportivo criado à face da terra, a "Corrida Mortal". Assume então a identidade de Frankenstein, um dos pilotos favoritos do público e, conduzindo um carro transformado em arma mortal, entrará num indescritível desafio de três dias que poderá ser a sua última oportunidade de recuperar a liberdade.
Este “Death Race” apresenta-nos alguns pontos fracos, como o facto das cenas serem bastante previsíveis, das corridas lembrarem os jogos de vídeo, em que se tem de pisar certas partes da pista para ter armas ou para originar armadilhas para os outros, dos homens serem todos “durões” e das acompanhantes serem todas atraentes (uma prisão cheia de mulheres bonitas?), o que já é costume em filmes do género “Velocidade Furiosa”, o que nos leva a entender que se trata dum filme para adolescentes.
Como pontos positivos, temos o argumento que até é bastante razoável, algumas cenas com adrenalina aceitável, uma interpretação ao nível do costume de Jason Statham e uma interpretação bastante agradável de Joan Allen, que é talvez o melhor do filme. Em suma, estamos perante um filme algo medíocre que nos apresenta algumas características positivas mas que só agradará completamente aos fãs de carros e corridas.
Classificação - 2 Estrelas Em 5
Escrito e Enviado por Slrem


Jacques Tatischeff nasceu a 9 de Outubro de 1907 em França de pai russo e mãe holandesa. A sua família paterna tinha ascendência aristocrática, tendo sido o seu avô embaixador russo em França.
Muito alto e de porte atlético, Tati iniciou-se como jogador de rugby. Cedo, porém, estreou-se como mimo no teatro. Foi mais tarde que entrou no mundo do cinema onde dirigiu, escreveu e interpretou várias curtas e longas metragens, que se centravam mais nos hilariantes gags acompanhados de oportunos efeitos sonoros do que nos diálogos que para além de escassos não transmitiam qualquer informação, servindo antes como mais um efeito sonoro. Criou a personagem de Monsieur Houlot, um clown, com um típico cachimbo, guarda-chuva e gabardina que interpretou em quase todos os seus filmes. Apesar da leveza do seu humor este era suportado por uma mais profunda e reflectida crítica social às hierárquicas relações sociais em França, à estupidificação a que a tecnologia nos conduz, ao absurdo do mundo dos adultos. Críticas feitas contudo em vários níveis de significado o que permitia atingir diferentes camadas de público. Perfecionista ao mínimo pormenor, Tati viu-se a braços com sérias dificuldades financeiras na produção os seus filmes – sempre mais valorizados além fronteiras do que em França. Em 1956, Les Vacances de Monsieur Hulot foi nomeado para o Óscar de Melhor Argumento Original. Para além desta nomeação, Tati recebeu o Prémio Especial do Júri do Festival de Cannes em 1958 com Mon Oncle. Morreu em Paris a 5 de Novembro de 1982.
Trafic (1971)
Play Time (1967)
Cours du soir (1967)
Mon Oncle (1958)
Les Vacances de Monsieur Hulot (1953)
Jour de Fête (1949)
Le Corps au Diable (1947)
L’École dês Facteurs (1947)
Sylvie et le Fantôme (1946)
Retour à la terre (1938)
Soigne ton gauche (1936)
Gai Dimanche (1935)
On Demande une Brute (1934)
Oscar, Champion de Tennis (1932)
Realizado por Woody AllenCom Javier Bardem, Penélope Cruz, Scarlett Johansson, Patricia Clarkson
O consagrado cineasta Woody Allen é mundialmente conhecido pela sua mestria na realização e concepção de Romances e Dramas originais, que normalmente arrebatam os elogios da crítica e do público. No entanto, à excepção de “Match Point”, nenhum dos seus últimos trabalhos em solo europeu, conseguiu surpreender o mundo cinematográfico. Após os flops qualitativos “Scoop” e “Cassandra Dream”, Woody Allen apresenta-nos este “Vicky Cristina Barcelona”, um drama romântico com contornos humorísticos que surpreende pela sua originalidade e intensidade. Esta obra intrinsecamente romântica, narra a grande aventura de Verão de Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson), duas norte-americanas que são as melhores amigas do mundo, apesar de terem visões opostas do amor. Vicky é uma mulher racional e é comprometida e Cristina é uma criatura de instintos, sem inibições e que está sempre à procura de novas paixões e experiências. Quando Judy e Mark, dois familiares distantes de Vicky, as convidam para passar o Verão em Barcelona, as duas amigas aceitam imediatamente. Vicky quer dedicar os seus últimos tempos de solteira ao mestrado e Cristina está ansiosa por mudar de cenário depois da sua última ruptura amorosa. Uma noite, numa galeria de arte, Cristina repara no pintor Juan Antonio (Javier Bardem), um homem com uma sensualidade transbordante. O seu interesse aumenta quando Judy lhe conta que o pintor teve uma relação tão tumultuosa com a ex-mulher (Penélope Cruz) que quase se mataram um ao outro. Mais tarde, Juan Antonio mete conversa com as duas amigas e, ousado, vai directo ao assunto. Antonio convida-as a passar o fim-de-semana com ele em Oviedo e dedicarem o tempo a explorar a beleza da cidade, a beber um bom vinho e a fazer amor. Vicky fica em choque mas Cristina, maravilhada, convence-a a partir nesta aventura. E assim inicia-se uma grande jornada amorosa que irrompe num enorme ciclo de romances entre as várias personagens do filme.
O argumento de “Vicky Cristina Barcelona” é definitivamente uma das características mais positivas desta interessante obra de Woody Allen. A história do filme é narrativamente refrescante e inevitavelmente sensual já que aborda sem pudor, vários temas sexualmente complexos como a bigamia e o desejo sexual. À medida que o enredo se desenvolve, multiplicam-se as histórias amorosas que são sempre pautadas por uma forte tendência dramática e rodeadas por vários momentos de leve descontracção e humor, que relaxam o espectador e conferem uma simplicidade incrível à história. No centro de todos os romances está a personagem masculina de Javier Bardem, um homem que representa o conhecido lema “Carpe Diem” e assume uma postura de ícone da sensualidade, no fundo, ele representa o sexo masculino, uma das poucas coisas que realmente afecta a todos os níveis a mulher. Do outro lado da moeda estão as personagens femininas, cada uma mais complexa que a outra. Vicky é inicialmente uma rapariga correcta e bem comportada que se mostra fiel aos estudos e ao seu noivo, no entanto, após conhecer Juan Antonio a sua vida passa a ser pautada por um progressivo desinteresse pelo seu noivo e pela constante prática de acções que no passado ela consideraria impensáveis como a traição. Cristina começa por ser uma rapariga dada a novas experiencias sexuais e amorosas mas, após conhecer Juan Antonio e a sua ex-mulher, muda radicalmente de opinião e passa a querer ser mais como a sua melhor amiga. A nível secundário também avaliamos o desejo platónico de Judy por Juan António e a complicada relação deste com a desequilibrada e excessivamente passional Maria Elena. Em suma, estamos perante uma história de complementos. Cada personagem evolui ou regride na sua personalidade consoante o complemento (outra personagem) que escolhe. No seu final vemos que os complementos acabam por ser como o Verão, ou seja, meramente passageiros e reflectivos das mais profundas qualidades e desejos humanos. Todas as personagens acabam por terminar o Verão da mesma forma como o começaram. Vicky prossegue os seus estudos, Cristina continua solteira e o casal Antonio/Elena continuam separados, no entanto, apesar de objectivamente iguais nota-se que subjectivamente, aquelas personagens nunca mais serão as mesmas. Portanto, após o visionamento do filme, podemos concluir que os complementos acabaram por ser experiencias que mostraram às personagens um pouco mais do seu verdadeiro ser e que as elucidaram, sobre o que realmente pretendem da vida.
Como se pode facilmente deduzir, “Vicky Cristina Barcelona” é mais uma obra de Woody Allen que exterioriza o seu fascínio pelo sexo feminino, fascínio esse que está sempre presente, em maior ou menor escala, nos seus filmes mas que nesta sua nova obra assume contornos mais intimistas. A verdade é que este cineasta compreende muito bem o sexo oposto e faz questão de o realçar nas diversas obras que realiza mas com este “Vicky Cristina Barcelona”, excedeu qualquer expectativa, especialmente na construção de Cristina e Maria Elena, duas personagens fortes e problemáticas que foram brilhantemente interpretadas pelas talentosas Scarlett Johansson e Penélope Cruz. Estas duas estrelas são sem dúvida um dos grandes atractivos do filme, ambas conseguiram incorpora na perfeição as suas respectivas personagens o que eventualmente acabou por resultar numa poderosa prestação. Outra coisa não seria de esperar de Scarlett Johansson, a musa contemporânea de Woody Allen, e de Penelope Cruz que merece todos os elogios possíveis pela sua brilhante interpretação da louca Maria Elena. Já que falamos no elenco, tenho também que destacar Javier Bardem pelo carisma que incutiu à sua libertina personagem. No geral, acho que todo o elenco se portou à altura do desafio. Dentro das características positivas também encontramos a fotografia. O filme foi integralmente filmado em Espanha, um país que tal como o nosso, é bastante rico em paisagens citadinas clássicas e em paisagens naturais de grande beleza e simplicidade. “Vicky Cristina Barcelona” retrata o melhor desses dois mundos, ao conseguir combinar na perfeição a beleza cultura de Barcelona com a beleza campestre e natural de Oviedo.
Infelizmente o filme não é perfeito, pessoalmente não gostei da constante narração de Christopher Evan Welch. Sinceramente não vejo qual o interesse prático desta narração já que na minha opinião, não acrescenta nada ao filme porque limita-se a relatar o básico e o óbvio. Se ainda fosse uma das protagonistas a “reviver” a história, ainda poderia compreender o fundamento, agora assim não vejo qualquer necessidade prática. Ainda para mais, acho que em certas alturas, a narração corta o espírito e intensidade do argumento. Outro ponto negativo, diz precisamente respeito ao argumento, por muito que a história seja interessante e de grande qualidade, poderia ter sido muito melhor se tivesse organizado mais coerentemente os constantes saltos e transições entre romances e aventuras.
Confesso que fiquei agradavelmente surpreendido com este “Vicky Cristina Barcelona”, após algumas obras menos conseguidas, Woody Allen volta a surpreender pela positiva o público e o mundo da 7ª arte. Com uma história interessante, protagonizada por personagens bem construídas que passeiam por agradáveis paisagens ao som de boas sonoridades, “Vicky Cristina Barcelona” assume-se como um bom filme e inteiramente merecedor do Globo de Ouro de Melhor Filme para uma Comédia ou Musical.
Classificação - 4 Estrelas Em 5
Realização: Diogo Alçada, Fábio Oliveira, Fernando Ribeiro e Rui Silva
Argumento: Diogo Alçada
Com: Nuno Castilho, João Caldeira e Márcia Duarte
Produção: Universidade Católica Portuguesa do Porto (Curso Som e Imagem)
Duração: Cerca de 11 minutos
Género: Drama
Sinopse - Um lixeiro (Moisés), acorda inconsciente nas ruas do Porto. Após um violento ataque, ele é ajudado por uma família que o acolhe em sua casa. No entanto, passado algum tempo, ele percebe que ter entrado naquela casa foi um erro que marcará para sempre a sua vida.
Uma Curta com o apoio do Ante-Cinema
Realizado por Ron HowardCom Michael Sheen, Frank Langella, Kevin Bacon e Sam Rockwell
O duelo televisivo entre David Frost e Richard Nixon ficou para a História como um dos mais explosivos e intensos de todos os tempos. A entrevista política que David Frost conduziu ao ex-presidente dos Estados Unidos da América Richard Nixon é, ainda nos dias de hoje, a que detém o recorde de audiências da televisão norte-americana. Após um escândalo que envolveu questões económicas (o famoso caso “Watergate”) Nixon é obrigado a demitir-se do cargo de presidente dos Estados Unidos. Abatido, com o orgulho ferido e humilhado pelo facto de ter sido o primeiro presidente a abdicar do poder, Nixon resolve afastar-se da política e reformar-se. Uns meses mais tarde e após um problema de saúde de Nixon, o presidente Ford (anterior vice-presidente que passou então a governar o país) emitiu um perdão oficial, desculpando Nixon por todos os seus crimes e evitando que este fosse julgado e muito provavelmente preso. Por esta altura, David Frost – um apresentador de talk-shows em declínio de carreira – andava maravilhado com as audiências televisivas que este escândalo estava a gerar e decide convidar o antigo presidente a submeter-se a uma série de entrevistas conduzidas por ele, como forma de avaliar os seus anos de presidência e as razões que o levaram a afastar-se do cargo e da política norte-americana. Numa primeira instância, Frost leva o assunto na desportiva pensando apenas nas audiências e no salto para a ribalta. Porém, rapidamente percebe que se meteu numa batalha épica para salvar a sua carreira e para defender a moralidade e a integridade do governo americano.
Ron Howard é conhecido por ser um realizador essencialmente eficaz. Os filmes que realiza costumam agradar à crítica e ao público em geral e de quando em quando, apresenta uma pérola capaz de chegar ao prémio máximo da indústria cinematográfica (como fez com “A Beautiful Mind” e como é o caso deste “Frost/Nixon”). “Frost/Nixon” é uma adaptação de uma peça de teatro baseada nesta história e com os mesmos actores, e tal como triunfou nos palcos britânicos, triunfa agora também nas salas de cinema. As interpretações de Michael Sheen e de Frank Langella são soberbas, atribuindo uma dose de tensão e adrenalina às cenas da entrevista pouco usuais em filmes políticos. De facto, a interpretação dos dois actores é o grande motor do filme e é pena que Sheen não faça companhia a Langella no Oscar de melhor interpretação masculina. Os olhos assustados e ingénuos (numa fase inicial) de Sheen revelam na perfeição os sentimentos que passaram pela cabeça de Frost e Langella interpreta de forma perfeita o prepotente e arrogante ex-presidente Nixon.

O frente-a-frente entre Frost e Nixon é filmado como se de um encontro de boxe se tratasse, dividido em 4 rounds (4 entrevistas). Somos convidados a assistir a jogos psicológicos entre os dois “oponentes” e uma simples entrevista passa rapidamente a ser uma luta feroz para ver quem vence e salva a sua alma do desespero e do Inferno. E é aí que o filme se torna interessante: é que para além de estarmos a assistir a um debate sobre um dos maiores escândalos políticos de sempre, estamos também a assistir a uma verdadeira luta pela sobrevivência da integridade e das carreiras profissionais dos dois interlocutores. Algo que torna as coisas muito mais aliciantes, elevando os níveis de ansiedade e ferocidade a níveis inimagináveis. Ferocidade essa que é perfeitamente visível nos olhares dos dois actores. Frost tenta restabelecer a sua credibilidade profissional e afirmar-se como um sério entrevistador político (para além do mero apresentador de talk-shows), enquanto que Nixon é casmurro e tenta manter a integridade e dignidade da sua carreira política recusando-se a admitir os seus crimes. O resultado destas entrevistas irá assim determinar o rumo das vidas de ambos.
“Frost/Nixon” é um filme competente e estimulante, devendo muito da sua qualidade à performance de Sheen e Langella, para além da sempre eficaz realização de Howard que consegue captar as verdadeiras emoções dos personagens para lá do discurso que transmitem. O filme elabora também uma crítica à figura de Nixon, reflectindo sobre as questões da prepotência americana e das consequências da corrupção e do abuso de poder em qualquer cargo de liderança. As constantes aparições dos intervenientes a explicar o que se passou será talvez o ponto menos positivo do filme, porque apesar de tentar inovar no modo como a história é contada, acaba por tirar ritmo ao filme, prejudicando a sua dinâmica. Resumindo e concluindo, “Frost/Nixon” é um filme estimulante ao qual vale a pena prestar atenção e ter em conta para a próxima cerimónia dos Óscar, apesar de achar que dificilmente levará o galardão de Melhor Filme para casa.
Classificação - 4 Estrelas Em 5

Escrito por Carla Ribeiro

A categoria de Melhor Filme, considerada por muitos como a principal dos Óscares, tem como nomeados 4 repetentes dos Golden Globes deste ano (The Curious Case of Benjamin Button, Frost/Nixon, Slumdog Millionaire, The Reader) e apenas uma novidade com “Milk” a substituir “Revolutionary Road”. A actriz Kate Winslet, uma das grandes vencedoras dos Golden Globes, só está nomeada para uma categoria, mais precisamente para a de Melhor Actriz Principal pelo seu papel em “The Reader”. Nesta categoria, a actriz britânica terá a concorrência de nomes de peso como Angelina Jolie, Anne Hathaway e Meryl Streep. O malogrado actor Heath Ledger também está nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário pelo seu papel em “The Dark Knight”, confirmando assim as previsões de que a Academia poderá conceder um Óscar póstumo ao actor. A cerimónia dos Óscares realiza-se daqui a um mês, no dia 22 de Fevereiro, no Kodak Theatre em Los Angeles. Conheça agora os nomeados
Best Picture (Filme)
The Curious Case of Benjamin Button
Frost/Nixon
Milk
The Reader
Slumdog Millionaire
Best Director (Realizador)
Danny Boyle - 'Slumdog Millionaire'
Stephen Daldry - 'The Reader'
David Fincher - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Ron Howard - 'Frost/Nixon'
Gus Van Sant - 'Milk'
Best Actor (Actor)
Richard Jenkins - 'The Visitor'
Frank Langella - 'Frost/Nixon'
Sean Penn - 'Milk'
Brad Pitt - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Mickey Rourke - 'The Wrestler'
Best Actress (Actriz)
Anne Hathaway - 'Rachel Getting Married'
Angelina Jolie - 'Changeling'
Melissa Leo - 'Frozen River'
Meryl Streep - 'Doubt'
Kate Winslet - 'The Reader'
Best Supporting Actor (Actor Secundário)
Josh Brolin - 'Milk'
Robert Downey Jr. - 'Tropic Thunder'
Philip Seymour Hoffman - 'Doubt'
Heath Ledger - 'The Dark Knight'
Michael Shannon - ' Revolutionary Road'
Best Supporting Actress (Actriz Secundária)
Amy Adams – ‘Doubt’
Penélope Cruz – ‘Vicky Cristina Barcelona’
Viola Davis – ‘Doubt’
Marisa Tomei – ‘The Wrestler’
Taraji P. Henson – ‘The Curious Case of Benjamin Button’
Best Animated Feature Film (Filme Animado)
Bolt
Kung Fu Panda
Wall-E
Best Foreign Film (Filme Estrangeiro)
'The Baader Meinhof Complex' (Germany)
'The Class' (France)
'Departures'(Japan)
'Revanche' (Austria)
'Waltz With Bashir' (Israel)
Best Original Screenplay (Argumento Original)
Dustin Lance Black - 'Milk'
Courtney Hunt - 'Frozen River'
Mike Leigh - 'Happy-Go-Lucky'
Martin McDonagh - 'In Bruges'
Andrew Stanton, Jim Reardon, Pete Docter - 'WALL-E'
Best Adapted Screenplay (Argumento Adaptado)
Eric Roth, Robin Swicord - 'The Curious Case of Benjamin Button'
John Patrick Shanley - 'Doubt'
Peter Morgan - 'Frost/Nixon'
David Hare - 'The Reader'
Simon Beaufoy - 'Slumdog Millionaire'
Best Documentary Feature (Documentário)
The Betrayal
Encounters at the End of the World
The Garden
Man on Wire
Trouble the Water
Best Original Score (Banda Sonora)
The Curious Case of Benjamin Button
Defiance'
Milk
Slumdog Millionaire
WALL-E
Best Original Song (Música Original)
‘Down to Earth - ' WALL-E
‘Jai Ho' - ‘Slumdog Millionaire'
‘O Saya' - ‘Slumdog Millionaire'
Best Film Editing (Edição)
Kirk Baxter, Angus Wall - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Lee Smith - 'The Dark Knight'
Mike Hill, Dan Hanley - 'Frost/Nixon'
Elliot Graham - 'Milk'
Chris Dickens, 'Slumdog Millionaire'
Best Documentary - Short Subject (Documentário Curto)
The Conscience of Nhem En
The Final Inch
Smile Pinki
The Witness - From the Balcony of Room 306
Best Cinematography (Fotografia)
Tom Stern - 'Changeling'
Claudio Miranda - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Wally Pfister - 'The Dark Knight'
Chris Menges, Roger Deakins - 'The Reader'
Anthony Dod Mantle – ‘Slumdog Millionaire'
Best Costume Design (Guarda-Roupa)
Catherine Martin - 'Australia'
Jacqueline West - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Michael O'Connor - 'The Duchess'
Danny Glicker - 'Milk'
Albert Wolsky - 'Revolutionary Road'
Best Sound Mixing (Mistura de Som/Efeitos de Som)
David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Lora Hirschberg, Gary Rizzo, Ed Novick - 'The Dark Knight'
Ian Tapp, Richard Pryke, Resul Pookutty - 'Slumdog Millionaire'
Tom Myers, Michael Semanick, Ben Burtt - 'WALL-E'
Chris Jenkins, Frank A. Montaño, Petr Forejt - 'Wanted'
Best Sound Editing (Edição de Som)
Richard King - 'The Dark Knight'
Frank Eulner, Christopher Boye - ‘Iron Man'
Tom Sayers - ‘Slumdog Millionaire'
Ben Burtt, Matthew Wood - 'WALL-E'
Wylie Stateman - 'Wanted'
Best Live Action Short Film (Curta-Metragem)
Auf der Strecke (On the Line)
Manon on the Asphalt
New Boy
The Pig
Spielzeugland (Toyland)
Best Animated Short Film (Curta-Metragem de Animação)
La Maison de Petits
Lavatory - Lovestory
Oktapodi
Presto
This Way Up
Best Makeup (Caracterização)
Greg Cannom - 'The Curious Case of Benjamin Button'
John Caglione, Jr., Conor O'Sullivan - 'The Dark Knight'
Mike Elizalde, Thom Flout - 'Hellboy II: The Golden Army'
Best Art Direction (Direcção de Arte)
James J. Murakami, Gary Fettis - 'Changeling'
Donald Graham Burt, Victor J. Zolfo - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Nathan Crowley, Peter Lando - 'The Dark Knight'
Michael Carlin, Rebecca Alleway - 'The Duchess'
Kristi Zea, Debra Schutt - 'Revolutionary Road'
Best Special Efects (Efeitos Especiais)
Eric Barba, Steve Preeg, Burt Dalton, Craig Barron - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Nick Davis, Chris Corbould, Tim Webber, Paul Franklin - ‘The Dark Knight'
John Nelson, Ben Snow, Dan Sudick, Shane Mahan - ‘Iron Man'









